Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”; Parte XIX.
Guerra da Fé
Três profetas peregrinos anunciaram,
O sertão vai virar um inferno.
Sendo martirizado o último deles,
Na luta contra os soldados do poder.
A convicção religiosa foi a cola,
Que uniu a gente massacrada.
Seria a cruz uma espada enterrada,
No coração da gente cabocla.
Para enfrentar os inimigos,
O povo santo formou o exército encantado de São Sebastião.
veio A sacerdotiza-menina, a pombinha branca,
Para guiar a multidão dos pelados.
Fez-se das procissões desvairadas,
Manobras militares, nos redutos de extermínio.
Em orações infinitas, entorpeciam-se as pessoas,
que foram Brutalmente achincalhadas em todos os seus direitos.
Jorrou o sangue de milhares de pobres almas,
Ofertado ao deus de nome, poder.
A fome foi penitência que purificou o pecado original,
Que devorou a vergonha e o caráter dos subversivos de gravata e farda.
Ouviu-se a trombeta do juízo final,
Quando as rajadas das metralhadoras, aniquilavam aqueles que levantaram a bandeira da esperança.
O flagelo do Diabo engoliu os filhos de Deus,
Com a insanidade perversa.
As águas do céu lavaram a podridão da escravatura humana,
Escorrendo-as todas nas artérias fluviais da terra proibida.
Após cem anos, O chão profanado, ainda veste luto,
Em honra dos que tombaram no solo sagrado,
Combatendo com as armas que tinham, que eram: a fé e a coragem. Para construir um mundo digno as futuras gerações.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
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