Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XIII.
O Canto dos Pelados
Milhares de vozes formaram o coral dos excluídos,
Este Se denominou de Irmandade de São Sebastião,
Regido pela batuta do maestro José Maria,
Que executaram a ópera da dignidade, Mo teatro do sertão.
Com partituras de dor e sofrimento do povo oprimido.
Misturando fé e ilusão, ensaiaram muito no Taquaruçú,
O “libreto” da epopeia,
Na retirada do Iraní, aconteceu o primeiro espetáculo trágico,
Os tambores da guerra rufaram, anunciando o descontentamento popular,
Os cavaleiros sobreviventes dos Doze Pares de França anunciaram a ressurreição da liberdade,
Entra em cena, a solista principal do grupo, a Maria Rosa, a menina santa,
Ela ordena a matança daqueles que ousassem enfrentar o Quadro Santo,
Os valentes comandantes Chico Alonso e Alemãozinho lideram os rebelados da terra sem lei,
Chica Pelega, a soprana, brilhava seus olhos na melodia do confronto,
Vieram Aplauso, antes do final, nas batalhas iniciais,
Cai à noite, o silêncio dizia que o inferno atacaria em todos os lugares,
Metralhadoras esganiçam, eclodem bombas, todos os instrumentos demoníacos entram em ação,
Estraçalham-se homens, mulheres, crianças, os sonhos, a fé, a bandeira da justiça humana.
O tenor pestilento, o Adeodato Ramos, “O Flagelo de Deus”,
No gran finale, fecha o portão do cemitério, deixando lá,
Preso na masmorra por um século, o povo caboclo,
E o sino dobra, quando parte o trem da história.
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