Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo” Parte X.
O Chão Proibido
Eis o pó sangrento,
O pó da discórdia lamacenta,
As árvores dos espinhos mortais,
Onde gralhas negras gracejam do infortúnio coletivo.
nos trilhos sórdidos, corria o trem prostituto,
Na republiqueta dos coronéis picumãs
Do lodo petrificador levantaram-se heróis anônimos,
Que ousaram enfrentar os mil demônios vorazes.
O fogo da morte ardeu por quatro anos,
Como previra São João Maria.
Escorreu o sangue, que é a seiva da vida,
Que sai dos corações dos homens lutadores,
Para juntarem-se as raízes solitárias da mata devastada
Contra essa brava gente pairou uma forte ira do inferno,
Vieram milhares de Gafanhotos verdes, para devorar tudo o que encontrasse no caminho,
O sertão era o campo de mortalha, para o genocídio caboclo,
Que lutaram para defender a bandeira da dignidade aos semelhantes.
A fome voou livre, levada pelo vento,
Na imensidão de terra fértil.
As doenças brotaram nos peitos dos esqueletos humanos.
Tombou a voz valente dos irmãos pelados
Viraram cinzas, os guerreiros sem pátria, que voltaram ao pó.
Sobrou a mordaça para a descendência engaiolada
Nas arapucas de madeira dos escravocratas de plantão
A Guerra do Contestado, ocorreu no início do século XX, numa região que abrangia parte dos estados do Paraná e principalmente Santa Catarina, foi uma revolta armada da população local que brigou por seus direitos básicos, entre eles as terras que tinham posse e foram expulsos por especuladores, com a conivência do poder público que ignorava as necessidades da maioria do povo, sempre privilegiando os interesses das elites nacionais e estrangeiras, jogando milhões de brasileiros em total miséria, num país farto de recursos naturais
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
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