Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXVI.
Retrato do Absurdo
Subiu ao ar a espada de um soldado do Duque de Caxias,
Com a lâmina toda ensanguentada, pois acabou de cortar a barriga grávida, de uma camponesa.
Tombaram dois corpos, mãe e filho, unidos na vida e na morte,
Chorou um anjo que faleceu antes de nascer, ele era parte do povo excluído, que estava condenado.
Vinha a fumaça negra de um trem, escondendo essa cena horrenda,
Assim o martírio assassino dos molambentos, pelos feitores do Século XX,
a escravidão medonha mantinha-se selvagem, com a benção da igreja oficial da pátria da ordem e progresso.
Para os miseráveis continuavam existindo as correntes e os açoites
Esse era o retrato que ficou na parede neste século da catacumba ufanista.
As raposas tirânicas aplaudiram em banquetes reais,
Brindando com as taças de cristal, cheias de sangue caboclo,
Fartando-se da carne da gente do sertão contestado.
Deitavam-se os parasitas em dinheiro de papel, feito com a massa das araucárias devastadas.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”
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