Fim de Baile
Lá pelos idos de sessenta e poucos, na rua principal da cidade, no salão Guarani, que era o lugar dos acontecimentos festivos, do lugar. O salão era construído todo de madeira que era farta em toda a região e que predominava nas construções, que ali eram feitas.
A noite daquele sábado, era igual à muitas, pois o povoado fica na serra catarinense, com muita garoa e o vento nordeste, que corta os ares do povoado.Mesmo sendo mês de novembro, o frio ainda era intenso. Mas naquele dia ou melhor naquela noite, o frio parecia ser de menor importância, pois se realizaria, um grande baile, comemorativo, do vencedor da eleição municipal e o costume era reunir todo o povo, com muito churrasco e bastante bebida, distribuída gratuitamente .
Assim começou o festejo, no início da noite, com foguetório e carreata do futuro prefeito e seus partidários, exibindo muita alegria, com o feito realizado.
Com muita carne, bastante Serramaltes e várias Crushes, durante todo o “puxirum”, para o povo ali presente. Como uma festa que se preze, nas 22 horas, o gaiteiro abriu a cordeona, abrilhantando o lugar . Os sorrisos eram fartos, as risadas constantes, o murmúrio era grande entre as pessoas que ali estavam e que se esqueciam da vida difícil que levavam.
Noutro canto da cidade, alguém destilava seu veneno, pois era mortal sua raiva, daqueles que outrora se ajoelhavam diante dele, considerava-se a pessoa mais importante daquelas bandas, o mais influente coronel, que tinha contatos com políticos influentes da capital. Mas, na última eleição fora fragorosamente derrotado nas urnas, o povo, que achava que ele era seu, virou as costas para ele, foi enxotado igual à um cão sarnento. Matutava silenciosamente como iria se vingar daquilo que sofrera. Tanto pensou que veio uma idéia diabólica, para por fim naquilo tudo, acabar com aquela comemoração daqueles ingratos. Decidiu por sua idéia nefasta em prática, chamou seus comparsas e deu a ordem:
- Coloquem fogo no salão de baile, quero que tudo vire cinza, que a festa seja enterrada prá sempre.
Os pistoleiros do coronelfazendeiro,fizeram tudo como ele ordenou, atearam fogo, com muita gasolina e ficaram olhando de longe a desgraça ,que ali .aconteceria em poucos minutos.
Logo se ouviu os gritos:
- Fogo, fogo, corram todos, o salão está pegando fogo.
Foi uma correria dos diabos, pois o fogo vinha de todos os lados, as pessoas nem qual o lado que deviam ir, para escapar das chamas, parecia o inferno tomando conta do salão, tragando tudo o que estava na frente dele.
Em pouco mais de duas horas, o salão Guarani virou cinzas, só pedaços dos cepos de sustentação ficaram. Assim o ódio destruiu a festa,tendo sido criado na mente de uma pessoa, que somente foi contrariada em suas vontades, não aceitando a decisão do povo.
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