Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XLII.
Os Pássaros da Agonia
Um quero-quero sobrevoou a floresta decapitada,
Sumiu a copa da araucária , o lugar do ninho, para o papagaio criar seus filhos.
O pardal sonhou com uma cidade santa, onde todos eram iguais, mas, acordou nas sectárias masmorras escravagistas,
Calou a voz da baitaca, por mais de um século,
Morreu de fome a gralha do sertão, que ficou sem o pinhão da vida,
Soltou um grito estridente de desespero, a araponga assustada com correntes em volta de seu pescoço,
as flores da injustiça o cuitelo. Negou-se a beijar.
para outra terra, migrou o canário desolado com tanta humilhação,
Ecoou o canto de morte, da fantasmagórica sungara,
Chorou lágrimas de dor, o sábiá, no velório campal,
Apenas ruínas restou da casa que o João-de-barro ergueu com muito sacrifício,
A andorinha que voava livre, agora está estendida, apodrecendo no chão contestado,
A pombinha da paz têm todo o corpo manchado de sangue dos inocentes,
Só se ouve o riso da águia americana com seu egoísmo hipócrita.
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