Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXVII.
Mártires da Fé
“Pai-nosso quê estás no Céu,
Santificado seja vosso nome,
Venha a nós o vosso reino,
Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu,
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
Perdoai nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido,
Não deixeis cair em tentação e nos livrai de todo o mal.
Amém.”
Era noite escura, como a asa negra de um corvo,
Com o vento gélido de inverno chacoalhando as árvores,
No meio da mata milhares de olhos esbugalhados,
Feito vagalumes que perderam sua luz,
Buscavam proteção, na floresta inóspita,
Imbuias, cipós, pinheirais, serras e rios, formavam o escudo derradeiro,
a casa dessa multidão, que seria o cemitério desses desgraçados do mundo,
estava ali cristões famélicos, maltrapilhos, analfabetos, descalços, desdentados, com doenças de todo tipo,
foram condenados à morte, pelos governantes peçonhentos,
cujo crime foi o de exigir seus direitos,
foram impedidos de sonhar que este inferno de dor e de lágrimas, iria transformar-se no paraíso para os párias,
levado pela fé cega de vencerem as bombas apenas com reza,
assim as trevas cobriram tudo, sem dó nem piedade,
naquela madrugada ecoou um choro estridente,
de uma criança morrendo de fome, nos braços de sua mãe,
pois eles só tinham pinhão cru para se alimentar.
Na selva contestada Rangeram os dentes dos homensbicho.
Que São João Maria proteja os pobres e oprimidos.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Poesia," Retrato do Absurdo",
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXVI.
Retrato do Absurdo
Subiu ao ar a espada de um soldado do Duque de Caxias,
Com a lâmina toda ensanguentada, pois acabou de cortar a barriga grávida, de uma camponesa.
Tombaram dois corpos, mãe e filho, unidos na vida e na morte,
Chorou um anjo que faleceu antes de nascer, ele era parte do povo excluído, que estava condenado.
Vinha a fumaça negra de um trem, escondendo essa cena horrenda,
Assim o martírio assassino dos molambentos, pelos feitores do Século XX,
a escravidão medonha mantinha-se selvagem, com a benção da igreja oficial da pátria da ordem e progresso.
Para os miseráveis continuavam existindo as correntes e os açoites
Esse era o retrato que ficou na parede neste século da catacumba ufanista.
As raposas tirânicas aplaudiram em banquetes reais,
Brindando com as taças de cristal, cheias de sangue caboclo,
Fartando-se da carne da gente do sertão contestado.
Deitavam-se os parasitas em dinheiro de papel, feito com a massa das araucárias devastadas.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”
Retrato do Absurdo
Subiu ao ar a espada de um soldado do Duque de Caxias,
Com a lâmina toda ensanguentada, pois acabou de cortar a barriga grávida, de uma camponesa.
Tombaram dois corpos, mãe e filho, unidos na vida e na morte,
Chorou um anjo que faleceu antes de nascer, ele era parte do povo excluído, que estava condenado.
Vinha a fumaça negra de um trem, escondendo essa cena horrenda,
Assim o martírio assassino dos molambentos, pelos feitores do Século XX,
a escravidão medonha mantinha-se selvagem, com a benção da igreja oficial da pátria da ordem e progresso.
Para os miseráveis continuavam existindo as correntes e os açoites
Esse era o retrato que ficou na parede neste século da catacumba ufanista.
As raposas tirânicas aplaudiram em banquetes reais,
Brindando com as taças de cristal, cheias de sangue caboclo,
Fartando-se da carne da gente do sertão contestado.
Deitavam-se os parasitas em dinheiro de papel, feito com a massa das araucárias devastadas.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Poesia "Chico Alonso, O Guerreiro Menino"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXV.
Chico Alonso, O Guerreiro Menino
“Nóis não matava e nem robava, apenas cuidava de nossos afazeres e plantava a terra. Mais veio o governo da repubrica e deu tudo para os estrangeros que mataram nossas muiéres e filhos. Nós agora tamo dispostos a fazê prevalece nossos direitos. Assinado comandante Chiquinho Alonso”.
Mensagem deixada quando os revoltosos atacaram e destruíram a serraria da Lumber, em Calmon, SC.
Nasceu maragato, morreu contestador.
Gritou aos quatro cantos, que o povo segregado também era gente.
A coragem foi sua fiel companheira.
Cordeiro que transformou-se em leão, para defender seu território.
Ponta da lança jagunça.
Comandou os injustiçados que resolveram fazer justiça pelas próprias mãos.
Estampava no semblante a certeza da missão.
Escreveu a história, com a tinta rubra de sangue.
Tombou combatendo na Colônia de Rio das Antas.
Foi o homem, ficou o exemplo.
• Francisco Alonso de Souza ou Chiquinho Alonso, com apenas dezessete anos foi um dos líderes dos sertanejos marginalizados, na Guerra do Contestado( 1912-1916).
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Chico Alonso, O Guerreiro Menino
“Nóis não matava e nem robava, apenas cuidava de nossos afazeres e plantava a terra. Mais veio o governo da repubrica e deu tudo para os estrangeros que mataram nossas muiéres e filhos. Nós agora tamo dispostos a fazê prevalece nossos direitos. Assinado comandante Chiquinho Alonso”.
Mensagem deixada quando os revoltosos atacaram e destruíram a serraria da Lumber, em Calmon, SC.
Nasceu maragato, morreu contestador.
Gritou aos quatro cantos, que o povo segregado também era gente.
A coragem foi sua fiel companheira.
Cordeiro que transformou-se em leão, para defender seu território.
Ponta da lança jagunça.
Comandou os injustiçados que resolveram fazer justiça pelas próprias mãos.
Estampava no semblante a certeza da missão.
Escreveu a história, com a tinta rubra de sangue.
Tombou combatendo na Colônia de Rio das Antas.
Foi o homem, ficou o exemplo.
• Francisco Alonso de Souza ou Chiquinho Alonso, com apenas dezessete anos foi um dos líderes dos sertanejos marginalizados, na Guerra do Contestado( 1912-1916).
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Poesia, "Adeodato Ramos, OJagunço Maldito".
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXIV.
Adeodato Ramos, O Jagunço Maldito
Ditou sua lei de carrasco dos sertanejos,
Zombou da desgraça com sua risada maligna,
Degolou mais do que mil facas,
Quebrou a ligação entre a fé e a guerra,
Assassinou dezenas de homens, que boiaram nas águas do Rio Santa Maria,
Infectou o ar, com o cheiro fétido da carniça,
Tomou o vinho tinto de sangue dos miseráveis,
Olhou com os olhos de ave de rapina,
Trovou com o Diabo, proferindo palavras insanas,
Liderou a marcha de sua gente, rumo ao inferno,
Condenou à morte, os que queriam viver,
Manchou a bandeira de São Sebastião, com a nódoa da barbárie,
Estraçalhou a dignidade pelada, com sua devassidão carnal,
Gritou na noite, como um pássaro agourento,
Segurou as barras da cela como se estas fossem daionetas encravadas no seu peito,
Tombou “O Flagelo de Deus”, numa armadilha sórdida da covardia, iguais a muitas que fizera.
• Adeodato Manuel Ramos, “Liodato”, como ficou conhecido pelos caboclos da região contestada, nasceu em São José do Cerrito, quando este era distrito de Lages, Santa Catarina. Adeodato foi o último dos chefes dos rebeldes campesinos. Foi preso e mandado para Florianópolis, onde foi brutalmente assassinado pelo diretor da cadeia à mando dos coronéis estaduais.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Adeodato Ramos, O Jagunço Maldito
Ditou sua lei de carrasco dos sertanejos,
Zombou da desgraça com sua risada maligna,
Degolou mais do que mil facas,
Quebrou a ligação entre a fé e a guerra,
Assassinou dezenas de homens, que boiaram nas águas do Rio Santa Maria,
Infectou o ar, com o cheiro fétido da carniça,
Tomou o vinho tinto de sangue dos miseráveis,
Olhou com os olhos de ave de rapina,
Trovou com o Diabo, proferindo palavras insanas,
Liderou a marcha de sua gente, rumo ao inferno,
Condenou à morte, os que queriam viver,
Manchou a bandeira de São Sebastião, com a nódoa da barbárie,
Estraçalhou a dignidade pelada, com sua devassidão carnal,
Gritou na noite, como um pássaro agourento,
Segurou as barras da cela como se estas fossem daionetas encravadas no seu peito,
Tombou “O Flagelo de Deus”, numa armadilha sórdida da covardia, iguais a muitas que fizera.
• Adeodato Manuel Ramos, “Liodato”, como ficou conhecido pelos caboclos da região contestada, nasceu em São José do Cerrito, quando este era distrito de Lages, Santa Catarina. Adeodato foi o último dos chefes dos rebeldes campesinos. Foi preso e mandado para Florianópolis, onde foi brutalmente assassinado pelo diretor da cadeia à mando dos coronéis estaduais.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
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