Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Tributo à Chica Pelêga

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte III

Tributo à Chica Pelega

Nascestes com a benção divina, num raio de sol,foi a filha mais preciosa desta terra
Recebeste o nome de Francisca Roberta
Dominastes desde pequena, o seu dom de cura e de dar carinho a todo ser vivente.
Sentistes o fel do mundo , quando trucidaram sua família, sobrando só sua mãe
Entendestes sua missão, quando visitastes o Monge José Maria, em Taquaruçú, que era lutar junto com os excluídos, igual a ti.
Fostes a guerreira mais valorosa deste sertão catarinense
Empunhastes a bandeira e fizestes parte do exército encantado de São Sebastião
Soltastes nas batalhas, um forte grito de indignação e de revolta contra a exploração humana.
Eras na Irmandade cabocla, a que cuidava dos doentes do reduto, e trazia ânimo aos corações do povo bravio, para continuarem lutando, apesar da fome e das doenças
Cavalgastes por estas plagas, onde esvoaçava seus Cabelos e também uma mantilha felpuda, senelhante a um pelego, daí veio seu nome de guerra, Chica Pelega
Consagrastes teu nome na história, ensinando a lição de ser grande , mesmo quando impõe masmorras ,algemas ,e açoites, pois é grande quem se levanta contra tudo isso.

sábado, 27 de outubro de 2012

A Morte e a Vida, no Combate do Iraní.


Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo” Parte VI.

A Morte e a Vida, no Combate do Iraní.

Foi no dia vinte e dois de Outubro, que a vida morta dos caboclos cedeu lugar para uma morte que lutaria por uma vida digna.
Era o clamor surgindo, das vozes dos excluídos, contestando à situação de penúria que eram submetidos
Tombou o medo, no coração da gente mestiça, ressuscitou através da fé, uma força para enfrentar os chacais do poder.
Foram quarenta cavaleiros, capitaneados por José Maria do Taquaruçú, que ergueram a bandeira, que tremularia nos campos santos da Irmandade de São Sebastião.
No Banhado Grande, os enxotados do sertão, enfrentaram a polícia,
Na primavera nefasta, desabrochou a flor da liberdade cabocla,na terra que bebeu muito sangue escarlate,coberto com espuma de ódio
A semente da guerra espalhou-se por todos os lugares da região inóspita dos pinheirais
Rugiram as balas dos dois lados, gritos de agonia proliferaram na fumaça dos canos das armas
A dor e a tristeza seria dividida para todos,dominadores e dominados, derramariam lágrimas, para alegria dos corvos escarnecedores
As cruzes de imbuia, seriam encravadas nos corações dos inimigos peludos
Dali em diante, ouviu-se o clamor, que morram os demônios que fazem o povo sofrer.

Foi na localidade de Banhado Grande do Iraní, em 22 de Outubro de 1912, que se deu o combate entre o grupo do Monge José Maria e o Regimento da polícia do Paraná, chefiada pelo Capitão João Gualberto, onde ele e o monge morreram. Este combate foi motivado por coronéis da região, que não queriam posseiros nas terras que eram na época administrada por paranaenses. É considerado por muitos, o início da Guerra do Contestado 1912-1916), onde classes oprimidas, lutaram pelos seus direitos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Perçoelos de Uma Polaquinha

Peçuelos De Uma Polaquinha

A lindaça era uma prenda polaca da Papanduva,
Pele clara, igual a dia de sol do mês de janeiro,
Menina moça, um cacho de uma deliciosa uva.
Encilhou meu coração, para o galope do amor verdadeiro.

Todo sábado torneeio a serra espigada,
Com meu petiço ligeiro, armado de mala e cuia,
Corto o trecho para chegar à querência daquela xirua.
Conheço bem os atalhos daquela tortuosa estrada.

Seu sobrenome é um entrevero de letras consoantes,
Escrevo sua graça, no cabeçalho do bilhete apaixonado,
Lembrando sempre de seus olhos azuis, com chispas de brilho raro de diamantes.
Quando abre seu sorriso para mim, sinto no peito um tumulto semelhante a um estouro de gado.

É a filha mais nova do seo Estamislau,
Um Presente para este peão, que caiu do céu,
Pois a conheci num baile de Natal.
Que adocica minha vida, com seus lábios de mel.

Para ficar embriagado, nem preciso de canha,
Basta ela me dizer que me ama, fico louco correndo por toda a campanha.

Já encomendei as alianças de nosso casamento,
Ao pai dela fiz sincero juramento,
De casarmos e sermos felizes a vida inteira,
Sendo eu,seu homem e ela minha companheira.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

São João Maria de Agostinho, OSanto das Águas

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte V

São João Maria de Agostinho, O Santo das águas.

Veio trazido o da velha Europa, da Itália católica.
Junto com uma freira, que no meio da viagem voltou para o céu.
Transformou-se o pecado em missão na promessa que ele fez a Deus.
A de minorar, os sofrimentos das almas que encontrasse no caminho
Embrenhou-se no sertão sulbrasileiro
Onde existia muita gente, excluída de tudo.
Eram seres humanos vivendo como animais selvagens
E que precisavam ter fé e saúde, para transformar esse duro nundo de Deus.
O monge arrebanhou toda esta gente desamparada
Fazia diversas previsões, curava os enfermos e batizava aqueles que tinham fé para mudar esta realidade.
Fazia tudo com plantas, lama e muita água santificada
O precioso líquido da vida era o seu principal remédio, para purificar os homens de todo mal
Assim cumpriu seu propósito, deixou marcado seu nome na história
Ficaram diversas fontes de suas milagrosas águas, conhecidas como pocinhos de São João Maria.

João Maria de Agostinho ou Giovanni Maria di Agustine, era italiano de nascimento e foi o primeiro dos três monges, que deram consciência coletiva ao campesinato sulino, que massacrado pelos poderosos dominantes. Daí resultou em diversas revoltas populares, entre elas a Guerra do Contestado, movidos pela fé, de que se poderia viver numa sociedade igualitária e justa para todos.