Série “Guerra do Contestado - Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXVII.
Coração Contestador
De que nação eu venho?
Que século é este?
porque diabos, de tanta dor?
A escuridão da noite esconde meu caminho,
Deixando-me refém da astúcia maldita
Da serpente fantasmagórica.
A rudeza da minha pele,
Esculpida pelo vento frio do sul,
Só conhece o pesadelo do espinho encravado na garganta do mestiço,
Que permanece aprisionada, cheios de palavras,
No subterrâneo do meu corpo de fantoche.
Com seu brilho refletindo nos meus olhos,
O Rei Sol me desperta,
Para ver a bandeira libertária,
Que tremularia no sertão,
fora fabricada pelo sofrimento inescrupuloso,
foi o chamado para eu ser herói,
minha cabeça ficou nua, sou soldado do exército encantado de São Sebastião,
clamo por todos os anjos do céu,
para gritar mais forte que mil trovões de outubro,
e dizer que esta terra tem dono.
Os pedregulhos deste chão já se acostumaram com as pisadas dos meus pés,
O pinhão é meu pão que dá força para continuar a labuta,
Até os bichos da mata, conhecem minha voz,
É a raiz do meu coração, plantada no solo nativo
Derramarei meu sangue de homem honesto,
Que é o líquido vital da dignidade humana,
Este escorrerá por todos os cantos,
Para purificar as bocas mentirosas,
E assim poder semear os grãos de liberdade e justiça,
Que a minha descendência sempre tenha isto por princípio de vida.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
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