Série “Guerra do Contestado - Cem anos de luta de um povo”. Parte XV.
Puxirum da Fé
Manhã de 20 de janeiro, na santa Taquaruçú,
O chão batido era pisado pela multidão, em uma grande procissão.
Em honra de São Sebastião,
O santo guerreiro e protetor dos contestadores.
Na frente do cordão,
Ia a menina Maria Rosa, com seu vestido branco,
Puro como a alma da gente peregrina.
O vento nordeste bamboleava,no alto do mastro,
A bandeira mística, estampada com a cruz da esperança.
O terço era o pão de todos os dias,
Na crença governante dos mártires do sertão.
Ouve-se a cantilena religiosa, no murmúrio das vozes errantes,
Para afagar os corações aflitos.
É ofertado aos berros, o sangue caboclo,
Que Lutará até a morte, contra os inimigos do inferno.
As portas da pobre igreja,
Estão abertas, aguardando os filhos desta terra.
Quando todas as mãos se juntam, pedindo em coro:
- São Sebastião, que é defensor contra a calamidade, a fome e a guerra, rogai por nós.
Puxirum ou Putirum, de origem indígena comunmente usado na região contestada, era o mutirão da comunidade ou dos vizinhos, que se reuniam para realizar certa atividade, geralmente plantio ou colheita de roça, sem o dono precisar fazer pagamento em dinheiro pelo serviço, sempre fazia um baile ou participava em outros puxiruns.
“O Povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma”.
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