Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Tirano do Sertão

Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XI

O Tirano do Sertão.

Em 1912, as trevas dominavam Curitibanos que era feudo de Francisco Albuquerque,

Este era escudado, pelo compadre, o coronel-governador Vidal Ramos.

O intendente Sanguinário e prepotente, um homem perverso.

Açoitava o povo, com suas ordens arbitrárias.

Agia como se fosse um deus, nos seus feitos diabólicos.

Era o fel da terra, goela abaixo da população local.

Perseguiu os adeptos do monge José Maria, que julgava serem inimigos do seu poder coronelista.

Seu sangue escorreu,no Capão da Mortandade, onde foi assassinado, juntou-se aos que antes massacrou neste lugar do Rio Marombas.

• Francisco Ferreira de Albuquerque – Foi intendente do município de Curitibanos ( de 1902 à 1914), sendo um dos estopins da Guerra do Contestado, pois atacou muito os adeptos do Monge José Maria.

“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Chão Proibido

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo” Parte X.

O Chão Proibido

Eis o pó sangrento,
O pó da discórdia lamacenta,
As árvores dos espinhos mortais,
Onde gralhas negras gracejam do infortúnio coletivo.
nos trilhos sórdidos, corria o trem prostituto,
Na republiqueta dos coronéis picumãs
Do lodo petrificador levantaram-se heróis anônimos,
Que ousaram enfrentar os mil demônios vorazes.
O fogo da morte ardeu por quatro anos,
Como previra São João Maria.
Escorreu o sangue, que é a seiva da vida,
Que sai dos corações dos homens lutadores,
Para juntarem-se as raízes solitárias da mata devastada
Contra essa brava gente pairou uma forte ira do inferno,
Vieram milhares de Gafanhotos verdes, para devorar tudo o que encontrasse no caminho,
O sertão era o campo de mortalha, para o genocídio caboclo,
Que lutaram para defender a bandeira da dignidade aos semelhantes.
A fome voou livre, levada pelo vento,
Na imensidão de terra fértil.
As doenças brotaram nos peitos dos esqueletos humanos.
Tombou a voz valente dos irmãos pelados
Viraram cinzas, os guerreiros sem pátria, que voltaram ao pó.
Sobrou a mordaça para a descendência engaiolada
Nas arapucas de madeira dos escravocratas de plantão


A Guerra do Contestado, ocorreu no início do século XX, numa região que abrangia parte dos estados do Paraná e principalmente Santa Catarina, foi uma revolta armada da população local que brigou por seus direitos básicos, entre eles as terras que tinham posse e foram expulsos por especuladores, com a conivência do poder público que ignorava as necessidades da maioria do povo, sempre privilegiando os interesses das elites nacionais e estrangeiras, jogando milhões de brasileiros em total miséria, num país farto de recursos naturais


“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Terra Caragoatá

Série "Guerra do Contestado - Cem Anos de luta de um povo" Parte IX

Terra Caragoatá

vegetal espinhento e nome de reduto, oCaragoatá . Este povoado era o mais organizado de todos
seus espinhos feririam aqueles que ousassem os moradores do lugar santo.
Era no alto da Serra do Espigão, onde a névoa escondia os desgraçados do mundo.
um degrau, na escadaria que levaria ao céu, os devotos de São Sebastião.
Foi capital do reino dos caboclos pelados.
Da menina santa, a rainha-súdita, provinha às leis, que regia o lugar.
Chão abençoado, para milhares de miseráveis filhos de Deus.
No verde das taquaras trançadas dos casebres, estava a esperança dos iludidos.
Erguia-se uma muralha natural formada por um pelotão de araucárias, iguais a soldados com lanças em riste, em suas copas.
Ali em coro, a irmandade,com resas constantes,aliviava os trágicos destinos dos discriminados.
A mata virou praça de guerra, quando o exército peludo, quis invadir o povoamento rebelde.
O céu virou inferno, verteu a febre tifoide, que ardeu em muita gente e ceifou centenas de pessoas.
O silêncio da noite foi companheiro, aos que rumaram para outros destinos.
Restou a procissão de fantasmas agonizantes que exibem seus corpos dilacerados , entoando uma canção de morte, que persiste há um século.

• Reduto de Caragoatá ( hoje município de Lebon Régis, SC), foi na Guerra do Contestado(1912-1916), um dos locais de concentração dos rebeldes, contou com mais de seis mil homens. Foi lá que se deu início para o enfrentamento contras forças militares, que viessem atacar a Irmandade cabocla.

“O Povo que não cultua sua história, nunca vai merecer importância alguma”.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Calmon Arde em Chamas

Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo” Parte VIII.


Calmon arde em chamas.

Habitava em Calmon, um dos dois dragões americanos engolidores das florestas nativas, que eram abastecido por trem
ele estraçalhava quem estivesse atrapalhando seu caminho
Disseminou a dor e o flagelo ao povo sofrido, de toda a região.
O ódio cristalizou-se nas palavras dessa gente massacrada pela ganância espúria.
A violência instalou-se na vida desse povo humilde,
foram transformados em cordeiros que agora, queriam beber o sangue dos lobos assassinos.
Só restava a eles morrer lutando pela dignidade.
Seguiram trezentas pessoas, entre mulheres e homens, destruir esse monstro peludo.
A palavra de ordem era mortífera, acabar com os gringos e incendiar tudo o que encontrassem.
Quando chegaram ao local, a vingança foi estendida naquele chão,
Relampejaram os facões, refletindo o sol pérfido da morte.
Como as pontas afiadas das grimpas das araucárias, espetaram os corações dos intrusos do norte.
Ecoaram tiros, os estampidos do confronto absurdo entre seres da mesma espécie.
Mataram, saquearam e queimaram a colossal serraria dos estrangeiros, que ardeu como um grande fogo de nó.
Mancharam-se todas as flores de vermelho,com os corpos dilacerados sobre elas.
Noutro dia, foi um banquete para as aves de rapina, que se deliciavam, com a carne branca dos capitalistas.

Em 5 de Setembro de 1914, na localidade de Calmon, onde ficava uma das serrarias da Lumber, de propriedade americana, que detinha a permissão do governo federal de explorar toda a madeira e as tterras da região. Um grupo de rebeldes, liderados por um jovem de dezessete anos, Chico Alonso, que atacaram o local, assassinando várias pessoas e ateando fogo nas construções do lugar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sao Joao Maria de Jesul

Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte VII

João Maria de Jesus

Veio do Oriente, o monge cristão.
Jesuíta por devoção ao mestre do amor
Tinha Barba cerrada, igual às matas,da vastidão verde da serra
Semelhante à pinhões de araucárias,
as palavras saíam de sua boca, para alimentar as almas desamparadas.
chão de terra, era sua cama e o céu o seu teto para passar suas noites
humilde, semelhante aos irmãos sertanejos.
a simplicidade de suas vestimentas contrastavam com a riqueza do seu espírito elevado
tinha o olhar intenso e profundo, um semblante de alguém dotado de um brilho divino.
O anjo andante, que aliviou a dor de muita gente, com suas rezas, infusões de ervas e com conselhos espirituais.
Plantou a semente da liberdade, aos filhos de Deus.
Num raio de luz, ,quando meditava no Morro do Taió, retornou ao céu eterno.

São João Maria de Jesus ou Atanás Marcaf, proveniente da Turquia, foi o segundo dos três monges. Perambulou pelo interior da região sul do Brasil, no final do século 19 e início do século 20, por sua semelhança com o primeiro monge João Maria, seus seguidores pensavam ser este a mesma pessoa, que teria reaparecido, para eles.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Tributo à Chica Pelêga

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte III

Tributo à Chica Pelega

Nascestes com a benção divina, num raio de sol,foi a filha mais preciosa desta terra
Recebeste o nome de Francisca Roberta
Dominastes desde pequena, o seu dom de cura e de dar carinho a todo ser vivente.
Sentistes o fel do mundo , quando trucidaram sua família, sobrando só sua mãe
Entendestes sua missão, quando visitastes o Monge José Maria, em Taquaruçú, que era lutar junto com os excluídos, igual a ti.
Fostes a guerreira mais valorosa deste sertão catarinense
Empunhastes a bandeira e fizestes parte do exército encantado de São Sebastião
Soltastes nas batalhas, um forte grito de indignação e de revolta contra a exploração humana.
Eras na Irmandade cabocla, a que cuidava dos doentes do reduto, e trazia ânimo aos corações do povo bravio, para continuarem lutando, apesar da fome e das doenças
Cavalgastes por estas plagas, onde esvoaçava seus Cabelos e também uma mantilha felpuda, senelhante a um pelego, daí veio seu nome de guerra, Chica Pelega
Consagrastes teu nome na história, ensinando a lição de ser grande , mesmo quando impõe masmorras ,algemas ,e açoites, pois é grande quem se levanta contra tudo isso.

sábado, 27 de outubro de 2012

A Morte e a Vida, no Combate do Iraní.


Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo” Parte VI.

A Morte e a Vida, no Combate do Iraní.

Foi no dia vinte e dois de Outubro, que a vida morta dos caboclos cedeu lugar para uma morte que lutaria por uma vida digna.
Era o clamor surgindo, das vozes dos excluídos, contestando à situação de penúria que eram submetidos
Tombou o medo, no coração da gente mestiça, ressuscitou através da fé, uma força para enfrentar os chacais do poder.
Foram quarenta cavaleiros, capitaneados por José Maria do Taquaruçú, que ergueram a bandeira, que tremularia nos campos santos da Irmandade de São Sebastião.
No Banhado Grande, os enxotados do sertão, enfrentaram a polícia,
Na primavera nefasta, desabrochou a flor da liberdade cabocla,na terra que bebeu muito sangue escarlate,coberto com espuma de ódio
A semente da guerra espalhou-se por todos os lugares da região inóspita dos pinheirais
Rugiram as balas dos dois lados, gritos de agonia proliferaram na fumaça dos canos das armas
A dor e a tristeza seria dividida para todos,dominadores e dominados, derramariam lágrimas, para alegria dos corvos escarnecedores
As cruzes de imbuia, seriam encravadas nos corações dos inimigos peludos
Dali em diante, ouviu-se o clamor, que morram os demônios que fazem o povo sofrer.

Foi na localidade de Banhado Grande do Iraní, em 22 de Outubro de 1912, que se deu o combate entre o grupo do Monge José Maria e o Regimento da polícia do Paraná, chefiada pelo Capitão João Gualberto, onde ele e o monge morreram. Este combate foi motivado por coronéis da região, que não queriam posseiros nas terras que eram na época administrada por paranaenses. É considerado por muitos, o início da Guerra do Contestado 1912-1916), onde classes oprimidas, lutaram pelos seus direitos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Perçoelos de Uma Polaquinha

Peçuelos De Uma Polaquinha

A lindaça era uma prenda polaca da Papanduva,
Pele clara, igual a dia de sol do mês de janeiro,
Menina moça, um cacho de uma deliciosa uva.
Encilhou meu coração, para o galope do amor verdadeiro.

Todo sábado torneeio a serra espigada,
Com meu petiço ligeiro, armado de mala e cuia,
Corto o trecho para chegar à querência daquela xirua.
Conheço bem os atalhos daquela tortuosa estrada.

Seu sobrenome é um entrevero de letras consoantes,
Escrevo sua graça, no cabeçalho do bilhete apaixonado,
Lembrando sempre de seus olhos azuis, com chispas de brilho raro de diamantes.
Quando abre seu sorriso para mim, sinto no peito um tumulto semelhante a um estouro de gado.

É a filha mais nova do seo Estamislau,
Um Presente para este peão, que caiu do céu,
Pois a conheci num baile de Natal.
Que adocica minha vida, com seus lábios de mel.

Para ficar embriagado, nem preciso de canha,
Basta ela me dizer que me ama, fico louco correndo por toda a campanha.

Já encomendei as alianças de nosso casamento,
Ao pai dela fiz sincero juramento,
De casarmos e sermos felizes a vida inteira,
Sendo eu,seu homem e ela minha companheira.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

São João Maria de Agostinho, OSanto das Águas

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte V

São João Maria de Agostinho, O Santo das águas.

Veio trazido o da velha Europa, da Itália católica.
Junto com uma freira, que no meio da viagem voltou para o céu.
Transformou-se o pecado em missão na promessa que ele fez a Deus.
A de minorar, os sofrimentos das almas que encontrasse no caminho
Embrenhou-se no sertão sulbrasileiro
Onde existia muita gente, excluída de tudo.
Eram seres humanos vivendo como animais selvagens
E que precisavam ter fé e saúde, para transformar esse duro nundo de Deus.
O monge arrebanhou toda esta gente desamparada
Fazia diversas previsões, curava os enfermos e batizava aqueles que tinham fé para mudar esta realidade.
Fazia tudo com plantas, lama e muita água santificada
O precioso líquido da vida era o seu principal remédio, para purificar os homens de todo mal
Assim cumpriu seu propósito, deixou marcado seu nome na história
Ficaram diversas fontes de suas milagrosas águas, conhecidas como pocinhos de São João Maria.

João Maria de Agostinho ou Giovanni Maria di Agustine, era italiano de nascimento e foi o primeiro dos três monges, que deram consciência coletiva ao campesinato sulino, que massacrado pelos poderosos dominantes. Daí resultou em diversas revoltas populares, entre elas a Guerra do Contestado, movidos pela fé, de que se poderia viver numa sociedade igualitária e justa para todos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Holocausto em Canoinhas

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um Povo”. Parte IV.

Holocausto em Canoinhas

Foi a carnificina, da Vila de Canoinhas, o campo de extermínio dos desgraçados prisioneiros.
A sentença dada, morte em massa, aos que ousaram enfrentar os donos da “República de Bananas".
No fuzilamento dos massacrados, soou o hino da dependência irracional.
Tiros sem misericórdia foram desferidos pelos “jagunços” oficiais.
Mil cruzes peladas, sem os Cristos, pois eles foram incinerados em valas.
O vale da morte foi o destino final dos pobres diabos da nação selvagem
O povo do sertão virou cinzas, junto com aterra que tanto defenderam, para serem pisoteados, pelos chacais das oligarquias.
Nas pedras do lugar, foram incrustadas as lápides da gente errante.
vermelho do sangue dos mártires caboclos, manchou a bandeira verde-amarela da ordem e progresso.


* Em Fevereiro de 1915, na vila de Canoinhas, cerca de mil prisioneiros capturados nos redutos campesinos, pelas forças militares, foram eliminadas, poobedecendo ordens superiores dada ao General Setembrino de Carvalho, que mandou fuzilar e depois queimar os corpos e jogar as cinzas em valas.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Massacre no Taquaruçu

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um Povo”. Parte II

Massacre no Taquaruçú

Era santa a cidade de Taquaruçú, para os excluídos da região.
Na igreja, a missa fúnebre do lugar e das almas que ali habitavam.
O ofertório daquele momento seria a vida dos inocentes
Pairava no ar um silêncio gritante, que existem somente nos sepulcros.
o sol ficou escondido, para não ser testemunha do genocídio bestial.
a sentença fora dada, pelos algozes de plantão, condenação à morte, ao povo que lutava por dignidade
até as copas de araucárias se tornaram lanças, para defenderem-se do corvo metálico, que sobrevoava o lugar.
o reduto foi rodeado de matilhas, de cães raivosos com parafernália mortal, para trucidar aos borbotões
a ceifa da morte apareceu na hora, que a corneta soou a ordem, dada pelo carniceiro de farda
o cheiro de enxofre tomou o lugar, o fim do mundo dos pelados.
tiros de canhão, balas de fuzil, rajadas de metralhadora e explosões de granadas, o inferno na manutenção da ordem da selvageria.
tombou muitos homens, mas principalmente mulheres e crianças, na fratricida operação.
as balas entrelaçavam-se, como filetes de taquara formando a peneira horrenda
o solo disputado encharcou-se, com o sangue dos miseráveis
tudo fumegava, restando só cinzas, dos casebres e da igreja, que ao invés da luz prometida, trouxe a negritude da morte, para os filhos de Deus.
agonizando a dor, o céu chorou, e suas lágrimas escorreram das nuvens, para lavar a podridão escarrada da prepotência humana

A cidade santa do Taquaruçú (hoje município de Fraiburgo.SC), em 8 de Fevereiro de 1914. Foi totalmente destruída por forças militares, do exército brasileiro, sendo usado pela primeira vez , a aviação em operação militar, no território nacional.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Poesia da Terra.


estava a mata desnuda e pura,
semelhante a uma virgem que nunca foi deflorada por ninguém.

O silêncio do crepúsculo é quebrado,
por algum pássaro, que executa a melodia do seu coração.

Vagarosamente o vento passeia pela planície,
Como um apaixonado, tateia o corpo de sua amada.

Do alto do morro, uma araucária centenária,
Observa tudo ao seu redor, em sua sentinela de todo dia.

Companheiras pedrasferro, de tantas jornadas,
Guardam os segredos deste lugar.

A água da cachoeira, que cai branca, como um véu de noiva,
Segue a correnteza, para unir-se ao rio da vida.

É fim de tarde, o sol pinta o céu de rubro,
Como estivesse dizendo, até amanhã.

A tropa de cavalos selvagens,
Corre livre pelo campo afora.

Alvissareiros quero-quero cruzam em revoada,
Festejando o dia primaveril do novo mundo.

Longe se escuta. O gado chacoalhando o sincerro,
Igual a um sino batendo, em agradecimento à Deus, por este chão abençoado.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Santa Cecília da Serra

É o coração da terra catarinense, encravado na Estaca Zero.

Teve o primeiro tapete asfáltico (Rodovia BR116(, estendido em nosso estado, cortando seu caminho

Sopra o vento minuano, para espantar a preguiça longe daqui.

Em suas veias corre as águas, que São João Maria abençoou.

Milhões de soldados estão em posição de sentido, assim são suas matas de pinus.

Nas plantações de milho, bonecas saem para os colonos cuidarem

A dureza da pedra-ferro está nas mãos de seus trabalhadores bravios

As festanças e bailes embalam crianças de todas as idades

Da Estação do Ubatã, parte um trem, soando seu apito, como se estivesse dizendo:
- Deus, muito obrigado por este chão.

domingo, 11 de março de 2012


A Carroça

Está encostada, no fundo da alma campeira

Aquela que foi um dia a melhor companheira

Servia de condução a família inteira

Se nascia uma criança, ela trazia parteira

A égua bragada puxava-a, pois era muito ligeira

Pulava igual à menina nova, quando está faceira

Não se entregava, nem diante da maior aguaceira

lôdo, pedra, pau, ia cortando qualquer barreira

Em dias de verão, fazia dupla com o sabiá-laranjeira

Quando passava, na sombra de uma goiabeira

Trazia da bodega do Tio Amândio, as compras da semana inteira

Vinha até sal grosso, para o gado e remédio para curar bicheira

ouvindo seu rangido, saía correndo,para abrir a porteira

Ela passava a noite, no galpão ao lado da mangueira

Tudo isto faz parte da saudade matadeira,
Lembrar da velha carroça de madeira

sexta-feira, 2 de março de 2012



Lá Vem Pinhão

o pinhão é o fruto do inverno serrano
Lá vem pinhão

O pinhão Cai quando o vento minuano, chacoalha as copas dos pinheiros
Lá vem pinhão

O pinhão nasce nas redondas pinhas que saem nos galhos das araucárias
Lá vem pinhão

O pinhão é a semente plantada pelas gralhas, que são as agricultoras da natureza
Lá vem pinhão

O pinhão arde, no fogo das grimpas, de uma sapecada
Lá vem pinhão

O pinhão fica esmagado, quando é socado num pilão, para uma paçoca
Lá vem pinhão

O pinhão fica assado, na chapa quente de um fogão de lenha
Lá vem pinhão

O pinhão é cozido em uma panela, que fica na trempe, no fogo de chão batido
Lá vem pinhão

O pinhão faz parte de toda festa junina da região
Lá vem pinhão

O pinhão com a carne se entrevera, para alimentar o povo sulino
Lá vem pinhão

O pinhão é arte, cultura e tradição
Lá vem pinhão

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Terra Adorada

Generoso pedaço de mundo, a Santa e bela Serra Catarina
Uma música perfeita, feita pela mão divina

A corrente enfeitiçada, que prende muitos corações à ela
É o jeito meigo desta noviça donzela

A fonte de água cristalina, que embriaga este poeta
Com suas exuberantes paisagens, uma formosura completa

A fantástica cultura nos concede prazer a vida inteira
Tem o verde de seus campos, no mate quente, é à Cor da esperança que traz na sua bandeira

Seus filhos já pegaram em armas, prosseguem lutando, para que continuem domos deste solo sagrado
Somos orgulhosos, por fazermos parte deste valoroso estado

O pardal, no outono, a gralha azul, no inverno, a andorinha na primavera e a sabiá no verão
São os artistas que aqui se exibem, em cada estação

Oferece rede repleta de oportunidades, para aquele que derrama seu suor de trabalho honesto
Por aqui respeitar a vida é um belo gesto

na forma és pequena, mas na luta se agiganta
Santa Cecília, terra adorada, a terra santa

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sinchando o Peito

A lembrança me traz, à música do Teixeirinha, pois meu coração está de luto
sopra o vento minuano, cortando os caninhos de meu mundo
é o profundo poço do escuro absoluto
atando minhas mãos, me deixando um borra botas, um vagabundo

grito como um pirupá, mas ninguém me escuta
o mate é salgado, deixa minha boca sedenta de carinhos
a vida me deu um tombo, na lida bruta
rasgando meu coração nesse monte de espinhos

a solidão me afronta, dando gargalhadas de meu fracasso
o pasto é pequeno para matar minha fome
que o brilho do sol importa, se os olhos estão fechados
sem sentir o sabor e nem saber o que se come

a cidade fica distante de mim, mesmo estando dentro dela
o silêncio é meu confidente de todas as horas, conhece o meu coração e minha alma
o baixeiro encobre todos os meus sonhos, tornando minha vontade de viver, banguela
busco desesperadamente, uma palavra certa e paciência que me acalma

não quero acordar neste pesadelo agourento
de passar as horas, desfiando o tento
carregando dor, agonia e sofrimento
escutar o canto fúnebre da sundaria anunciando aos quatro ventos

– Pirupá, foi um homem que viveu em Santa Cecília, tempos atrás, era alcólatra,diziam que tinha feito parte do Exército Brasileiro,na segunda guerra mundial ,ficando demente por causa disso. Ele dava gritos tremendos por onde passava.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Neste Sete De Setembro

Este fato que vou lhes contar, aconteceu há muitos anos por aqui, mas ainda está fresco na memória de quem presenciou acena, Porém as pessoas não sabem o que realmente ocorreu, naquele dia que agora vou esclarecer, Pois o sujeito virou defunto(que Deus o tenha), podemos contar a tragédia matinal, uma gafe dos diabos para quem se achava acima das outras pessoas. Bom se chamava João Batista Gonçalves de Souza, nome extenso como o de um rei, assim tinha gestos majestosos, um ar de realeza cabocla. João Batista era um cinqüentão vaidoso, casado, mas que adorava um rabo-de-saia, muito falastrão com quem lhe interessava; funcionário do governo, que lhe proporcionava uma renda razoável e amizade com o prefeito da cidade, sendo ele o mestre de cerimônias oficial, que o deixava muito mais convencido de sua importância no lugar.
Foi na comemoração do dia da pátria, que era o momento máximo da notoriedade na cabeça daquele homem. Armado o palanque oficial da festividade, eram colocadas as cores da bandeira nacional em volta deste, sendo que ali ficariam todas as autoridades do lugar que acompanhariam o desfile de escolas, clubes de serviço, CTG’s e maquinário da prefeitura; tudo uma belezoca para glorificar a nação amada.
Como era de tradição, o discurso que João faria noutro dia, era escrito, numa folha, pois ele não admitia esquecer uma palavra sequer, para ele seria um erro imperdoável. Terminado seu trabalho de escrita, foi até seu guarda-roupa e colocou o papel dentro do bolso do casaco que iria por.
Na manhã do dia sete, acordou bem cedo, para tomar um banho e barbear-se,como fazia todo ano, Quando terminou vestiu sua roupa, que estava impecável, toda engomada pela esposa ela sabia de como seu marido valorizava aquele dia. Ele constatou que, a gravata que comprara para à ocasião , não combinava com a cor do casaco que tinha escolhido, então resolveu vestir outro, fazendo a sua mulher escovar rapidamente, pois estava com pressa de chegar ao local. Tomou uma meia xícara de café e um pedaço de pão, fazendo isto em pé, nesse momento já estava angustiado e sem se despedir da esposa, foi à rua, o palanque ficava próximo de onde morava.
Chegando lá, cumprimentou pessoas que achava que mereciam sua atenção, como juiz de direito, delegado de polícia, o padre e seu amigo o prefeito. Já estava todo o povo da cidade, quando se iniciou a cerimônia. João Batista, pegou o microfone, chamando todas as autoridades para subirem no palanque oficial, quando isto terminou, foi tocado o hino nacional e todos ficaram perfilados para a bandeira brasileira, cantaram em coro a música cívica. Logo após veio a hora do discurso do infeliz, que encheu o peito para falar, procurando no bolso do paletó, a folha que tinha escrito suas palavras demagógicas, mas para sua surpresa, não estava lá, daí lembrou-se que tinha feito a troca daquela peça de roupa e balbuciando dizia:
- Neste sete de setembro..
Repetiu diversas vezes esta frase, enquanto procurava desesperadamente em todos os bolsos, por algo que não trouxera. Começou a suar muito, apesar de ser uma manhã fria de inverno, viu a bancarrota de sua imagem de cidadão de alta classe ir para o ralo, seria humilhado pelo populacho. Como era um sujeito matreiro, pensou rapidamente, como sair ileso daquilo que ele se defrontava agora, então decidiu,iria simular um ataque cardíaco. Assim o fez, caindo ao chão nos pés dos que estavam ao seu lado, causando uma imensa comoção no povo , como na época os recursos de saúde eram precários foi fácil para ele ludibriar.

• Por coincidência ele morreu de infarto fulminante do coração e ainda as más línguas diziam que isto aconteceu na alcova da amante.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mo Salão Do Pegacria

Deixo atado o meu pingo companheiro
Adentrando na sala, cumprimentando o porteiro

Dou de mão na aba do meu chapéu
Mostrando minha educação, mesmo lá sendo um bordel

No fundo fala uma velhota, o guasca é de fora
Deve ser pelo meu traje de gaúcho e o rangido de minha espora

Não me faço de rogado
Com uma morena danço um xote afigurado

Se alguma china, me fizer uma desfeita de dar um carão
Pergunto prá ela porque foi no bailão

No balcão faço um risco de faca
Pois a cerveja está quente, igual a mijo de vaca

Como um bezerro desmamado, a cordeona berra
Fazendo a alegria da indiada, aqui na serra

Quando comer algo, me der vontade
Compro uma galinha assada e divido com meu compadre

Depois de fandanguear a noite inteira
Levo no lombo do meu cavalo, uma prenda faceira

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Olhar da Gringa




mora nas bandas de Caçador, essa potranca

seu Nome é Andiara

boa de rédea, boa de anca

trás os longos cabelos louros, numa linda tiara



tem o sabor do vento arisco

sua boca estampa um sorriso faceiro

seu corpo é rápido como um corisco

aroma de jasmim, na sua água de cheiro



na sua fronte, Deus colocou, pedaços do céu

nos seus olhos azuis-anil, combinando com a pele macia de rosa branca

para esta guria tiro meu chapéu

anjo mulher, carinho de santa



seu olhar quando me toca,é igual à esporas judiando do meu coração

um mango sovando opeito, uma sincha apertando pescoço

galopa meu sentimento de paixão

nessa hora vôo como um quero-quero fazendo alvoroço



perdoe as palavras de um peão ignorante

mas que vai falar de modo gentil

na língua do pago distante

“bella ragazza, amoré mio”

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fim de Baile

Lá pelos idos de sessenta e poucos, na rua principal da cidade, no salão Guarani, que era o lugar dos acontecimentos festivos, do lugar. O salão era construído todo de madeira que era farta em toda a região e que predominava nas construções, que ali eram feitas.
A noite daquele sábado, era igual à muitas, pois o povoado fica na serra catarinense, com muita garoa e o vento nordeste, que corta os ares do povoado.Mesmo sendo mês de novembro, o frio ainda era intenso. Mas naquele dia ou melhor naquela noite, o frio parecia ser de menor importância, pois se realizaria, um grande baile, comemorativo, do vencedor da eleição municipal e o costume era reunir todo o povo, com muito churrasco e bastante bebida, distribuída gratuitamente .
Assim começou o festejo, no início da noite, com foguetório e carreata do futuro prefeito e seus partidários, exibindo muita alegria, com o feito realizado.
Com muita carne, bastante Serramaltes e várias Crushes, durante todo o “puxirum”, para o povo ali presente. Como uma festa que se preze, nas 22 horas, o gaiteiro abriu a cordeona, abrilhantando o lugar . Os sorrisos eram fartos, as risadas constantes, o murmúrio era grande entre as pessoas que ali estavam e que se esqueciam da vida difícil que levavam.
Noutro canto da cidade, alguém destilava seu veneno, pois era mortal sua raiva, daqueles que outrora se ajoelhavam diante dele, considerava-se a pessoa mais importante daquelas bandas, o mais influente coronel, que tinha contatos com políticos influentes da capital. Mas, na última eleição fora fragorosamente derrotado nas urnas, o povo, que achava que ele era seu, virou as costas para ele, foi enxotado igual à um cão sarnento. Matutava silenciosamente como iria se vingar daquilo que sofrera. Tanto pensou que veio uma idéia diabólica, para por fim naquilo tudo, acabar com aquela comemoração daqueles ingratos. Decidiu por sua idéia nefasta em prática, chamou seus comparsas e deu a ordem:
- Coloquem fogo no salão de baile, quero que tudo vire cinza, que a festa seja enterrada prá sempre.
Os pistoleiros do coronelfazendeiro,fizeram tudo como ele ordenou, atearam fogo, com muita gasolina e ficaram olhando de longe a desgraça ,que ali .aconteceria em poucos minutos.
Logo se ouviu os gritos:
- Fogo, fogo, corram todos, o salão está pegando fogo.
Foi uma correria dos diabos, pois o fogo vinha de todos os lados, as pessoas nem qual o lado que deviam ir, para escapar das chamas, parecia o inferno tomando conta do salão, tragando tudo o que estava na frente dele.
Em pouco mais de duas horas, o salão Guarani virou cinzas, só pedaços dos cepos de sustentação ficaram. Assim o ódio destruiu a festa,tendo sido criado na mente de uma pessoa, que somente foi contrariada em suas vontades, não aceitando a decisão do povo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Milonga para um Taura


Domador, que chega o tento, nos corações aporreados

Tosquiador, que finca anavalha, na barba enrodilhada e branca

Peleador, que nunca afrouxa , diante de qualquer guasca

Tropeador, que cabresteeia , as lembranças , no trote da vida

O curador, das mágoas, que deixaram feridas na sua alma DE PEÃO

O sonhador que aparta as suas lembranças de outrora

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



Campeirismo de Um Coração

Sou Taura guapo, um biriva que agüenta o repuxo
Dono de coração aporreado, que têm o vivente Gaúcho

Recebo um amigo, em um abraço bem sinchado
com uma cuia de mate bem cevado

Corto o vento minuano, na lida crinuda
Com a égua bragada, campeando a gadaria, me dando preciosa ajuda

Carneio as malevas da alma e toso a idéia cascurrenta
Lavando o rosto, com muita água benta

Levo prá minha piazada, uns caramelos na guiaca
Na bodega do Tio João, compro um galo índio e um casal de baitaca

Asso a costela gorda, na invernada do Campo Alto
Na Estância da Tradição, que fica na beira do asfalto

Após um longo dia de marcação
Deito meu corpo nos pelegos, que estendo no chão

Me entreto com uma carreirada boenacha
Estampando lenço, camisa, chapéu, botas e uma longa bombacha

Ginete mais rápido que esta terra já viu
Dançando com a prenda amada, vanera,
Rancheira, xote, valsa e bugiu

Da gibeira tiro meu relógio sete dias
Prá ver se está na hora de rezar umas ave Marias

Quando me ronda a dor e o sufoco
Espanto tocando uma marca na gaita de oito soco

Tiro o meu sustento, do laço de doze braças
Agradeço a Deus, por ter me concedido tantas graças