Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

sábado, 29 de junho de 2013

Poesia "A Nulher Jagunça"

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. .




A Mulher Jagunça



Não precisou de vestidos dourados para mostrar sua grandeza.

Tinha o pulo mortal de uma jaguatirica, quando se atirava da copa de uma araucária.

Ofertou sua vida, para deixar por herança à igualdade neste solo.

Tramçou seus cabelos nas cavalgadas das batalhas ferozes.

Foi a voz do ódio contra a iniquidade humana.

A brasileira que escreveu sua própria história.

Bordou a cruz da esperança na bandeira de São Sebastião.

Enfrentou a selvageria dos poderosos, sem nunca perder a ternura.

Forte como um raio que cortou o céu do sertão sulino.

na lápide desta guerreira está encravada a inscrição:

”Para ter um lugar neste mundo, lute por ele”



“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Poesia "Anjo Menina"

Série “Guerra do Contestado - Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXX.




Anjomenina



nas vermelhas águas do Rio Santa Maria, No vale da morte,

assassinaram a virgem.

Rolou a gota de sangue para a correnteza eterna

Da menina Maria Rosa que era pura, feito um diamante raro.

A flor que foi esmagada pelos espinhos ferruginosos dos caudilhos.

Sua voz divina emudeceu com um tiro de fuzil

Foi o Malévolo estanho, que atravessou a carne, chegando até o coração libertário,

Era o par de olhos dos caboclos, que ficaram cegos e eles conheceram as trevas.

Seu brilho de luz estelar foi apagado pela nação troglodita.

Rangeram as grimpas das araucárias, como se fossem os dentes da floresta ultrajada,

A Sundara, o pássaro da agonia, voa sobre as cabeças dos carcarás, dando gritos lancinantes.

Assoprou o vento vindo de Taquaruçú, para o “guardamento” da alma bendita.

Onde a hedionda atrocidade aconteceu, o jasmin cheiroso tomou conta do lugar.

Ela deixou de ser guerreira para ser anjo de Deus.

O monstro do pesadelo estraçalhou o sonho da terra prometida, pregado pelo ser angelical.



“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Poesia "Chegaram os Peludos"

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXIX.




Chegaram os Peludos



No sertão abandonado

Onde habitava a morte,

Chegaram os soldados peludos,

Eram víboras verde oliva rastejando entre folhas e arbustos, procurando suas vítimas

A maldade com sua força destrutiva, mandou seus demônios invasores

Que ainda possuíam sangue nos seus dentes de outros massacres,

Vieram do sul e do norte as tropas da legião carniceira

Sob a batuta espinhenta dos generais estrelados, dotados da crueldade oficial.

Os adoradores do Diabo, que executariam o ritual de sacrifício dos miseráveis.

tinham olhos com o brilho negro da destruição,

Idênticos às hienas, riram da luta cabocla, num escárnio bestial.

Espalharam o fermento raivoso, por toda a região,

Foram dias e noite da Inquisição selvagem,

Atearam fogo na bandeira de São Sebastião.

Defecaram suas bombas e balas, na esperança sertaneja,

Emudeceram as vozes silenciosas da dor e da vergonha, nos sobrevivente da mortandade.

Esquecem da história, para a história ser esquecida,

Mas as pedras que foram testemunhas teimam e continuam a contar os fatos.



“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Poesia, "Canto de Morte".Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo” Parte XXVIII. O Canto de Morte Há um século essa história passa de boca em boca da gente contestada, No pandemônio da destruição de Taquaruçú, Na hora do bombardeio mortal, Quando os casebres de taquara do vilarejo, ardiam em chamas, E que os corpos já se empilhavam no chão, Misturado com o barulho das explosões e tiros, se ouviu uma melodia infantil, Era uma canção de ninar, estava à mãe com sua filha nos braços, A jovem já estava morta, com o corpo todo estraçalhado, Era Chica Pelêga, que havia tombado, As lágrimas da mãe rolavam até a boca da moça, que escorria sangue Francisca Roberta, que era seu nome de batismo, Havia nascido de uma promessa à São João Maria, Veio a menina que foi a vida em pessoa. Tinha uma missão a cumprir, O de liberar seu povo massacrado contra seus opressores. Sua voz de trovão e seu espírito guerreiro foram suas armas. Naquele fatídico dia, havia concluído seu caminho. sua mãe agora estava fazendo ela adormecer pela última vez, a embalava e cantava sua cantiga preferida quando criança Como estivesse dizendo - Até breve, minha filha amada. Assassinaram a mulher, mas ficou o exemplo desta grande heroína catarinense. “O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”