Série “Guerra do Contestado - Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXIV.
Capão Da Mortandade
Dentro da sesmaria curitibanense, na capitania Catarina,
Um naco de mata virgem, na veia fluvial do Rio Marombas,
Rodeavam o lugar, o silêncio das turvas águas,
Era o purgatório dos anjos e demônios que ali passavam,
Ponto de luta dos ventos, o sul enfrentava o norte, formando fortes temporais,
Segredos afloraram como espinhos,
Mistérios foram cobertos com as pedras,
A imbuia podre esconde a cabeça decapitada do terrível Coronel Alburquerque,
Espalham-se gritos de dor, em noite de neblina intensa,
caraguatás, carquejas e vassourinhas do campo, são mortalhas para os defuntos desconhecidos,
onde bandos de corvos fizeram banquetes de carne humana,
fantasmas como se estivessem vivo gritam dizendo: morte aos peludos,
outros retrucando: acabem com os jagunços,
ficou encravado, o facão de guarnição dos caboclos,
enferrujando a luta sertaneja, de arrancar todas as correntes de opressão.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Poesia "Frei Rogério"Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXIII. Frei Rogério Neuhaus Subiu a montanha, uma batina franciscana, A fé católica veio ao sertão, com voz silenciadora. Um sacerdote da igreja romana, soldado do Papa, Em Seus olhos de metal e o seu coração de quartzo, não se comoveram com o suplício generalizado, Pregava paz, sem lutar pela justiça entre os homens, Domesticava o rebanho arredio, para o colonialismo selvagem, Oferecia o céu para os que vivessem nas garras dos demônios da terra. Ergueu templos revestidos com sangue caboclo, dedicado à crueldade dos coronéis, Contou as moedas trazidas em tonéis pelos pecadores peludos, A missa do funeral coletivo, Suas palavras vestiam o véu negro, adornado com um guizo de cobra, Repicou os sinos de extrema-unção, para os guerreiros das araucárias. Os ferimentos abertos continuaram escorrendo na alma dos ignotos. • Henrique Neuhaus ou Frei Rogério Neuhaus (1863-1934), foi um padre alemão que exerceu seu trabalho na região contestada na época do conflito. “O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Poesia "Dois Confrontos"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXII.
Dois Confrontos
Corria o ano de 1914,
Trezentos cavaleiros pisotearam a grama vigorosa
A quinta dos eslavos viu a fúria dos caboclos rebeldes
Tinham a ira cristalizada em seus olhos e dentro de seus corações, contra tudo e contra todos
Os devotos de São João Maria atacaram o chão de Papanduva e Itaiópolis
A morte correu solta na terra Planaltina
Enfileiravam-se cadáveres de gente esfacelada
Cemitério céu aberto
A voz ignorante da bala, falou mais alto naquelas plagas.
Viram-se labaredas de fogo dos cartórios plagiadores de falsas escrituras
Com mão de ferro, o terror dominou por mais de noventa dias à região
Um clamor saiu das bocas angustiadas
Num idioma que só São Estanislau podia entender
Pediam em prece, que os livrassem do inferno da destruição,
o Imperador do Paraná, que achava que tudo pertencia ao seu reino
Enviou tropas de soldados para retomar a posse
Após intensos combates, o grupo de sertanejos retirou-se em debandada.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
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