Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Contos de Sucesso - "Lenda da Fertilidade da Terra"

Lenda da Fertilidade da Terra

Quando só os bugres aqui habitavam, existiu um feiticeiro da tribo kaingangue que estava muito preocupado com sua gente, tinha feito todos os feitiços que sabia, varias pajelanças, tendo invocado os espíritos da floresta. Mas nada resolvia o problema, muitos duvidavam até dos poderes mágicos do feiticeiro. Naquela aldeia o povo vivia em conflito por qualquer coisa, a discórdia reinava, as doenças matavam à rodo, os alimentos cada vez mais escassos e os curumins chorando de fome o dia todo.
O curandeiro desesperado saiu pela mata, caminhou três sóis e três luas, caindo exausto e adormeceu profundamente, teve um sonho. Surgiu uma voz forte igual ao som de um trovão que lhe disse:
- Filho da terra que busca a cura do seu povo a todo custo. O problema é aquela erva que sua gente põe na ponta de um canudo de taquara e acende engolindo a fumaça: aquela erva é maldita, foi mandada por demônios destruidores. , devem juntar tudo e jogar a maldição na água corrente de um rio, que tragará a erva do mal. Quando isso for feito deve-se esperar dez sóis e dez luas, quando os guerreiros da tribo devem procurar um lugar onde se encontra muito ouro em pedra, este deve ser moído e espalhado pelo chão para enriquecer a terra árida, após mais dez sóis e dez luas voltem lá, onde encontrarão uma grande serpente, mesmo sendo enorme ela é inofensiva,piquem ela em muitos pedaços e aonde espalharam o ouro que agora sumiu, semeiem a serpente, mas deixem a parte da cauda da cobra para que se torne enorme novamente. Com mais dez sóis e dez luas, ateiem fogo no local, queimando toda a vegetação que nasceu ali, dentro de poucos meses germinarão muitos pés de milho e também feijão, que deverá ser colhida por toda aldeia, será o puxirum; nascerão novas árvores frutíferas uma de nome caá que feito infusão deixa todos animados e também o curi, que com sua semente, o pinhão alimentará durante o rigor do inverno, os rios ficarão piscosos e a caça será farta.
Passado o sonho, o curandeiro acordou indo rapidamente para sua aldeia, ao chegar reuniu sua tribo e passou as ordens do espírito superior. Sendo feito tudo de acordo, cumpriu-se o prometido com a natureza e durante séculos se manteve o equilíbrio na araucânia brasileira. ,

sábado, 29 de novembro de 2014

Texto - "Conheceu o Alfredinho da Gaita?"

Conheceu o Alfredinho da Gaita?

Ele nasceu no tempo do “redute”, foi encontrado em meio de mais um massacre de sertanejos, mamando nos seio de sua mãe que, havia sido morta' há três dias ou mais. Como o homem que o achou tinha bom coração. Decidiu adotá-lo, pois para este uma criança não merecia ser tratado dessa forma e Alfredo tinha poucos meses de vida.
Cresceu ele com a família adotiva, tornando-se um homem de baixa estatura, apesar de conservar sempre glutão, deve ser resquício da situação precária que teve na infância. Alfredo era um caboclo de paz, dizia que a violência é o cúmulo da ignorância dos que se consideram inteligentes. Tornou-se um exímio domador, para ele amansar cavalos xucros, era como sorver uma xícara de café bem quente, tem de ir tomando bem devagarzinho pequenos goles, até tornar-se do tipo que o vivente gosta. Recebia convites de fazendeiros de uma região que ia de Vacaria aos Campos de Palmas, para lidar com os animais aporriados.
Além disso, gostava de uma trova, fazia versos de idéia como ninguém e quando algum gaiato lhe desafiava, aceitava de pronto e com galhardia ganhava os pilas do adversário.
Conheceu o laço do amor, jogado pela prendinha Alvina, que seria a mulher de sua vida, isso se deu numa festa de São Sebastião. Foi amor a primeira vista e decidiram se casar. O enlace matrimonial se deu num sábado de manhã fria no Caragoatá, a festança foi grande, cobriram o vilarejo com a explosão de fogos. Estava reunido todo o parentesco e a vizinhança. O banquete se deu no galpão da fazenda do pai da noiva,com muito churrasco de porco, ovelha e boi, misturado com bastante pão caseiro e para beber, vinho para os adultos e gasosa para a criançada. Quando a comilança acabou, puxaram as mesas para o lado, algumas foram desmanchadas e o fandango se deu por lá. Para iniciar a dança, somente os noivos bailaram a valsa nupcial, depois disso a poeira comeu solta no chão batido, indo o entrevero até o sol raiar o dia de bomingo.
Alfredo e Alvina tiveram dois filhos: Olga e Antonio (nome dado em homenagem ao pai adotivo de Alfredo). Eles viveram esta união mais de cinqüenta anos, um sempre respeitando o outro. Um dia a morte os separou, ela partiu para a eternidade e deixou ele solito na vida, apesar disso ele sempre se manteve fiel a ela.
Rolou por todo o mundão, sendo agregado de muitas fazendas, onde fazia todo o serviço campeiro
Atendendo o chamado do patrão celestial, que precisava dele para amansar seus cavalos alados, Alfredo rumou para a querência divina. Agora deve estar fazendo dupla com sua irmã adotiva, a Maria Rosa. Ele com sua inseparável gaitita de boca e ela com uma cordeona, a frente dos dois sua esposa Alvina, bailando com seu vestido de cetim azul.

“Cultura é o fermento da inteligência”.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Contos de Sucesso: O Velório à Luz de Velas

O Velório à Luz de Velas

O fato que vou lhes contar aconteceu nas terras de São João Maria, quando luz elétrica era coisa do outro mundo, olha que não faz tanto tempo assim. Nas bandas da serra acima tinha um caboclo chamado Orides Ribeiro de Souza, mas era apelidado de Teixeirinha, por sua aparência similar ao cantor gauchesco, que fazia sucesso na época. O Teixeirinha cor-de-cuia sempre andava vestido de bota , bombacha, camisa branca, lenço e um chapéu de aba larga, tudo da melhor qualidade. Ainda era o gaiteiro do lugar, abrilhantando as festanças. Ele também possuía a maior fazenda da região, com enorme quantidade de gado; portanto o genro perfeito que todo o pai queria prá sua filha. Tendo ele sido assediado por muitas moças, entretanto nenhuma chamava a atenção dele. Muito tempo se passou, seus pais se foram para o além, como era filho único ficou solito na vida. Já passava dos quarenta e tinha enjoado de comer virado de couve com pele de porco torrada.
Certo dia encilhou seu cavalo zaino e foi tocar um baile na Campina dos Biridas. Era um puxirum de um amigo seu, na propriedade deste. Na hora da cordeona abrir, o galpão estava apinhado de gente, mas tudo correu em paz, apesar da beberagem ser muito grande. Nesse tumulto Teixeirinha encontrou-se com Isabel, filha de um gringo que chegara à poucos dias. A galega era para ele a mulher mais bonita que colocara os olhos e disse para o alto:
É com essa mulher que vou casar!
Após passados dois meses do ocorrido, o padre abençoava o casamento, na capela da fazenda de Teixeirinha. A partir daquele dia só sorriso no rosto dele. Assobiava aos quatros ventos e Dizia aos amigo que ele encontrou sua Mary Terezinha( mulher do famoso cantor), a dele ainda era mais jovem e mais bela do que a outra.
Após seis meses vivendo a dois, uma tragédia acabou com a alegria do fazendeiro. Foi quando foi trotear o gado para um piquete, atividade que sempre fazia; sempre acompanhado de seu peão e montado em seu cavalo, que já havia habituado com isso. Quando cruzavam um pedaço de mato de repente o animal levou um susto de algo que passou em sua frente e empinou suas patas dianteiras , atirando Orides ao chão: um de seus pés ficou preso no estrivo de montar: o alazão em disparada arrasto-o por vários metros, vindo a este parar só quando o peão laçou-o. Já era tarde demais o fazendeiro estava morto.
O funcionário levou o corpo para a sede da propriedade. Bastou Isabel avistar o marido ensangüentado, para lançar um forte grito de dor, como um golpe de agaga tivesse atingido seu coração derramou suas lágrimas sobre o corpo inerte. Nem sabiam que ela estava na primeira semana de gestação do futuro herdeiro.
Veio da cidade de Caçador, o melhor caixão, vestiram-lhe a roupa que usara no casamento, um terno azul, camisa branca de linho e uma gravata preta. Começando o cortejo fúnebre já passava das oito horas da noite. Pediram então que todos os presentes segurassem uma vela acesa na mão, o cortejo fúnebre iria até o pavilhão da igreja, que ficava próximo a um pequeno morro distante uns quinhentos metros. Parecia uma procissão cortando o sertão. Chegando ao local, puseram o defunto no meio do salão e as várias mortalhas levadas por muitas pessoas. O sacerdote era o mesmo do matrimônio que fez a missa de corpo presente. Abençoando-o e exaltando suas qualidades de bom filho de Deus. Em seguida se atemdeu um pedido de Teixeirinha, de que no seu guarda mento fosse tocado violão e gaita e fosse cantada as músicas que ele mais gostava. Assim se fez, quando os instrumentos fora m tocados , ouviu-se o povo em coro cantar um sucesso do Teixeirinha rio-grandense, “A Morte Não Marca Hora”.

... Aqueles que puderem venham em meu velório
Amigos e parentes meu fãs venham também
O último adeus eu quero de voceis
Será o maior presente que eu levo pro além...”
“Cultura é o fermento da inteligência”

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Poesia "Do Ubatã, Uma Noite"

Do Ubatã, Uma Noite


O anoitecer Descerrou as cortinas de um céu cravejado de estrelas,

Ao longe, um cabritinho recémmm-mascido berra por sua mãe,

Dois morros parecem os voluptuosos seios de uma índia desnuda,

A rã namoradeira coaxa, chamando o príncipe de olhos verdes, que conquistou seu coração,

Até a lua cheia vem dar uma espiadela, fica encantada com o cenário,

Os cincerros do gado repicam, são os sinos da mata,

Butieiros fardados de verde oliva, parecem soldados do batalhão ferroviário, tirando guarda,

Ainda se ouve os risos dos fantasmas jogando cartas da histórica vila militar,

passa o trem das nove buzinando, logo chegará à estação,

salta o jundiá guloso, para apanhar o inseto voador e volta a mergulhar,

o gramado fica ornamentado com a luminosidade dos vaga-lumes,

na cabeceira da represa, a água esborrifa, fazendo uma espuma branca, semelhante a um espumante delicioso sendo aberto,

o deus Eolo manda uma brisa, para secar as lágrimas que teimam a rolar por meu rosto, dxxe saudade de tudo isto.

sábado, 5 de abril de 2014

"Os Borges" Poesia

Os Borges.

Por Almir Viscond



Veio da província de São Pedro, uma família para o rincão.

Atrás de um lugar para morar, um pedaço de chão.

O casal com cinco filhos de sangue e outro de criação.

Subiram a serra pela picada do grotão.

Abrindo eito na mataria, com foice e facão.

Trouxeram com eles uma junta de boi e uma penca de alazão.

Trabalhavam de cedo à noite com dedicação.

As tábuas desdobraram das araucárias, para erguerem sua casa e um galpão.

a morada ficou grande sendo os quartos no sótão.

Cercaram o terreno com aramado e puseram um grande portão.

Araram a terra para plantarem milho e feijão.

Criaram gado, carneiro, galinha e leitão.

Puseram uma roda d’água p e também uma mão de pilão.

Juntaram lenha para queimar no forno e no fogão.

Leite virou queijo, uva virou vinho e o trigo virou pão.

Saborearam a erva-mate nativa, num delicioso chimarrão.

Assaram churrasco bem a preceito como manda a tradição.

A piazada se divertia fazendo sapecada de pinhão.

Na bailanta do puxirum, o gaiteiro toca valsa, xote, rancheira e vanerão.

Quando chovia trançavam couro para fazer laço no fundo do porão.

De vez em quando a noite, contavam causos de visagem ao redor de um lampião.

Com suas espingardas caçavam, saracura, nambu, tateto, anta e até leão.

Houve um tempo que estourou uma revolução.

Foi a luta da fé contra o canhão.

Disse o pai aos filhos, cuidado no que falam, pois há muita perseguição.

Terminou a guerra, os humildes perderam e quem ganhou foram os coronéis da opressão.

No final de cada dia, todos reunidos fazem uma oração,

Agradecendo pela jornada e pedindo â Deus muita proteção.

Cresceram os os rapagões, casando-se e multiplicando-se , povoando a região

.Assim foi o começo do povo serrano, que agora é catarinense de alma e coração.

sábado, 15 de março de 2014

"O Trovador" Poesia

O Trovador


Por Almir Visconde


Aparício era o nome do trovador afamado,
Correndo a notícia por todo o pago.

Ginete bagual num verso de ideia,
O afilhado mais aporreado do compadre Téia.

Tinha orgulho de ter na boca dois dentes de ouro,
Vestia bota, lenço, canisa, bombacha, chapéu e uma guaiaca de couro.

Sua língua era afiada igual navalha de barbeiro,
Tinha voz mais forte do que grito de terneiro.

Nunca estudou em escola de doutor,
Mas entreverava as palavras como um sabido professor.

De início mandava um chasque, para sua gente mestiça,
Era um guapo da indiada fronteiriça.

De charla em charla deixava o povaréu a vontade,
Podia ser homem ou mulher de qualquer idade.

Num fandango do Clube Primeiro de Janeiro,
Fez homenagem a Hugo Coelho, o grande gaiteiro.

Já pelejou até com o capeta do inferno,
Dizendo a este que é filho de Deus e para riscar seu nome do caderno.

É um vivente de boa conduta,
Palavrão nunca sai de sua boca, qualquer que seja a disputa.

jamais aceita desafio de quera que não vale um vintém,
Ninharia é bobagem, têm de ser pelo menos por uma nota de cem.

Deixa muita prendinha de rosto vermelho de vergonha,
Quando diz que não veio ao mundo, no bico de uma cegonha.

Na mangueira ceciliense, a cancha da Estaca Zero, num rodeio de patrão
Declamou toda tarde, acompanhado de uma gaitita oito socos, só versos da tradição.

Foi milico valente na infantaria, nos tempos da ditadura,
Ficou acabrunhado, quando viu sua gente morrer, no sofrimento da tortura.

sábado, no surungo do Tio João, encontrou uma alemoa bacana
Que Deu um sorriso e disse que se chamava Joana.

Ele não se fez de rogado,
Convidou ela para dar uma volta de jipe ao seu lado.

Assim é a vida das palavras rimadas,
Termina a trova com muitas risadas.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

"Pirupá". Poesia

Pirupá

Por Almir Visconde

Nasceu Juvenal, morreu “pirupá”.

Caboclo da Fazenda Goulart, localidade ceciliense.

Vivia com a simplicidade do sertão.

veio o chamado militar obrigatório

vestiram-lhe a farda de Pracinha do exército do ditadorVargas.

Combatente,que viajou para o mundo dito civilizado.

Lá conheceu a guerra espalhada pelo chão,

A ganância e a arrogância transformou os homens em animais sanguinários.

Que devoravam seus semelhantes sem ter remorso algum nas suas faces trogloditas.

Era o inferno abaixo de zero grau, onde a morte estava em toda a parte.

Ouviu o cântico do Satanás, as rajadas de metralhadoras, explosões de bombas, aviões e sirenes esganiçando.

Quando milhões de almas já tinham sucumbido, ergueram a bandeira da paz.

Retornaram os heróis nacionais, para a tátria colônia dos ufanistas hipócritas.

Sertanejo condecorado, agora era um mutilado da vida,

Um demente que só via corpos estraçalhados , fantasmas horrendos.

Encontrou na bebida alcoólica uma anestesia para sua dor tremenda.

Perambulava pelas ruas quando bêbado, soltando um grito lancinante:

- êêê ooô.

Até que um dia, o silêncio mórbido encontrou sua boca.

Aqui jaz e descanse em paz.