Série “Guerra do Contestado - Cem anos de luta de um povo”. Parte XV.
Puxirum da Fé
Manhã de 20 de janeiro, na santa Taquaruçú,
O chão batido era pisado pela multidão, em uma grande procissão.
Em honra de São Sebastião,
O santo guerreiro e protetor dos contestadores.
Na frente do cordão,
Ia a menina Maria Rosa, com seu vestido branco,
Puro como a alma da gente peregrina.
O vento nordeste bamboleava,no alto do mastro,
A bandeira mística, estampada com a cruz da esperança.
O terço era o pão de todos os dias,
Na crença governante dos mártires do sertão.
Ouve-se a cantilena religiosa, no murmúrio das vozes errantes,
Para afagar os corações aflitos.
É ofertado aos berros, o sangue caboclo,
Que Lutará até a morte, contra os inimigos do inferno.
As portas da pobre igreja,
Estão abertas, aguardando os filhos desta terra.
Quando todas as mãos se juntam, pedindo em coro:
- São Sebastião, que é defensor contra a calamidade, a fome e a guerra, rogai por nós.
Puxirum ou Putirum, de origem indígena comunmente usado na região contestada, era o mutirão da comunidade ou dos vizinhos, que se reuniam para realizar certa atividade, geralmente plantio ou colheita de roça, sem o dono precisar fazer pagamento em dinheiro pelo serviço, sempre fazia um baile ou participava em outros puxiruns.
“O Povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma”.
Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Tiro No Pé
Serie “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XIV.
Tiro no Pé
Germinou o negrume do poço, em pleno meio-dia,
O uivo do lobo guará ecoou mata adentro,
As mãos dos sertanejos estavam manchadas de sangue,
Pois cometeram o sacrilégio,
De calar a voz do soldado que viu a verdade,
Estavam eles acometidos de surdez provocada pelo ódio brutal,
Tinham pedaços de pedra-ferro, em lugar de seus corações,
revestidos com aspereza dos troncos das araucárias.
São João dos Pobres Viu rolar a demência,
Secou o rio da esperança cabocla,
na estúpida chacina do capitão Matos Costa e seu grupo
o militar que expôs nos tribunais a exploração humana naquelas paragens,
o enterro do entendimento.
Foi Erro mortal nos planos na estratégia camponesa,
É condenado à morte pelos líderes, Venuto baiano que cometeu à insanidade
e desceram naquela terra muitos corvos para se alimentarem da irracionalidade da guerra.
• Em 06 de Setembro de 1914, na localidade de São João dos Pobres ( hoje município de Matos Costa,SC), foi vítima de tocaia o Capitão João Teixeira de Matos Costa e dez soldados que ele comandava. Ele foi aquele que defendia os interesses legítimos dos sertanejos que eram escravizados e que agora estavam rebelados.
“O Povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma”.
Tiro no Pé
Germinou o negrume do poço, em pleno meio-dia,
O uivo do lobo guará ecoou mata adentro,
As mãos dos sertanejos estavam manchadas de sangue,
Pois cometeram o sacrilégio,
De calar a voz do soldado que viu a verdade,
Estavam eles acometidos de surdez provocada pelo ódio brutal,
Tinham pedaços de pedra-ferro, em lugar de seus corações,
revestidos com aspereza dos troncos das araucárias.
São João dos Pobres Viu rolar a demência,
Secou o rio da esperança cabocla,
na estúpida chacina do capitão Matos Costa e seu grupo
o militar que expôs nos tribunais a exploração humana naquelas paragens,
o enterro do entendimento.
Foi Erro mortal nos planos na estratégia camponesa,
É condenado à morte pelos líderes, Venuto baiano que cometeu à insanidade
e desceram naquela terra muitos corvos para se alimentarem da irracionalidade da guerra.
• Em 06 de Setembro de 1914, na localidade de São João dos Pobres ( hoje município de Matos Costa,SC), foi vítima de tocaia o Capitão João Teixeira de Matos Costa e dez soldados que ele comandava. Ele foi aquele que defendia os interesses legítimos dos sertanejos que eram escravizados e que agora estavam rebelados.
“O Povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma”.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
OCanto dos Pelados
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XIII.
O Canto dos Pelados
Milhares de vozes formaram o coral dos excluídos,
Este Se denominou de Irmandade de São Sebastião,
Regido pela batuta do maestro José Maria,
Que executaram a ópera da dignidade, Mo teatro do sertão.
Com partituras de dor e sofrimento do povo oprimido.
Misturando fé e ilusão, ensaiaram muito no Taquaruçú,
O “libreto” da epopeia,
Na retirada do Iraní, aconteceu o primeiro espetáculo trágico,
Os tambores da guerra rufaram, anunciando o descontentamento popular,
Os cavaleiros sobreviventes dos Doze Pares de França anunciaram a ressurreição da liberdade,
Entra em cena, a solista principal do grupo, a Maria Rosa, a menina santa,
Ela ordena a matança daqueles que ousassem enfrentar o Quadro Santo,
Os valentes comandantes Chico Alonso e Alemãozinho lideram os rebelados da terra sem lei,
Chica Pelega, a soprana, brilhava seus olhos na melodia do confronto,
Vieram Aplauso, antes do final, nas batalhas iniciais,
Cai à noite, o silêncio dizia que o inferno atacaria em todos os lugares,
Metralhadoras esganiçam, eclodem bombas, todos os instrumentos demoníacos entram em ação,
Estraçalham-se homens, mulheres, crianças, os sonhos, a fé, a bandeira da justiça humana.
O tenor pestilento, o Adeodato Ramos, “O Flagelo de Deus”,
No gran finale, fecha o portão do cemitério, deixando lá,
Preso na masmorra por um século, o povo caboclo,
E o sino dobra, quando parte o trem da história.
O Canto dos Pelados
Milhares de vozes formaram o coral dos excluídos,
Este Se denominou de Irmandade de São Sebastião,
Regido pela batuta do maestro José Maria,
Que executaram a ópera da dignidade, Mo teatro do sertão.
Com partituras de dor e sofrimento do povo oprimido.
Misturando fé e ilusão, ensaiaram muito no Taquaruçú,
O “libreto” da epopeia,
Na retirada do Iraní, aconteceu o primeiro espetáculo trágico,
Os tambores da guerra rufaram, anunciando o descontentamento popular,
Os cavaleiros sobreviventes dos Doze Pares de França anunciaram a ressurreição da liberdade,
Entra em cena, a solista principal do grupo, a Maria Rosa, a menina santa,
Ela ordena a matança daqueles que ousassem enfrentar o Quadro Santo,
Os valentes comandantes Chico Alonso e Alemãozinho lideram os rebelados da terra sem lei,
Chica Pelega, a soprana, brilhava seus olhos na melodia do confronto,
Vieram Aplauso, antes do final, nas batalhas iniciais,
Cai à noite, o silêncio dizia que o inferno atacaria em todos os lugares,
Metralhadoras esganiçam, eclodem bombas, todos os instrumentos demoníacos entram em ação,
Estraçalham-se homens, mulheres, crianças, os sonhos, a fé, a bandeira da justiça humana.
O tenor pestilento, o Adeodato Ramos, “O Flagelo de Deus”,
No gran finale, fecha o portão do cemitério, deixando lá,
Preso na masmorra por um século, o povo caboclo,
E o sino dobra, quando parte o trem da história.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
José Maria, O Santo da Guerra
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”; Parte XII.
José Maria, O Santo da Guerra.
Veio à terra contestada,
Um homem proclamando a salvação
Que acabaria com todos os males dos ignotos.
Lançou a semente da fé aos desesperados,
Foi o trovão nas estruturas danosas.
Verteu da sua boca,
Palavras que corroeram, as correntes da opressão.
A perseguição correu atrás,
Vinda de todos os lados, por aqueles que se achavam donatários da sesmaria.
Tombou em luta,
Para levantar a irmandade cabocla.
Que ergueu a fronte, duvidou das mentiras, do desprezo que deixaram marcas,
No coração ferido, das almas injustiçadas.
Por um século, os corvos dilapidaram esse homem,
Mas a verdade emerge, vindo a real história dos acontecimentos.
• José Maria de Agustinho ou Miguel Lucena de Boaventura, o terceiro monge dos três, que influenciaram a gente contestada. Personagem controverso, tendo poucas referências sobre ele. No ano de 1912, em Campos Novos, surgiu um curandeiro, que além de dar remédios, fazia muitas previsões e arrebanhou milhares de devotos na região, que seguiram suas ideias, mesmo após sua morte, que aconteceu no conflito com a polícia paranaense.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
José Maria, O Santo da Guerra.
Veio à terra contestada,
Um homem proclamando a salvação
Que acabaria com todos os males dos ignotos.
Lançou a semente da fé aos desesperados,
Foi o trovão nas estruturas danosas.
Verteu da sua boca,
Palavras que corroeram, as correntes da opressão.
A perseguição correu atrás,
Vinda de todos os lados, por aqueles que se achavam donatários da sesmaria.
Tombou em luta,
Para levantar a irmandade cabocla.
Que ergueu a fronte, duvidou das mentiras, do desprezo que deixaram marcas,
No coração ferido, das almas injustiçadas.
Por um século, os corvos dilapidaram esse homem,
Mas a verdade emerge, vindo a real história dos acontecimentos.
• José Maria de Agustinho ou Miguel Lucena de Boaventura, o terceiro monge dos três, que influenciaram a gente contestada. Personagem controverso, tendo poucas referências sobre ele. No ano de 1912, em Campos Novos, surgiu um curandeiro, que além de dar remédios, fazia muitas previsões e arrebanhou milhares de devotos na região, que seguiram suas ideias, mesmo após sua morte, que aconteceu no conflito com a polícia paranaense.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
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