Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

gMateando



rAlvorada no coração ceciliense



É o sangue verde , que sai do purungo queimado



Ecoa na coxilha , quando a chaleira derrama a água fervente



O mate fazendo dupla com a cordeona



Uma salva de tiros na saudade da alma cabortera



Pealo na bomba de um quente chimarrão



O amargo que aquece as palavras do vaqueano



É o carinho de uma prenda, num surungo boenacho



A Companhia fiel de um solitário vivente



O gosto da querência no peito aragano



Quando o fim chegar, o gaudério irá pedir à Deus , matear pela última vez, neste pago catarinense

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Prenda Amada


Veio da Coxilha Rica, esta morena lageana
A linda flor da região serrana

No fandango, dançava mais que um Pé-de-vento
Ela tomou conta do meu pensamento

Mimosa como uma laranja de amostra
Tomei coragem e Lhe fiz uma proposta

De domar, meu xucro coração
E com ferro em brasa, colocar sua marca, no peito deste peão

Sua resposta foi sim, mas com uma condição,
De eu construir uma casa, ao lado do galpão

Meu laço deu um tiro certeiro
Trazendo para mim, aquele corpo faceiro

Foi na capela do Retiro, que a gente se casou
Com a benção de Deus, o padre nos consagrou

Esta chinoquinhaé mãe de nossos filhos amados
Eu e ela continuamos apaixonados

Lembrar do primeiro dia, nos dá uma ponta de saudade
Mas temos a certeza, que este amor, será para toda eternidade

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Campeiro Catarina"

Campeiro Catarina


Sou serrano, do lado de cá, do Rio Pelotas

Uso chapéu largo, bombacha, lenço, camisa branca e um par de botas

Um índio ginete, na doma de um cavalo redomão
Esquento as palavras, no calor de uma cuia de chimarrão

Faço o sinal da cruz, todo dia
Pedindo para Deus Onipotente, afastar a má companhia

Peleio com o leão baio, cobra venenosa e o gado na invernada
Não corro, nem de lobisomem, bugre e muito menos de alma penada

Sou filho de pai que cortou a pedra-ferro, pois era taipeiro
E de mãe que cuidava da família, o dia inteiro

Cruzo o campo coberto de geada grossa
Trazendo lenha, na velha
Carroça

sou forte, igual à guamirim e quente como o fogo de nó
Na trova, chego à espora, sem a menor dó

Onde houver um tiro de laço
O locutor vai dizer, lá vai um ceciliense bom de braço

Quando acontece, buxinxo no surungo
Dou pranchaço de facão, quem me chama de traste e vagabundo

Com a predinha amada, me casei
É a morena lindaça, que sempre sonhei

Buraco no chão, sal e espeto de madeira
Asso uma costela gorda, na brasa, deixando a peonada faceira

No tempo que era milico, mostrei minha destreza
Lá no Ubatã, atravessei a nado, A grande represa

Meu corpo veio da terra e para ela vai voltar
Mas, para a querência de cima
Minha alma de campeiro Catarina
vai um dia morar

sexta-feira, 8 de abril de 2011

"Alvorada Campesina"

Alvorada Campesina


É A alvorada do dia, que a badalada do sino, determina

É Uma chacoalhada na noite, que termina

O berro do gado, igual a uma gaita Catarina

O estridente grito, de um quero-quero, no alto da campina

Um copo de café, junto um pedaço de pão, com um pouco de margarina

A geada quebrando, com os passos de uma botina

Coração quente, igual à de uma menina

O sol dormente, com seus raios ilumina

A dona de casa abriu, a cortina

A vassoura é sua amiga, na hora da faxina

O trator ara a terra, como o lavrador determina

Assim a labuta começa, nessa rotina

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"José Mendes - OGaúcho Seresteiro"

José Mendes, “ O Gaúcho Seresteiro”


Com seu Picasso velho Camperiou por este rincão
Cantando acompanhado de gaita e violão

A tristeza e a saudade vão embora
Quando toca seu disco em uma vitrola

Pealou com a cordeona, no rodeio da Vacaria
Animando o fandango, até o clarear do dia

Roubou o coração de uma fazendeira,
Que lhe deu um filho com alma campeira

Entoou as qualidades desta querência
Com seu timbre inigualável, mostrando sua competência

Andarengo, que abriu as porteiras do mundo afora
Era o ginete domando os versos com sua espora

Inspirado em sua lida, na fazenda da ramada,
Fez a música, ”Pedro Para”, que foi sucesso naquela temporada

Boleou a perna, para o pago celestial
Emtrete os anjos, com sua voz, de serrano bagual

terça-feira, 8 de março de 2011

"Gaita Aragana"

Gaita Aragana


Prenda caborteira,arisca numa bailanta

Brasa acesa, na mão do tocador ginete

Pedra atirada por um bodoque, que acerta o coração galponeiro

É o relincho da égua ruana

Apito de um trem chegando na estação

Assobio do vento nas grimpas do pinheiral

A faca lageana, cortando o churrasco crioulo

Urro de um leão baio, ecoando na madrugada inteira

Uma cuia de mate, continuando a tradição

Leite que escorrega por entre os dedos ligeiros, na ordenha macanuda

É o rangido da carreta, atulhada do sentimento gaudério

és A chinoca milongueira da serra acima

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Meu Verso"

Meu Verso

Meu verso é umchasque da tradição,

Na trenpe, ardente no fogo de chão

Meu verso é, o pealo na doma

Segurando a rédea, de uma égua redomona

meu verso é, o buxixo no surungo

a vertente jagunça deste matungo

Meu verso é,a água quente

Na cuia do mate, aquecendo o coração do vivente

meu verso é, vento minuano

Derrubando pinhão, que é o alimento do povo serrano

Meu verso é, uma adaga Correntina

Sangrando o peito, da gente Catarina

meu verso é o galo índio, esporeando

minha marca na terra, vou deixando

Meu verso é , o xucrismo de um potro

Entreverado com o gemido de uma gaitita de oito sôco

meu verso é, o arroz de carreteiro,

Entretendo o bucho faminto de um tropeiro

Meu verso é o laço que está em minha mão

Enrodilhando a prenda, que está em meu coração

Meu verso é uma bandeira colorada

Confirmando a derradeira armada

Meu verso é ,o berro do gado ligeiro

Na lida bruta deste campeiro

Meu verso é pedra-ferro “ajuntada”

Em uma taipa, dividindo a minha invernada

Meu verso é,o baú do Rio Correntes

A guaiaca cheia dos cecilienses

Meu verso é , um grito de um forte

peleiando todos os dias, até a hora de sua morte

meu verso é a voz do pago valente,
que o peão agradece por este pedaço de terra, a Deus Onipotente