Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

terça-feira, 23 de abril de 2013

"Santa Maria, Rodai Por Eles"

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte 23.




Santa Maria rogai por eles



A cidade-estado, o Quartel do flagelo de Deus,

Reguto dos desgraçados da araucária angustifólia,

O vale da expiação da inglória luta,

Cinco mil almas iguais àovelhas, juntas no aprisco mortal,

Panela que explodiu com os sonhos quiméricos da Irmandade cabocla,

O lugar santo que virou cemitério da vida errante,

Onde a fome devorou muitas bocas sedentas de justiça,

O tiro de misericórdia veio da falange fuziladora do pérfido Stillac Leal,

Rodearam as matilhas de feras, com milhares de cruéis soldados, para chacinar ,

O fogo do inferno ardeu até o cruzeiro da igreja,

Escarneceram os corvos, na sua alegria irracional,

O casto vestido branco sujou-se todo de sangue,

Foi lá que a espúria terra conheceu a pureza da alma da me mina Maria Rosa, quando esta voltou para os braços da mãe-eterna

A mata cobriu de verde, como se fosse um tapete escondendo a sujeira do triste cenário de horror,

Fim que começaria a condenação eterna dos que ousaram a combater a dominação imoral.



• Em Abril de 1915, quatro colunas do exército brasileiro, com mais de sete mil homens, atacaram e exterminaram o Reduto De Santa Maria, no vale do rio de mesmo nome ( hoje localizado no município de Timbó Grande,SC), que era a maior e mais importante concentração rebelde, este era comandado por Adeodato Ramos, que na ocasião acabou fugindo.

“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.

terça-feira, 16 de abril de 2013

" Cidadão Pelado"

Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXII.




Cidadão Pelado



Nasci na brava Caragoatá, no meio do sertão sagrado,

Vim ao mundo pelas mãos da parteira Maria Rosa, que me enrolou num cuero apertado,,

Filho de pai caboclo do pé rachado,

Tenho a pele cor de cuia, cabelo de bugre e o sangue de um guerreiro renomado,

Lavei meu corpo, nas águas do Rio Tamanduá num poço abençoado,

Calço bota de borracha, com um paletó remendado,

Uso enrolado no pescoço, medalhinha de São Sebastião, contra o azar, doença e mau olhado,

Comprei muito mantimentos na Serra da Esperança,na bodega do João Furtado,

Cresci ouvindo a mãe véia (1) contar ás histórias do tempo do “Redute” assombrado,

Onde foi tanta malvadeza contra os inocentes, vinda de todo o lado,

a matança foi feia,as “metralhas” chacinavam o povo aterrorizado,

era tal de “Liodato”, o demônio do sertanejo massacrado,

o grito de liberdade da gente humilde foi degolado,

esconderam os motivos reais disso, chamando de Guerra do Contestado,

clamo por justiça, para São João Maria, num pedido emocionado,

nunca tive condições de ir à escola, não sou alfabetizado,

fui peão de fazenda, que acordava com o berro do gado,

trabalhei na plantação de pinus, onde num acidente com uma motosserra, tive o braço decepado,

hoje sobrevivo com um salário de fome de lixo aposentado,

vivo numa cidade pobre da região, sou um morador favelado,

aonde o futuro ainda não chegou, neste rico estado,

sou brasileiro esquecido, um cidadão pelado.



Mãe-véia, no linguajar caboclo quer dizer avó.



“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.



terça-feira, 9 de abril de 2013

"Capitão Matos Costa"

Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XXI.




Capitão Matos Costa





“ ...A revolta do Contestado é apenas uma insurreição de sertanejos espoliados nas suas terras, nos seus direitos e na sua esperança.

A questão do contestado se desfaz com um instrução e o suficiente de justiça, como um duplo produto que ela é da violência que revolta e da ignorância, que não sabe outro meio de defender o seu direito...”.

Citação de Cap. João Teixeira de Matos Costa.



Homem de armas do exército antropofágico,

Agia com a racionalidade humana, ausente na violência cega dos brutamontes.



Soldado que lutou pela paz,

Como única maneira de resolver a guerra.



Seu caráter justo encantou até a menina santa,

Nas palavras que trocaram no reduto do Caragoatá,



Conheceu a dor sertaneja que ardia em milhares,

Numa ferida aberta que escorria ódio.



Ele permutou as balas para desferir palavras, para defender os injustiçados,

Em Seu discurso nas altas cortes, era veementemente contra a chacina vergonhosa.

Encontrou a morte, numa emboscada cruel.

De um grupo que el defendia.

Sendo golpeado pelo facão do orgulho inútil,



Seguiu-se um silêncio no front, a Voz que executava o grito pelado,estava caída ao chão,





Capitão João Teixeira de Matos Costa, foi um militar veterano, nas guerras civis brasileiras do início do Século XX, sendo ele totalmente contra o emprego das forças armadas para resolver problemas sociais.

Em sua homenagem, a localidade de São João dos Pobres quando foi emancipada, recebeu o seu sobrenome e assim passou a se chamar de Matos Costa, um município catarinense.