Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XLV.
Miséria de Um Século
a serpente da modernidade picou , a ganância inescrupulosa,
levando a araucária, o cálice de madeira, à tombar, derramando o sangue da igualdade.
Era a corda asfixiante, em volta do pescoço da gente excluída,
Mestiço, índio, branco, negro, todos os sertanejos pelados.
Virou pedra o pão na boca dos desdentados da nação espúria.
Vingou a praga onde a terra falava outros idiomas.
Rostos amarantados pelo flagelo da fome secular.
Arderam os corpos , no inferno meridional.
Subiu o picumã das chaminés, que enegreceu o céu.
Exalou no ar, o cheiro fétido nas águas danosas, das veias hidrográficas.
Recebeu convite da penúria os enxotados molambentos,
Era a mortalha viva de gerações prostradas.
As lágrimas encharcaram a terra contestada.
Ouviram-se os gritos dos carcarás patrulhando os destroçados.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
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