Conheceu o Alfredinho da Gaita?
Ele nasceu no tempo do “redute”, foi encontrado em meio de mais um massacre de sertanejos, mamando nos seio de sua mãe que, havia sido morta' há três dias ou mais. Como o homem que o achou tinha bom coração. Decidiu adotá-lo, pois para este uma criança não merecia ser tratado dessa forma e Alfredo tinha poucos meses de vida.
Cresceu ele com a família adotiva, tornando-se um homem de baixa estatura, apesar de conservar sempre glutão, deve ser resquício da situação precária que teve na infância. Alfredo era um caboclo de paz, dizia que a violência é o cúmulo da ignorância dos que se consideram inteligentes. Tornou-se um exímio domador, para ele amansar cavalos xucros, era como sorver uma xícara de café bem quente, tem de ir tomando bem devagarzinho pequenos goles, até tornar-se do tipo que o vivente gosta. Recebia convites de fazendeiros de uma região que ia de Vacaria aos Campos de Palmas, para lidar com os animais aporriados.
Além disso, gostava de uma trova, fazia versos de idéia como ninguém e quando algum gaiato lhe desafiava, aceitava de pronto e com galhardia ganhava os pilas do adversário.
Conheceu o laço do amor, jogado pela prendinha Alvina, que seria a mulher de sua vida, isso se deu numa festa de São Sebastião. Foi amor a primeira vista e decidiram se casar. O enlace matrimonial se deu num sábado de manhã fria no Caragoatá, a festança foi grande, cobriram o vilarejo com a explosão de fogos. Estava reunido todo o parentesco e a vizinhança. O banquete se deu no galpão da fazenda do pai da noiva,com muito churrasco de porco, ovelha e boi, misturado com bastante pão caseiro e para beber, vinho para os adultos e gasosa para a criançada. Quando a comilança acabou, puxaram as mesas para o lado, algumas foram desmanchadas e o fandango se deu por lá. Para iniciar a dança, somente os noivos bailaram a valsa nupcial, depois disso a poeira comeu solta no chão batido, indo o entrevero até o sol raiar o dia de bomingo.
Alfredo e Alvina tiveram dois filhos: Olga e Antonio (nome dado em homenagem ao pai adotivo de Alfredo). Eles viveram esta união mais de cinqüenta anos, um sempre respeitando o outro. Um dia a morte os separou, ela partiu para a eternidade e deixou ele solito na vida, apesar disso ele sempre se manteve fiel a ela.
Rolou por todo o mundão, sendo agregado de muitas fazendas, onde fazia todo o serviço campeiro
Atendendo o chamado do patrão celestial, que precisava dele para amansar seus cavalos alados, Alfredo rumou para a querência divina. Agora deve estar fazendo dupla com sua irmã adotiva, a Maria Rosa. Ele com sua inseparável gaitita de boca e ela com uma cordeona, a frente dos dois sua esposa Alvina, bailando com seu vestido de cetim azul.
“Cultura é o fermento da inteligência”.
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