Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

sábado, 29 de novembro de 2014

Texto - "Conheceu o Alfredinho da Gaita?"

Conheceu o Alfredinho da Gaita?

Ele nasceu no tempo do “redute”, foi encontrado em meio de mais um massacre de sertanejos, mamando nos seio de sua mãe que, havia sido morta' há três dias ou mais. Como o homem que o achou tinha bom coração. Decidiu adotá-lo, pois para este uma criança não merecia ser tratado dessa forma e Alfredo tinha poucos meses de vida.
Cresceu ele com a família adotiva, tornando-se um homem de baixa estatura, apesar de conservar sempre glutão, deve ser resquício da situação precária que teve na infância. Alfredo era um caboclo de paz, dizia que a violência é o cúmulo da ignorância dos que se consideram inteligentes. Tornou-se um exímio domador, para ele amansar cavalos xucros, era como sorver uma xícara de café bem quente, tem de ir tomando bem devagarzinho pequenos goles, até tornar-se do tipo que o vivente gosta. Recebia convites de fazendeiros de uma região que ia de Vacaria aos Campos de Palmas, para lidar com os animais aporriados.
Além disso, gostava de uma trova, fazia versos de idéia como ninguém e quando algum gaiato lhe desafiava, aceitava de pronto e com galhardia ganhava os pilas do adversário.
Conheceu o laço do amor, jogado pela prendinha Alvina, que seria a mulher de sua vida, isso se deu numa festa de São Sebastião. Foi amor a primeira vista e decidiram se casar. O enlace matrimonial se deu num sábado de manhã fria no Caragoatá, a festança foi grande, cobriram o vilarejo com a explosão de fogos. Estava reunido todo o parentesco e a vizinhança. O banquete se deu no galpão da fazenda do pai da noiva,com muito churrasco de porco, ovelha e boi, misturado com bastante pão caseiro e para beber, vinho para os adultos e gasosa para a criançada. Quando a comilança acabou, puxaram as mesas para o lado, algumas foram desmanchadas e o fandango se deu por lá. Para iniciar a dança, somente os noivos bailaram a valsa nupcial, depois disso a poeira comeu solta no chão batido, indo o entrevero até o sol raiar o dia de bomingo.
Alfredo e Alvina tiveram dois filhos: Olga e Antonio (nome dado em homenagem ao pai adotivo de Alfredo). Eles viveram esta união mais de cinqüenta anos, um sempre respeitando o outro. Um dia a morte os separou, ela partiu para a eternidade e deixou ele solito na vida, apesar disso ele sempre se manteve fiel a ela.
Rolou por todo o mundão, sendo agregado de muitas fazendas, onde fazia todo o serviço campeiro
Atendendo o chamado do patrão celestial, que precisava dele para amansar seus cavalos alados, Alfredo rumou para a querência divina. Agora deve estar fazendo dupla com sua irmã adotiva, a Maria Rosa. Ele com sua inseparável gaitita de boca e ela com uma cordeona, a frente dos dois sua esposa Alvina, bailando com seu vestido de cetim azul.

“Cultura é o fermento da inteligência”.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Contos de Sucesso: O Velório à Luz de Velas

O Velório à Luz de Velas

O fato que vou lhes contar aconteceu nas terras de São João Maria, quando luz elétrica era coisa do outro mundo, olha que não faz tanto tempo assim. Nas bandas da serra acima tinha um caboclo chamado Orides Ribeiro de Souza, mas era apelidado de Teixeirinha, por sua aparência similar ao cantor gauchesco, que fazia sucesso na época. O Teixeirinha cor-de-cuia sempre andava vestido de bota , bombacha, camisa branca, lenço e um chapéu de aba larga, tudo da melhor qualidade. Ainda era o gaiteiro do lugar, abrilhantando as festanças. Ele também possuía a maior fazenda da região, com enorme quantidade de gado; portanto o genro perfeito que todo o pai queria prá sua filha. Tendo ele sido assediado por muitas moças, entretanto nenhuma chamava a atenção dele. Muito tempo se passou, seus pais se foram para o além, como era filho único ficou solito na vida. Já passava dos quarenta e tinha enjoado de comer virado de couve com pele de porco torrada.
Certo dia encilhou seu cavalo zaino e foi tocar um baile na Campina dos Biridas. Era um puxirum de um amigo seu, na propriedade deste. Na hora da cordeona abrir, o galpão estava apinhado de gente, mas tudo correu em paz, apesar da beberagem ser muito grande. Nesse tumulto Teixeirinha encontrou-se com Isabel, filha de um gringo que chegara à poucos dias. A galega era para ele a mulher mais bonita que colocara os olhos e disse para o alto:
É com essa mulher que vou casar!
Após passados dois meses do ocorrido, o padre abençoava o casamento, na capela da fazenda de Teixeirinha. A partir daquele dia só sorriso no rosto dele. Assobiava aos quatros ventos e Dizia aos amigo que ele encontrou sua Mary Terezinha( mulher do famoso cantor), a dele ainda era mais jovem e mais bela do que a outra.
Após seis meses vivendo a dois, uma tragédia acabou com a alegria do fazendeiro. Foi quando foi trotear o gado para um piquete, atividade que sempre fazia; sempre acompanhado de seu peão e montado em seu cavalo, que já havia habituado com isso. Quando cruzavam um pedaço de mato de repente o animal levou um susto de algo que passou em sua frente e empinou suas patas dianteiras , atirando Orides ao chão: um de seus pés ficou preso no estrivo de montar: o alazão em disparada arrasto-o por vários metros, vindo a este parar só quando o peão laçou-o. Já era tarde demais o fazendeiro estava morto.
O funcionário levou o corpo para a sede da propriedade. Bastou Isabel avistar o marido ensangüentado, para lançar um forte grito de dor, como um golpe de agaga tivesse atingido seu coração derramou suas lágrimas sobre o corpo inerte. Nem sabiam que ela estava na primeira semana de gestação do futuro herdeiro.
Veio da cidade de Caçador, o melhor caixão, vestiram-lhe a roupa que usara no casamento, um terno azul, camisa branca de linho e uma gravata preta. Começando o cortejo fúnebre já passava das oito horas da noite. Pediram então que todos os presentes segurassem uma vela acesa na mão, o cortejo fúnebre iria até o pavilhão da igreja, que ficava próximo a um pequeno morro distante uns quinhentos metros. Parecia uma procissão cortando o sertão. Chegando ao local, puseram o defunto no meio do salão e as várias mortalhas levadas por muitas pessoas. O sacerdote era o mesmo do matrimônio que fez a missa de corpo presente. Abençoando-o e exaltando suas qualidades de bom filho de Deus. Em seguida se atemdeu um pedido de Teixeirinha, de que no seu guarda mento fosse tocado violão e gaita e fosse cantada as músicas que ele mais gostava. Assim se fez, quando os instrumentos fora m tocados , ouviu-se o povo em coro cantar um sucesso do Teixeirinha rio-grandense, “A Morte Não Marca Hora”.

... Aqueles que puderem venham em meu velório
Amigos e parentes meu fãs venham também
O último adeus eu quero de voceis
Será o maior presente que eu levo pro além...”
“Cultura é o fermento da inteligência”