Campeiro Catarina
Sou serrano, do lado de cá, do Rio Pelotas
Uso chapéu largo, bombacha, lenço, camisa branca e um par de botas
Um índio ginete, na doma de um cavalo redomão
Esquento as palavras, no calor de uma cuia de chimarrão
Faço o sinal da cruz, todo dia
Pedindo para Deus Onipotente, afastar a má companhia
Peleio com o leão baio, cobra venenosa e o gado na invernada
Não corro, nem de lobisomem, bugre e muito menos de alma penada
Sou filho de pai que cortou a pedra-ferro, pois era taipeiro
E de mãe que cuidava da família, o dia inteiro
Cruzo o campo coberto de geada grossa
Trazendo lenha, na velha
Carroça
sou forte, igual à guamirim e quente como o fogo de nó
Na trova, chego à espora, sem a menor dó
Onde houver um tiro de laço
O locutor vai dizer, lá vai um ceciliense bom de braço
Quando acontece, buxinxo no surungo
Dou pranchaço de facão, quem me chama de traste e vagabundo
Com a predinha amada, me casei
É a morena lindaça, que sempre sonhei
Buraco no chão, sal e espeto de madeira
Asso uma costela gorda, na brasa, deixando a peonada faceira
No tempo que era milico, mostrei minha destreza
Lá no Ubatã, atravessei a nado, A grande represa
Meu corpo veio da terra e para ela vai voltar
Mas, para a querência de cima
Minha alma de campeiro Catarina
vai um dia morar
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