Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”.
Monarquia Celestial
Foram quatro anos, que tremularam bandeiras brancas, com cruzes verdes, no início do século XX,
Num território com mais de quarenta mil quilômetros quadrados, nos sertões catarinenses e paranaenses,
Era o reino meridional do socialismo, a irmandade crioula,
Cujo lema era , “Quem têm mói e quem não tem, mói também”,
Os súditos eram mais de cinquenta mil campesinos,a massa de excluídos da república tupiniquim,
Suas cidades-santas foram Taquaruçú, Caragoatá, Santa Maria, São Sebastião, entre outras,
Tinha a monarquia, um exército, onde seus homens eram chamados de pelados, por seus cabelos raspados e uma guarda real, formada por doze pares de valente lutadores,
Sob comando espiritual de São João Maria, enfrentaram tudo e todos os que ficavam em seus caminhos,
Seus principais líderes foram Maria Rosa, Chiquinho Alonso, alemãozinho (Henrique Wolland), Chica Pelega, Adeodato Ramos ,
Empunhavam com galhardia suas garruchas, revólveres, espadas de madeira, utilizando-se de táticas de guerrilha, atacavam seus inimigos,
A Religiosidade profunda estava marcada como característica principal neste povo humilde,
A utopia que transformou-se em realidade, uma Multidão analfabeta ensinando os letrados a lição da justiça,
Cobriu a Sombra desgostosa com a nova luz, esmagou o brilho do dia para a noite onde só os animais peçonhentos enxergam,
Com a queda do sonho quimérico, restou a fé da sofrida gente contestada, peregrinando o sofrimento neste canto de morte e vida.
Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
"1912-1916", Poesia.
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XLIX.
1912 – 1916
Veio o século do fogo e ferro, lançando no ar fumaça tóxica,
o intruso Farquar com sua espada gananciosa,
repartiu em mil pedaços, o chão sertanejo,
foi a grilagem da imoralidade,
primeiro devastaria as matas, para depois ludibriar imigrantes caucasianos,
tomando posse do terreno explosivo,
esqueceram-se daqueles que aqui já estavam,
Estes foram tratados como se fossem carniças malcheirosas,
Pisoteadas iguais às moscas ribeirinhas,
tendo florestas, os rios e as serras como testemunhas do genocídio dos enxotados.
As noites mais geladas para o tormento da gente espoliada,
Para eles só existia, Um único caminho, a escravidão bestial.
Correu no chão contestado, um raio de esperança,
Ela surgiu das bocas dos monges peregrinos que proclamavam, com fé e agindo em grupo, a irmandade cabocla seria imbatível.
Foi à semente da coragem plantada nos corações valentes de guerreiros que lutaram até o fim brutal.
Formaram-se locais santos, os redutos da resistência campesina,
Empunhando a bandeira da esperança e lança em riste, Chica Pelega e o exército encantado de São Sebastião, defendeu seu território.
Mas os verdugos do doder ficaram irados com tal petulância,
Resolveram calar as vozes dos insolentes que clamavam justiça,
Guerra aos labregos selvagens, as labaredas da inquisição para os adoradores de São João Maria,
Espalhando a morte aos mártires da opressão,
Assim começou o sangue jorrar e o sangue cobriu a terra proibida, num Armageddon aniquilador,
Um cheiro fétido da insensatez humana estava em todos os cantos
Os urubus mercenários se fartaram, em banquetes que aconteciam todos os dias.
Arrastaram os líderes rebeldes, decapitando as cabeças deles e ergueram-nas, idolatrando suas perversidades, num ritual macabro.
Exorcizaram em praça pública, a carranca do temível Adeodato,
Quando a devastação e o fuzilamento foram concluídos no campo
Sufocando os gemidos dos heróis sem pátria,
Em 1916, No necrotério federal do Catete assinaram o atestado de óbito de milhares de cidadões pelados.
Mesmo coberta com o tapete secular, essa rusga brutal deixou cicatrizes profundas incrustadas nas rochas , que contam a todos os povos esses fatos.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
1912 – 1916
Veio o século do fogo e ferro, lançando no ar fumaça tóxica,
o intruso Farquar com sua espada gananciosa,
repartiu em mil pedaços, o chão sertanejo,
foi a grilagem da imoralidade,
primeiro devastaria as matas, para depois ludibriar imigrantes caucasianos,
tomando posse do terreno explosivo,
esqueceram-se daqueles que aqui já estavam,
Estes foram tratados como se fossem carniças malcheirosas,
Pisoteadas iguais às moscas ribeirinhas,
tendo florestas, os rios e as serras como testemunhas do genocídio dos enxotados.
As noites mais geladas para o tormento da gente espoliada,
Para eles só existia, Um único caminho, a escravidão bestial.
Correu no chão contestado, um raio de esperança,
Ela surgiu das bocas dos monges peregrinos que proclamavam, com fé e agindo em grupo, a irmandade cabocla seria imbatível.
Foi à semente da coragem plantada nos corações valentes de guerreiros que lutaram até o fim brutal.
Formaram-se locais santos, os redutos da resistência campesina,
Empunhando a bandeira da esperança e lança em riste, Chica Pelega e o exército encantado de São Sebastião, defendeu seu território.
Mas os verdugos do doder ficaram irados com tal petulância,
Resolveram calar as vozes dos insolentes que clamavam justiça,
Guerra aos labregos selvagens, as labaredas da inquisição para os adoradores de São João Maria,
Espalhando a morte aos mártires da opressão,
Assim começou o sangue jorrar e o sangue cobriu a terra proibida, num Armageddon aniquilador,
Um cheiro fétido da insensatez humana estava em todos os cantos
Os urubus mercenários se fartaram, em banquetes que aconteciam todos os dias.
Arrastaram os líderes rebeldes, decapitando as cabeças deles e ergueram-nas, idolatrando suas perversidades, num ritual macabro.
Exorcizaram em praça pública, a carranca do temível Adeodato,
Quando a devastação e o fuzilamento foram concluídos no campo
Sufocando os gemidos dos heróis sem pátria,
Em 1916, No necrotério federal do Catete assinaram o atestado de óbito de milhares de cidadões pelados.
Mesmo coberta com o tapete secular, essa rusga brutal deixou cicatrizes profundas incrustadas nas rochas , que contam a todos os povos esses fatos.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
"O Sonho" Poesia
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XLVIII.
O Sonho
“Quem têm mói, quem não têm móis também”.
Frase dos rebeldes
no século dos homems-lobo,
as palavras dos profetas foram fermento,
A fé resuscitou nas bocas cansadas,
Cansadas de lamber as pedras da submissão.
Ergueram a bandeira com a cruz de São Sebastião,
A cidade santa de Taquaruçú, era o Jardim do Éden do sertão,
a sociedade igualitária, no país da injustiça social.
Assim foi a fonte quimérica dos explorados
Lá Desceu a sombra dos espinhos dos coronéis pestilentos.
A grande taquara surrou os sonhos, daqueles que nos seus braços viviam.
Fumegou os bravos de pé-no-chão, pisoteados pelos coturnos da morte.
A cruz pelada virou assunto maldito na republiqueta de araque.
Seres humanos que levam na fronte, a insígnia da escravidão secular.
o vento que testemunhou os fatos, teima em assoprar por aí a história da luta do povo contestado.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
O Sonho
“Quem têm mói, quem não têm móis também”.
Frase dos rebeldes
no século dos homems-lobo,
as palavras dos profetas foram fermento,
A fé resuscitou nas bocas cansadas,
Cansadas de lamber as pedras da submissão.
Ergueram a bandeira com a cruz de São Sebastião,
A cidade santa de Taquaruçú, era o Jardim do Éden do sertão,
a sociedade igualitária, no país da injustiça social.
Assim foi a fonte quimérica dos explorados
Lá Desceu a sombra dos espinhos dos coronéis pestilentos.
A grande taquara surrou os sonhos, daqueles que nos seus braços viviam.
Fumegou os bravos de pé-no-chão, pisoteados pelos coturnos da morte.
A cruz pelada virou assunto maldito na republiqueta de araque.
Seres humanos que levam na fronte, a insígnia da escravidão secular.
o vento que testemunhou os fatos, teima em assoprar por aí a história da luta do povo contestado.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
"Miséria de um Século" Poesia.
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XLV.
Miséria de Um Século
a serpente da modernidade picou , a ganância inescrupulosa,
levando a araucária, o cálice de madeira, à tombar, derramando o sangue da igualdade.
Era a corda asfixiante, em volta do pescoço da gente excluída,
Mestiço, índio, branco, negro, todos os sertanejos pelados.
Virou pedra o pão na boca dos desdentados da nação espúria.
Vingou a praga onde a terra falava outros idiomas.
Rostos amarantados pelo flagelo da fome secular.
Arderam os corpos , no inferno meridional.
Subiu o picumã das chaminés, que enegreceu o céu.
Exalou no ar, o cheiro fétido nas águas danosas, das veias hidrográficas.
Recebeu convite da penúria os enxotados molambentos,
Era a mortalha viva de gerações prostradas.
As lágrimas encharcaram a terra contestada.
Ouviram-se os gritos dos carcarás patrulhando os destroçados.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Miséria de Um Século
a serpente da modernidade picou , a ganância inescrupulosa,
levando a araucária, o cálice de madeira, à tombar, derramando o sangue da igualdade.
Era a corda asfixiante, em volta do pescoço da gente excluída,
Mestiço, índio, branco, negro, todos os sertanejos pelados.
Virou pedra o pão na boca dos desdentados da nação espúria.
Vingou a praga onde a terra falava outros idiomas.
Rostos amarantados pelo flagelo da fome secular.
Arderam os corpos , no inferno meridional.
Subiu o picumã das chaminés, que enegreceu o céu.
Exalou no ar, o cheiro fétido nas águas danosas, das veias hidrográficas.
Recebeu convite da penúria os enxotados molambentos,
Era a mortalha viva de gerações prostradas.
As lágrimas encharcaram a terra contestada.
Ouviram-se os gritos dos carcarás patrulhando os destroçados.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
"Comandante Wolland" poesia
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXX.
Comandante Wolland*
Veio como gralha branca das terras do norte,
A flecha incendiária trazido pelo mar,
Cruzou as florestas, os rios e cidades do sertão meridional.
Fazendo o retrato fantasmagórico do novo mundo
Onde a angustia era grande.
O deus da cobiça oprimia o povo
A discórdia pôs um muro, cercando os sertanejos humildes,
Foi quando a ave sem destino resolveu pousar no terreno insólito,
Para lutar junto ao exército encantado
Da sua boca saíram as normas rígidas que organizariam os pelados
Inteligente e corajoso eram as qualidades que possuía, por isto era comandante.
Nomeado pela própria Menina Santa
Até os verdugos vaqueanos temiam esse espinhento rebelde
Correu a fama de harpia sanguinária que destroçava seus inimigos
No seu rastro, Transformou noite em dias, iluminando o céu com o fogo da guerra.
Com Seus olhos azuis viu as trevas da morte aproximando-se da gente contestada
Subiu na copa de uma araucária, para gritar a visão que teve, mas ninguém lhe ouviu,
A perfídia tomou conta do seu coração
Desferiu golpes da adaga da covardia, nas costas da Irmandade.
• Henrique Wolland ou “Alemãozinho”, como era conhecido. Foi um dos grandes líderes da revolta popular.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Comandante Wolland*
Veio como gralha branca das terras do norte,
A flecha incendiária trazido pelo mar,
Cruzou as florestas, os rios e cidades do sertão meridional.
Fazendo o retrato fantasmagórico do novo mundo
Onde a angustia era grande.
O deus da cobiça oprimia o povo
A discórdia pôs um muro, cercando os sertanejos humildes,
Foi quando a ave sem destino resolveu pousar no terreno insólito,
Para lutar junto ao exército encantado
Da sua boca saíram as normas rígidas que organizariam os pelados
Inteligente e corajoso eram as qualidades que possuía, por isto era comandante.
Nomeado pela própria Menina Santa
Até os verdugos vaqueanos temiam esse espinhento rebelde
Correu a fama de harpia sanguinária que destroçava seus inimigos
No seu rastro, Transformou noite em dias, iluminando o céu com o fogo da guerra.
Com Seus olhos azuis viu as trevas da morte aproximando-se da gente contestada
Subiu na copa de uma araucária, para gritar a visão que teve, mas ninguém lhe ouviu,
A perfídia tomou conta do seu coração
Desferiu golpes da adaga da covardia, nas costas da Irmandade.
• Henrique Wolland ou “Alemãozinho”, como era conhecido. Foi um dos grandes líderes da revolta popular.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
"Setembrino de Carvalho, O Diabo Que Vestia Verde"poesia.
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XLIV.
Setembrino de Carvalho, O Diabo Que Vestia Verde.
Veio o espadachim republicano, para combater no levante sertanejo,
O senhor da guerra, baluarte da força militar, que aniquilava seus oponentes.
Exibia estrelas de titânio, na sua cartucheira mortal.
Zombando da bandeira celeste do povo miserável.
Tinha nos olhos a visão vampiresca dos coronéis paranaenses, que se achavam donos de toda a região.
Ergueu sua espada carniceira para dirigir as colunas de extermínio.
Soprou de todos os quadrantes, o vento do massacre horrendo,
Cercou os redutos, com seus milhares de abutres famintos, esperando a hora certa de atacar suas presas.
Queimou na praça, Mil corpos de rebeldes, em nome da ordem e progresso.
Deixou em fumaça, aqueles que lutavam por dignidade,
Espalhou a fome, que era melhor que a pólvora contra os contestadores de São João Maria.
Usou a farda de marechal tingida pelo sangue dos miseráveis.
Fernando Setembrino de Carvalho, nasceu em Uruguaiana,RS,13.09.1861 e faleceu no Rio de Janeiro .RJ em24.05.1947). Militar brasileiro que comandou o exército, nas campanhas de Canudos e do Contestado.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Setembrino de Carvalho, O Diabo Que Vestia Verde.
Veio o espadachim republicano, para combater no levante sertanejo,
O senhor da guerra, baluarte da força militar, que aniquilava seus oponentes.
Exibia estrelas de titânio, na sua cartucheira mortal.
Zombando da bandeira celeste do povo miserável.
Tinha nos olhos a visão vampiresca dos coronéis paranaenses, que se achavam donos de toda a região.
Ergueu sua espada carniceira para dirigir as colunas de extermínio.
Soprou de todos os quadrantes, o vento do massacre horrendo,
Cercou os redutos, com seus milhares de abutres famintos, esperando a hora certa de atacar suas presas.
Queimou na praça, Mil corpos de rebeldes, em nome da ordem e progresso.
Deixou em fumaça, aqueles que lutavam por dignidade,
Espalhou a fome, que era melhor que a pólvora contra os contestadores de São João Maria.
Usou a farda de marechal tingida pelo sangue dos miseráveis.
Fernando Setembrino de Carvalho, nasceu em Uruguaiana,RS,13.09.1861 e faleceu no Rio de Janeiro .RJ em24.05.1947). Militar brasileiro que comandou o exército, nas campanhas de Canudos e do Contestado.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
"Apocalípse dos Contestadores" áudio em MP3.
Ouçam o texto”Apocalípse dos Contestadores” a parte 43 da Série Especial “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo” que está em MP3. Basta clicar no link abaixo.
https://www.dropbox.com/s/sq1224bsgpjopdh/Apocalipse%20dos%20Contestadores.mp3.mp3
https://www.dropbox.com/s/sq1224bsgpjopdh/Apocalipse%20dos%20Contestadores.mp3.mp3
domingo, 13 de outubro de 2013
"Os Pássaros da Agonia", poesia.
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XLII.
Os Pássaros da Agonia
Um quero-quero sobrevoou a floresta decapitada,
Sumiu a copa da araucária , o lugar do ninho, para o papagaio criar seus filhos.
O pardal sonhou com uma cidade santa, onde todos eram iguais, mas, acordou nas sectárias masmorras escravagistas,
Calou a voz da baitaca, por mais de um século,
Morreu de fome a gralha do sertão, que ficou sem o pinhão da vida,
Soltou um grito estridente de desespero, a araponga assustada com correntes em volta de seu pescoço,
as flores da injustiça o cuitelo. Negou-se a beijar.
para outra terra, migrou o canário desolado com tanta humilhação,
Ecoou o canto de morte, da fantasmagórica sungara,
Chorou lágrimas de dor, o sábiá, no velório campal,
Apenas ruínas restou da casa que o João-de-barro ergueu com muito sacrifício,
A andorinha que voava livre, agora está estendida, apodrecendo no chão contestado,
A pombinha da paz têm todo o corpo manchado de sangue dos inocentes,
Só se ouve o riso da águia americana com seu egoísmo hipócrita.
Os Pássaros da Agonia
Um quero-quero sobrevoou a floresta decapitada,
Sumiu a copa da araucária , o lugar do ninho, para o papagaio criar seus filhos.
O pardal sonhou com uma cidade santa, onde todos eram iguais, mas, acordou nas sectárias masmorras escravagistas,
Calou a voz da baitaca, por mais de um século,
Morreu de fome a gralha do sertão, que ficou sem o pinhão da vida,
Soltou um grito estridente de desespero, a araponga assustada com correntes em volta de seu pescoço,
as flores da injustiça o cuitelo. Negou-se a beijar.
para outra terra, migrou o canário desolado com tanta humilhação,
Ecoou o canto de morte, da fantasmagórica sungara,
Chorou lágrimas de dor, o sábiá, no velório campal,
Apenas ruínas restou da casa que o João-de-barro ergueu com muito sacrifício,
A andorinha que voava livre, agora está estendida, apodrecendo no chão contestado,
A pombinha da paz têm todo o corpo manchado de sangue dos inocentes,
Só se ouve o riso da águia americana com seu egoísmo hipócrita.
sábado, 5 de outubro de 2013
"O Vaqueano Carrasco", poesia.
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XLI.
O Vaqueano Carrasco
Tinha a alcunha de Pedro Ruivo, o algoz carniceiro.
O verdadeiro jagunço, o flagelo dos miseráveis.
Homem maligno com cabeça de animal peçonhento.
Na sua rapinagem agia igual a Uma harpia estraçalhando sua presa.
Nadou em sangue, o verdugo do planalto meridional.
Corria sua adaga no pescoço de muitos sertanejos.
Tinha carta branca, para cometer os latrocínios de todo o tipo.
O bandido das mil mortes.
Assassinava por puro prazer e depois pilhava os pertences da vítima impunemente.
Os tribunais sempre faziam vistas grossas para as suas atrocidades, dizendo ser em nome da lei que ele agia dessa forma.
Como prêmio a seu “heroísmo”, foi morar na cidade da Lapa, Paraná, Onde passou o resto de sua vida, sendo um rico fazendeiro.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
'
O Vaqueano Carrasco
Tinha a alcunha de Pedro Ruivo, o algoz carniceiro.
O verdadeiro jagunço, o flagelo dos miseráveis.
Homem maligno com cabeça de animal peçonhento.
Na sua rapinagem agia igual a Uma harpia estraçalhando sua presa.
Nadou em sangue, o verdugo do planalto meridional.
Corria sua adaga no pescoço de muitos sertanejos.
Tinha carta branca, para cometer os latrocínios de todo o tipo.
O bandido das mil mortes.
Assassinava por puro prazer e depois pilhava os pertences da vítima impunemente.
Os tribunais sempre faziam vistas grossas para as suas atrocidades, dizendo ser em nome da lei que ele agia dessa forma.
Como prêmio a seu “heroísmo”, foi morar na cidade da Lapa, Paraná, Onde passou o resto de sua vida, sendo um rico fazendeiro.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
'
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
"O Silêncio", poesia.
Série “Guerra do Contestado –- Cem Anos de luta de um povo”. Parte XL.
O Silêncio
O silêncio
Do chão pelado, sem a mata devastada.
O silêncio
Das gargantas cortadas pelos traidores da pátria verde-amarela.
O silêncio
Das cinzas, dos filhos de Deus que foram incinerados.
O silêncio
Da cruz solitária, chorando por aqueles que acreditaram que a bandeira venceria o canhão.
O silêncio
Da ovelha ensanguentada, na chacina que vitimou seus irmãos.
O silêncio
Da fumaça que levantava das palafitas incendiadas dos redutos.
O silêncio
Do peixe das escamas de chumbo, que devorou o herói desconhecido.
O silêncio
Das sombras, que se esconderam na negritude da vergonha.
O silêncio
Do espinho encravado no coração da gente humilhada.
O silêncio
Da vida, que perdeu o confronto, ficando sem o direito da liberdade.
O silêncio
Da cela que aprisionou o guerreiro sertanejo.
O silêncio
Do céu enlutado, encoberto com nuvens escuras.
O silêncio
Do livro que traz toda a história contestada, que está envolto em poeira do descaso oficial.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
O Silêncio
O silêncio
Do chão pelado, sem a mata devastada.
O silêncio
Das gargantas cortadas pelos traidores da pátria verde-amarela.
O silêncio
Das cinzas, dos filhos de Deus que foram incinerados.
O silêncio
Da cruz solitária, chorando por aqueles que acreditaram que a bandeira venceria o canhão.
O silêncio
Da ovelha ensanguentada, na chacina que vitimou seus irmãos.
O silêncio
Da fumaça que levantava das palafitas incendiadas dos redutos.
O silêncio
Do peixe das escamas de chumbo, que devorou o herói desconhecido.
O silêncio
Das sombras, que se esconderam na negritude da vergonha.
O silêncio
Do espinho encravado no coração da gente humilhada.
O silêncio
Da vida, que perdeu o confronto, ficando sem o direito da liberdade.
O silêncio
Da cela que aprisionou o guerreiro sertanejo.
O silêncio
Do céu enlutado, encoberto com nuvens escuras.
O silêncio
Do livro que traz toda a história contestada, que está envolto em poeira do descaso oficial.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
"De São Paulo ao Corisco", Poesia
De São Paulo ao Corisco
Por Almir Visconde
Da província paulista para o
sul brasileiro,
Vieram famílias biribas em
busca da seara bendita,
Uns traziam poucas coisas,
outros tinham até escravos, pois isso foi antes da Lei Áurea,
Subiram o espigão da Serra
Geral, através da Estrada da Mata,
Ergueram casas de madeira e
também habitações de taquaras,
Derrubaram florestas de
araucárias, para plantarem suas roças,
Falavam o idioma português com
sotaque caipira,
Professavam a fé católica, com
uma visão profética do mundo,
O vento minuano bailou com a
moda de suas violas,
A fumaça de seus cigarros
palheiros cruzaram os carreiros, levando as boiadas,
O café que tomavam e o feijão
que comiam eram feito no modo tropeiro,
Rangeu o braço do mujôlo,
moendo milho, para fazer quirera e canjica,
Charque e carne de porco que
era mantida nas latas de banha davam a força que eles precisavam todos os dias,
Enchiam os cargueiros que
colocavam em mulas e iam trocar por mercadorias que precisavam em outras
cidades,
Um surto de tifo afugentou
alguns, mas a maioria aqui ficou, pois estavam enraizados nesta terra,
Foram caboclos que construíram
parte da história,
Trouxeram
a benção do Senhor Bom Jesus de Iguape os filho de Santa Cecília.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
"A Encomendação Brutal", Poesia.
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXIX.
A Encomendação Brutal
O novo chegou subido em cima do trem escroto,
O povo ficou cabisbaixo diante do besouro de fogo,
Que com sua fumaça, escrevia uma história horripilante,
A vela da extrema-unção da gente peluda,
Feiticeiros ianques davam estalos com a matraca diabólica,
Chicoteavam seus escravos, para estender o tapete de ferro,
O pirata Farquhar ria e tocava o banjo da destruição,
O gemido do ouriço saía da boca do homem sertanejo,
Despejava o sangue, em sacrifício ao deus da morte,
A terra meridional foi o local da Via Crucis da selvageria insensata,
o Paraíso virou inferno,
O solo fértil serviu de mortalha, para esconder os frutos do massacre bestial.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
A Encomendação Brutal
O novo chegou subido em cima do trem escroto,
O povo ficou cabisbaixo diante do besouro de fogo,
Que com sua fumaça, escrevia uma história horripilante,
A vela da extrema-unção da gente peluda,
Feiticeiros ianques davam estalos com a matraca diabólica,
Chicoteavam seus escravos, para estender o tapete de ferro,
O pirata Farquhar ria e tocava o banjo da destruição,
O gemido do ouriço saía da boca do homem sertanejo,
Despejava o sangue, em sacrifício ao deus da morte,
A terra meridional foi o local da Via Crucis da selvageria insensata,
o Paraíso virou inferno,
O solo fértil serviu de mortalha, para esconder os frutos do massacre bestial.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
A Sucurí de Lebon Régis - Conto
A Sucuri de Lebon Régis*
Por Almir Visconde
É 2013 que por coincidência, dizem os supersticiosos, um ano de mau agouro, onde o azar anda solto por aí; portanto muito sal grosso, bastante vela benzida, chá de vassourinha, galho de arruda e reza forte todos os dias, para afastar os espíritos malignos.
No município catarinense de Lebon Régis, a terra dos caraguatás, onde em seu chão, já aconteceu muita coisa ruim, inclusive o conflito entre camponeses e os poderes públicos, por causa de interesses contrários. Ficando por lá muita maldição devido às malvadezas e atrocidades comtra o povo.
Nalocalidade interiorana, no Rio dos Patos( onde a população faz seu lazer de fim-de-semana), foi avistado recentemente por muitas pessoas, uma enorme serpente,com mais de cinco metros de comprimento; ela é do tipo sucuri, a monstruosa anaconda lebonregiana, inclusive já atacou e deglutiu um animal de um fazendeiro, que garante, o réptil é perigoso.
Anotíciia do fato correu o mundo, chegando até uma emissora de TV, que mandou uma equipe de reportagem para entrevistar os moradores locais e conferir im loco a veracidade da história. Todos foram categóricos em afirmar a aparição e que até os bombeiros já vasculharam à área. Mas nada encontraram. Dizem as más línguas, que alguém de péssimo gosto, importou a cobra e colocou nas águas ribeirinhas.O nome desta persona nom grata, ainda é um mistério.
Como profetizava São João Maria:
- No fim dos tempos vão acontecer coisas que ninguém viu antes.
• Lebon Régis, nome dado ao município em homenagem ao coronel de exército, Gustavo Lebon Régis, que combateu os sertanejos da região, na sangrenta Guerra do Contestado.
Por Almir Visconde
É 2013 que por coincidência, dizem os supersticiosos, um ano de mau agouro, onde o azar anda solto por aí; portanto muito sal grosso, bastante vela benzida, chá de vassourinha, galho de arruda e reza forte todos os dias, para afastar os espíritos malignos.
No município catarinense de Lebon Régis, a terra dos caraguatás, onde em seu chão, já aconteceu muita coisa ruim, inclusive o conflito entre camponeses e os poderes públicos, por causa de interesses contrários. Ficando por lá muita maldição devido às malvadezas e atrocidades comtra o povo.
Nalocalidade interiorana, no Rio dos Patos( onde a população faz seu lazer de fim-de-semana), foi avistado recentemente por muitas pessoas, uma enorme serpente,com mais de cinco metros de comprimento; ela é do tipo sucuri, a monstruosa anaconda lebonregiana, inclusive já atacou e deglutiu um animal de um fazendeiro, que garante, o réptil é perigoso.
Anotíciia do fato correu o mundo, chegando até uma emissora de TV, que mandou uma equipe de reportagem para entrevistar os moradores locais e conferir im loco a veracidade da história. Todos foram categóricos em afirmar a aparição e que até os bombeiros já vasculharam à área. Mas nada encontraram. Dizem as más línguas, que alguém de péssimo gosto, importou a cobra e colocou nas águas ribeirinhas.O nome desta persona nom grata, ainda é um mistério.
Como profetizava São João Maria:
- No fim dos tempos vão acontecer coisas que ninguém viu antes.
• Lebon Régis, nome dado ao município em homenagem ao coronel de exército, Gustavo Lebon Régis, que combateu os sertanejos da região, na sangrenta Guerra do Contestado.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Os Doze Pares do Sertão - Poesia
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXVIII.
Os Doze Pares do Sertão
doze apóstolos do exército encantado,
a elite da tropa cor de cuia,
eram homens corajosos, fortes, exímios no uso de armas, fiéis e guiados pela similitude da fé,
a guarda real da monarquia celeste,
os paladinos da quimera jagunça,
tinham como lema: lutar até morrer, se preciso for,
rasgaram toda mataria da terra esquecida,
com suas lanças em riste, andavam em seus cavalos de fogo,
brilhavam seus facões, eram sóis iluminando a noite maquiavélica,
cortavam as línguas, daqueles que impediam a clareza da verdade,
gritavam com seus corações, com a unicidade sertaneja:
- Viva São João Maria!
• Foi José Maria, que era o líder espiritual da região contestada, que criou os Doze Pares, influenciado pelas histórias do Rei Carlos Magno da França, que tinha os Doze Pares, para lhe protegerem.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Os Doze Pares do Sertão
doze apóstolos do exército encantado,
a elite da tropa cor de cuia,
eram homens corajosos, fortes, exímios no uso de armas, fiéis e guiados pela similitude da fé,
a guarda real da monarquia celeste,
os paladinos da quimera jagunça,
tinham como lema: lutar até morrer, se preciso for,
rasgaram toda mataria da terra esquecida,
com suas lanças em riste, andavam em seus cavalos de fogo,
brilhavam seus facões, eram sóis iluminando a noite maquiavélica,
cortavam as línguas, daqueles que impediam a clareza da verdade,
gritavam com seus corações, com a unicidade sertaneja:
- Viva São João Maria!
• Foi José Maria, que era o líder espiritual da região contestada, que criou os Doze Pares, influenciado pelas histórias do Rei Carlos Magno da França, que tinha os Doze Pares, para lhe protegerem.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Imagens do Corisco
Legenda:
Foto 01 – O grande educador José Ribeiro Tomaz(
in memorian), com a esposa Áurea Pires Tomaz.
Foto
02 – Pesssoas destacadas em Santa Cecília,SC.
·
Fotos gentilmente cedidas por
Márcia Tomaz Zanella.
·
Mande uma foto(se possível
com um pequeno comentário sobre ela),de qualquer época, seja esta de motivo
familiar, escolar, religioso, político, cultural, esportivo, artístico,
tradicionalista, fenômeno metereológico ou paisagem urbana ou rural.
·
Vamos compor nossa história, mostrando a
gente ceciliense, os traços desta terra: para enobrecer este povo e dar bons
exemplos
a futuras gerações.
a futuras gerações.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Projeto Imagens do CoriscoProjeto Imagens do Corisco Convido todos a fazerem parte de nossa história, compartilhando fotos, de qualquer época de nossa cidade. Pode ser de vários assuntos(escolar, familiar, esportivo, cultural, tradicionalista, artístico, religioso, político ou fenômeno metereológico). As fotos serão postadas no blog CAUSOS DO CORISCO, sempre dando o crédito da pessoa dona da foto, caso não queira não será feito isto. As coisas, fatos e pessoas em momentos importantes de nossa comunidade devem ser lembrados e mostrados para as novas gerações, realçando os bons exemplos e distinguir o modo peculiar da gente ceciliense e a terra que vivemos. Para entrar em contato comigo, meu e-mail é: almirstn@gmail.com ou pelo celular: (49) 88247725 • Repassem essa ideia para os amigos.
"Coração Contestador", poesia.
Série “Guerra do Contestado - Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXVII.
Coração Contestador
De que nação eu venho?
Que século é este?
porque diabos, de tanta dor?
A escuridão da noite esconde meu caminho,
Deixando-me refém da astúcia maldita
Da serpente fantasmagórica.
A rudeza da minha pele,
Esculpida pelo vento frio do sul,
Só conhece o pesadelo do espinho encravado na garganta do mestiço,
Que permanece aprisionada, cheios de palavras,
No subterrâneo do meu corpo de fantoche.
Com seu brilho refletindo nos meus olhos,
O Rei Sol me desperta,
Para ver a bandeira libertária,
Que tremularia no sertão,
fora fabricada pelo sofrimento inescrupuloso,
foi o chamado para eu ser herói,
minha cabeça ficou nua, sou soldado do exército encantado de São Sebastião,
clamo por todos os anjos do céu,
para gritar mais forte que mil trovões de outubro,
e dizer que esta terra tem dono.
Os pedregulhos deste chão já se acostumaram com as pisadas dos meus pés,
O pinhão é meu pão que dá força para continuar a labuta,
Até os bichos da mata, conhecem minha voz,
É a raiz do meu coração, plantada no solo nativo
Derramarei meu sangue de homem honesto,
Que é o líquido vital da dignidade humana,
Este escorrerá por todos os cantos,
Para purificar as bocas mentirosas,
E assim poder semear os grãos de liberdade e justiça,
Que a minha descendência sempre tenha isto por princípio de vida.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Coração Contestador
De que nação eu venho?
Que século é este?
porque diabos, de tanta dor?
A escuridão da noite esconde meu caminho,
Deixando-me refém da astúcia maldita
Da serpente fantasmagórica.
A rudeza da minha pele,
Esculpida pelo vento frio do sul,
Só conhece o pesadelo do espinho encravado na garganta do mestiço,
Que permanece aprisionada, cheios de palavras,
No subterrâneo do meu corpo de fantoche.
Com seu brilho refletindo nos meus olhos,
O Rei Sol me desperta,
Para ver a bandeira libertária,
Que tremularia no sertão,
fora fabricada pelo sofrimento inescrupuloso,
foi o chamado para eu ser herói,
minha cabeça ficou nua, sou soldado do exército encantado de São Sebastião,
clamo por todos os anjos do céu,
para gritar mais forte que mil trovões de outubro,
e dizer que esta terra tem dono.
Os pedregulhos deste chão já se acostumaram com as pisadas dos meus pés,
O pinhão é meu pão que dá força para continuar a labuta,
Até os bichos da mata, conhecem minha voz,
É a raiz do meu coração, plantada no solo nativo
Derramarei meu sangue de homem honesto,
Que é o líquido vital da dignidade humana,
Este escorrerá por todos os cantos,
Para purificar as bocas mentirosas,
E assim poder semear os grãos de liberdade e justiça,
Que a minha descendência sempre tenha isto por princípio de vida.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
"A Guerra" Poesia
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXVI.
A Guerra
A indecência emudeceu a vida,
da erva-mate decepou as folhas,
que nutria a terra da Menina Santa
veio ela afrontada pelo atrevimento hostil,
navegou no rio da indignação , com o coração cheio de ódio,
a valente guerreira da araucária
clamou a bandeira da esperança jagunça,
ergueu-se a voz da mãe da guerra,
juntou as pedras do chão, para armar-se,
em seu abrigo acolheu as ovelhas perdidas,
lambeu as feridas abertas dos heróis desconhecidos,
atrás do semblante moreno do sertanejo,
estava estampada a sua sentença de morte,
El sangre bugre o veneno da ingenuidade cabocla,
As bocas do silêncio abissal,
O protótipo do selvagem ameríndio,
Com lanças nas mãos defenderiam o seu habitat do inimigo,
Uniram-se milhares de miseráveis, execrados,
Povo pelado, gente errante,
Que obedeciam à mensagem do profeta peregrino,
Que decifrou os sofrimentos dos campesino angustiados,
Tremeu a noite e o dia,
Nas explosões mortíferas causadas pelo demônio peludo,
Desceu as trevas nas serras, rios, campos e redutos quando chegou a besta encarniçada,
Rugiram mais de sete mil leões vorazes,
Espalharam soda caustica no vale da morte,
Continua infinitamente a louvação dos desgraçados da pátria.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
A Guerra
A indecência emudeceu a vida,
da erva-mate decepou as folhas,
que nutria a terra da Menina Santa
veio ela afrontada pelo atrevimento hostil,
navegou no rio da indignação , com o coração cheio de ódio,
a valente guerreira da araucária
clamou a bandeira da esperança jagunça,
ergueu-se a voz da mãe da guerra,
juntou as pedras do chão, para armar-se,
em seu abrigo acolheu as ovelhas perdidas,
lambeu as feridas abertas dos heróis desconhecidos,
atrás do semblante moreno do sertanejo,
estava estampada a sua sentença de morte,
El sangre bugre o veneno da ingenuidade cabocla,
As bocas do silêncio abissal,
O protótipo do selvagem ameríndio,
Com lanças nas mãos defenderiam o seu habitat do inimigo,
Uniram-se milhares de miseráveis, execrados,
Povo pelado, gente errante,
Que obedeciam à mensagem do profeta peregrino,
Que decifrou os sofrimentos dos campesino angustiados,
Tremeu a noite e o dia,
Nas explosões mortíferas causadas pelo demônio peludo,
Desceu as trevas nas serras, rios, campos e redutos quando chegou a besta encarniçada,
Rugiram mais de sete mil leões vorazes,
Espalharam soda caustica no vale da morte,
Continua infinitamente a louvação dos desgraçados da pátria.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Poesia "Percival Farquhar, A Cartola Nefasta"
Série “Guerra do Contestado - Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXV.
Percival Farquhar, O Homem da Cartola Nefasta.
Uma águia anglo-americana do século XX,
Com coração envolto de uma carapaça de espinhos de aço,
O colonialista, que só enxergava o ouro dos trópicos,
Lucro era sua palavra favorita, nem que fosse feito, com muito sangue,
Enraizou-se nesta terra, com seus tentáculos de árvore predatória,
Criou a ilusão dos trens desenvolvimentistas, para os governantes energúmenos,
Era o engodo travestido de modernismo, que na verdade excluía o povo,
A ferro e fogo ergueu seu império mastodôntico.
De norte a sul, o “Brazil”, estava aos seus pés, de famigerado capitalista,
Fez dos pinheiros que cortou, estacas no peito de milhares de seres humanos,
Encobriu o céu, com a fumaça das locomotivas, abarrotadas de dinheiro espúrio,
Deixou o chão pelado por onde passou.
• Percival Farquhar(1864-1953), empresário norte-americano, proprietário de vários empreendimentos no Brasil, entre eles estava a Brazil Railway Company(que construiu o trecho da ferrovia São Paulo-Rio Grande,entre o PR e SC) e também a Southern Brazil Lumber and Colonization ( que explorou as terras concedidas pelo governo federal, que ficava na faixa junto a linha férrea), foram diretamente causadoras de conflitos sociais na região contestada.
•
• “O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Percival Farquhar, O Homem da Cartola Nefasta.
Uma águia anglo-americana do século XX,
Com coração envolto de uma carapaça de espinhos de aço,
O colonialista, que só enxergava o ouro dos trópicos,
Lucro era sua palavra favorita, nem que fosse feito, com muito sangue,
Enraizou-se nesta terra, com seus tentáculos de árvore predatória,
Criou a ilusão dos trens desenvolvimentistas, para os governantes energúmenos,
Era o engodo travestido de modernismo, que na verdade excluía o povo,
A ferro e fogo ergueu seu império mastodôntico.
De norte a sul, o “Brazil”, estava aos seus pés, de famigerado capitalista,
Fez dos pinheiros que cortou, estacas no peito de milhares de seres humanos,
Encobriu o céu, com a fumaça das locomotivas, abarrotadas de dinheiro espúrio,
Deixou o chão pelado por onde passou.
• Percival Farquhar(1864-1953), empresário norte-americano, proprietário de vários empreendimentos no Brasil, entre eles estava a Brazil Railway Company(que construiu o trecho da ferrovia São Paulo-Rio Grande,entre o PR e SC) e também a Southern Brazil Lumber and Colonization ( que explorou as terras concedidas pelo governo federal, que ficava na faixa junto a linha férrea), foram diretamente causadoras de conflitos sociais na região contestada.
•
• “O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Poesia "Capão da Mortandade"
Série “Guerra do Contestado - Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXIV.
Capão Da Mortandade
Dentro da sesmaria curitibanense, na capitania Catarina,
Um naco de mata virgem, na veia fluvial do Rio Marombas,
Rodeavam o lugar, o silêncio das turvas águas,
Era o purgatório dos anjos e demônios que ali passavam,
Ponto de luta dos ventos, o sul enfrentava o norte, formando fortes temporais,
Segredos afloraram como espinhos,
Mistérios foram cobertos com as pedras,
A imbuia podre esconde a cabeça decapitada do terrível Coronel Alburquerque,
Espalham-se gritos de dor, em noite de neblina intensa,
caraguatás, carquejas e vassourinhas do campo, são mortalhas para os defuntos desconhecidos,
onde bandos de corvos fizeram banquetes de carne humana,
fantasmas como se estivessem vivo gritam dizendo: morte aos peludos,
outros retrucando: acabem com os jagunços,
ficou encravado, o facão de guarnição dos caboclos,
enferrujando a luta sertaneja, de arrancar todas as correntes de opressão.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Capão Da Mortandade
Dentro da sesmaria curitibanense, na capitania Catarina,
Um naco de mata virgem, na veia fluvial do Rio Marombas,
Rodeavam o lugar, o silêncio das turvas águas,
Era o purgatório dos anjos e demônios que ali passavam,
Ponto de luta dos ventos, o sul enfrentava o norte, formando fortes temporais,
Segredos afloraram como espinhos,
Mistérios foram cobertos com as pedras,
A imbuia podre esconde a cabeça decapitada do terrível Coronel Alburquerque,
Espalham-se gritos de dor, em noite de neblina intensa,
caraguatás, carquejas e vassourinhas do campo, são mortalhas para os defuntos desconhecidos,
onde bandos de corvos fizeram banquetes de carne humana,
fantasmas como se estivessem vivo gritam dizendo: morte aos peludos,
outros retrucando: acabem com os jagunços,
ficou encravado, o facão de guarnição dos caboclos,
enferrujando a luta sertaneja, de arrancar todas as correntes de opressão.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Poesia "Frei Rogério"Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXIII. Frei Rogério Neuhaus Subiu a montanha, uma batina franciscana, A fé católica veio ao sertão, com voz silenciadora. Um sacerdote da igreja romana, soldado do Papa, Em Seus olhos de metal e o seu coração de quartzo, não se comoveram com o suplício generalizado, Pregava paz, sem lutar pela justiça entre os homens, Domesticava o rebanho arredio, para o colonialismo selvagem, Oferecia o céu para os que vivessem nas garras dos demônios da terra. Ergueu templos revestidos com sangue caboclo, dedicado à crueldade dos coronéis, Contou as moedas trazidas em tonéis pelos pecadores peludos, A missa do funeral coletivo, Suas palavras vestiam o véu negro, adornado com um guizo de cobra, Repicou os sinos de extrema-unção, para os guerreiros das araucárias. Os ferimentos abertos continuaram escorrendo na alma dos ignotos. • Henrique Neuhaus ou Frei Rogério Neuhaus (1863-1934), foi um padre alemão que exerceu seu trabalho na região contestada na época do conflito. “O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Poesia "Dois Confrontos"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXXII.
Dois Confrontos
Corria o ano de 1914,
Trezentos cavaleiros pisotearam a grama vigorosa
A quinta dos eslavos viu a fúria dos caboclos rebeldes
Tinham a ira cristalizada em seus olhos e dentro de seus corações, contra tudo e contra todos
Os devotos de São João Maria atacaram o chão de Papanduva e Itaiópolis
A morte correu solta na terra Planaltina
Enfileiravam-se cadáveres de gente esfacelada
Cemitério céu aberto
A voz ignorante da bala, falou mais alto naquelas plagas.
Viram-se labaredas de fogo dos cartórios plagiadores de falsas escrituras
Com mão de ferro, o terror dominou por mais de noventa dias à região
Um clamor saiu das bocas angustiadas
Num idioma que só São Estanislau podia entender
Pediam em prece, que os livrassem do inferno da destruição,
o Imperador do Paraná, que achava que tudo pertencia ao seu reino
Enviou tropas de soldados para retomar a posse
Após intensos combates, o grupo de sertanejos retirou-se em debandada.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sábado, 29 de junho de 2013
Poesia "A Nulher Jagunça"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. .
A Mulher Jagunça
Não precisou de vestidos dourados para mostrar sua grandeza.
Tinha o pulo mortal de uma jaguatirica, quando se atirava da copa de uma araucária.
Ofertou sua vida, para deixar por herança à igualdade neste solo.
Tramçou seus cabelos nas cavalgadas das batalhas ferozes.
Foi a voz do ódio contra a iniquidade humana.
A brasileira que escreveu sua própria história.
Bordou a cruz da esperança na bandeira de São Sebastião.
Enfrentou a selvageria dos poderosos, sem nunca perder a ternura.
Forte como um raio que cortou o céu do sertão sulino.
na lápide desta guerreira está encravada a inscrição:
”Para ter um lugar neste mundo, lute por ele”
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
A Mulher Jagunça
Não precisou de vestidos dourados para mostrar sua grandeza.
Tinha o pulo mortal de uma jaguatirica, quando se atirava da copa de uma araucária.
Ofertou sua vida, para deixar por herança à igualdade neste solo.
Tramçou seus cabelos nas cavalgadas das batalhas ferozes.
Foi a voz do ódio contra a iniquidade humana.
A brasileira que escreveu sua própria história.
Bordou a cruz da esperança na bandeira de São Sebastião.
Enfrentou a selvageria dos poderosos, sem nunca perder a ternura.
Forte como um raio que cortou o céu do sertão sulino.
na lápide desta guerreira está encravada a inscrição:
”Para ter um lugar neste mundo, lute por ele”
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Poesia "Anjo Menina"
Série “Guerra do Contestado - Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXX.
Anjomenina
nas vermelhas águas do Rio Santa Maria, No vale da morte,
assassinaram a virgem.
Rolou a gota de sangue para a correnteza eterna
Da menina Maria Rosa que era pura, feito um diamante raro.
A flor que foi esmagada pelos espinhos ferruginosos dos caudilhos.
Sua voz divina emudeceu com um tiro de fuzil
Foi o Malévolo estanho, que atravessou a carne, chegando até o coração libertário,
Era o par de olhos dos caboclos, que ficaram cegos e eles conheceram as trevas.
Seu brilho de luz estelar foi apagado pela nação troglodita.
Rangeram as grimpas das araucárias, como se fossem os dentes da floresta ultrajada,
A Sundara, o pássaro da agonia, voa sobre as cabeças dos carcarás, dando gritos lancinantes.
Assoprou o vento vindo de Taquaruçú, para o “guardamento” da alma bendita.
Onde a hedionda atrocidade aconteceu, o jasmin cheiroso tomou conta do lugar.
Ela deixou de ser guerreira para ser anjo de Deus.
O monstro do pesadelo estraçalhou o sonho da terra prometida, pregado pelo ser angelical.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Anjomenina
nas vermelhas águas do Rio Santa Maria, No vale da morte,
assassinaram a virgem.
Rolou a gota de sangue para a correnteza eterna
Da menina Maria Rosa que era pura, feito um diamante raro.
A flor que foi esmagada pelos espinhos ferruginosos dos caudilhos.
Sua voz divina emudeceu com um tiro de fuzil
Foi o Malévolo estanho, que atravessou a carne, chegando até o coração libertário,
Era o par de olhos dos caboclos, que ficaram cegos e eles conheceram as trevas.
Seu brilho de luz estelar foi apagado pela nação troglodita.
Rangeram as grimpas das araucárias, como se fossem os dentes da floresta ultrajada,
A Sundara, o pássaro da agonia, voa sobre as cabeças dos carcarás, dando gritos lancinantes.
Assoprou o vento vindo de Taquaruçú, para o “guardamento” da alma bendita.
Onde a hedionda atrocidade aconteceu, o jasmin cheiroso tomou conta do lugar.
Ela deixou de ser guerreira para ser anjo de Deus.
O monstro do pesadelo estraçalhou o sonho da terra prometida, pregado pelo ser angelical.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Poesia "Chegaram os Peludos"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXIX.
Chegaram os Peludos
No sertão abandonado
Onde habitava a morte,
Chegaram os soldados peludos,
Eram víboras verde oliva rastejando entre folhas e arbustos, procurando suas vítimas
A maldade com sua força destrutiva, mandou seus demônios invasores
Que ainda possuíam sangue nos seus dentes de outros massacres,
Vieram do sul e do norte as tropas da legião carniceira
Sob a batuta espinhenta dos generais estrelados, dotados da crueldade oficial.
Os adoradores do Diabo, que executariam o ritual de sacrifício dos miseráveis.
tinham olhos com o brilho negro da destruição,
Idênticos às hienas, riram da luta cabocla, num escárnio bestial.
Espalharam o fermento raivoso, por toda a região,
Foram dias e noite da Inquisição selvagem,
Atearam fogo na bandeira de São Sebastião.
Defecaram suas bombas e balas, na esperança sertaneja,
Emudeceram as vozes silenciosas da dor e da vergonha, nos sobrevivente da mortandade.
Esquecem da história, para a história ser esquecida,
Mas as pedras que foram testemunhas teimam e continuam a contar os fatos.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Chegaram os Peludos
No sertão abandonado
Onde habitava a morte,
Chegaram os soldados peludos,
Eram víboras verde oliva rastejando entre folhas e arbustos, procurando suas vítimas
A maldade com sua força destrutiva, mandou seus demônios invasores
Que ainda possuíam sangue nos seus dentes de outros massacres,
Vieram do sul e do norte as tropas da legião carniceira
Sob a batuta espinhenta dos generais estrelados, dotados da crueldade oficial.
Os adoradores do Diabo, que executariam o ritual de sacrifício dos miseráveis.
tinham olhos com o brilho negro da destruição,
Idênticos às hienas, riram da luta cabocla, num escárnio bestial.
Espalharam o fermento raivoso, por toda a região,
Foram dias e noite da Inquisição selvagem,
Atearam fogo na bandeira de São Sebastião.
Defecaram suas bombas e balas, na esperança sertaneja,
Emudeceram as vozes silenciosas da dor e da vergonha, nos sobrevivente da mortandade.
Esquecem da história, para a história ser esquecida,
Mas as pedras que foram testemunhas teimam e continuam a contar os fatos.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Poesia, "Canto de Morte".Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo” Parte XXVIII. O Canto de Morte Há um século essa história passa de boca em boca da gente contestada, No pandemônio da destruição de Taquaruçú, Na hora do bombardeio mortal, Quando os casebres de taquara do vilarejo, ardiam em chamas, E que os corpos já se empilhavam no chão, Misturado com o barulho das explosões e tiros, se ouviu uma melodia infantil, Era uma canção de ninar, estava à mãe com sua filha nos braços, A jovem já estava morta, com o corpo todo estraçalhado, Era Chica Pelêga, que havia tombado, As lágrimas da mãe rolavam até a boca da moça, que escorria sangue Francisca Roberta, que era seu nome de batismo, Havia nascido de uma promessa à São João Maria, Veio a menina que foi a vida em pessoa. Tinha uma missão a cumprir, O de liberar seu povo massacrado contra seus opressores. Sua voz de trovão e seu espírito guerreiro foram suas armas. Naquele fatídico dia, havia concluído seu caminho. sua mãe agora estava fazendo ela adormecer pela última vez, a embalava e cantava sua cantiga preferida quando criança Como estivesse dizendo - Até breve, minha filha amada. Assassinaram a mulher, mas ficou o exemplo desta grande heroína catarinense. “O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Poesia "Mártires da Fé"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXVII.
Mártires da Fé
“Pai-nosso quê estás no Céu,
Santificado seja vosso nome,
Venha a nós o vosso reino,
Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu,
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
Perdoai nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido,
Não deixeis cair em tentação e nos livrai de todo o mal.
Amém.”
Era noite escura, como a asa negra de um corvo,
Com o vento gélido de inverno chacoalhando as árvores,
No meio da mata milhares de olhos esbugalhados,
Feito vagalumes que perderam sua luz,
Buscavam proteção, na floresta inóspita,
Imbuias, cipós, pinheirais, serras e rios, formavam o escudo derradeiro,
a casa dessa multidão, que seria o cemitério desses desgraçados do mundo,
estava ali cristões famélicos, maltrapilhos, analfabetos, descalços, desdentados, com doenças de todo tipo,
foram condenados à morte, pelos governantes peçonhentos,
cujo crime foi o de exigir seus direitos,
foram impedidos de sonhar que este inferno de dor e de lágrimas, iria transformar-se no paraíso para os párias,
levado pela fé cega de vencerem as bombas apenas com reza,
assim as trevas cobriram tudo, sem dó nem piedade,
naquela madrugada ecoou um choro estridente,
de uma criança morrendo de fome, nos braços de sua mãe,
pois eles só tinham pinhão cru para se alimentar.
Na selva contestada Rangeram os dentes dos homensbicho.
Que São João Maria proteja os pobres e oprimidos.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Mártires da Fé
“Pai-nosso quê estás no Céu,
Santificado seja vosso nome,
Venha a nós o vosso reino,
Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu,
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
Perdoai nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido,
Não deixeis cair em tentação e nos livrai de todo o mal.
Amém.”
Era noite escura, como a asa negra de um corvo,
Com o vento gélido de inverno chacoalhando as árvores,
No meio da mata milhares de olhos esbugalhados,
Feito vagalumes que perderam sua luz,
Buscavam proteção, na floresta inóspita,
Imbuias, cipós, pinheirais, serras e rios, formavam o escudo derradeiro,
a casa dessa multidão, que seria o cemitério desses desgraçados do mundo,
estava ali cristões famélicos, maltrapilhos, analfabetos, descalços, desdentados, com doenças de todo tipo,
foram condenados à morte, pelos governantes peçonhentos,
cujo crime foi o de exigir seus direitos,
foram impedidos de sonhar que este inferno de dor e de lágrimas, iria transformar-se no paraíso para os párias,
levado pela fé cega de vencerem as bombas apenas com reza,
assim as trevas cobriram tudo, sem dó nem piedade,
naquela madrugada ecoou um choro estridente,
de uma criança morrendo de fome, nos braços de sua mãe,
pois eles só tinham pinhão cru para se alimentar.
Na selva contestada Rangeram os dentes dos homensbicho.
Que São João Maria proteja os pobres e oprimidos.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Poesia," Retrato do Absurdo",
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXVI.
Retrato do Absurdo
Subiu ao ar a espada de um soldado do Duque de Caxias,
Com a lâmina toda ensanguentada, pois acabou de cortar a barriga grávida, de uma camponesa.
Tombaram dois corpos, mãe e filho, unidos na vida e na morte,
Chorou um anjo que faleceu antes de nascer, ele era parte do povo excluído, que estava condenado.
Vinha a fumaça negra de um trem, escondendo essa cena horrenda,
Assim o martírio assassino dos molambentos, pelos feitores do Século XX,
a escravidão medonha mantinha-se selvagem, com a benção da igreja oficial da pátria da ordem e progresso.
Para os miseráveis continuavam existindo as correntes e os açoites
Esse era o retrato que ficou na parede neste século da catacumba ufanista.
As raposas tirânicas aplaudiram em banquetes reais,
Brindando com as taças de cristal, cheias de sangue caboclo,
Fartando-se da carne da gente do sertão contestado.
Deitavam-se os parasitas em dinheiro de papel, feito com a massa das araucárias devastadas.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”
Retrato do Absurdo
Subiu ao ar a espada de um soldado do Duque de Caxias,
Com a lâmina toda ensanguentada, pois acabou de cortar a barriga grávida, de uma camponesa.
Tombaram dois corpos, mãe e filho, unidos na vida e na morte,
Chorou um anjo que faleceu antes de nascer, ele era parte do povo excluído, que estava condenado.
Vinha a fumaça negra de um trem, escondendo essa cena horrenda,
Assim o martírio assassino dos molambentos, pelos feitores do Século XX,
a escravidão medonha mantinha-se selvagem, com a benção da igreja oficial da pátria da ordem e progresso.
Para os miseráveis continuavam existindo as correntes e os açoites
Esse era o retrato que ficou na parede neste século da catacumba ufanista.
As raposas tirânicas aplaudiram em banquetes reais,
Brindando com as taças de cristal, cheias de sangue caboclo,
Fartando-se da carne da gente do sertão contestado.
Deitavam-se os parasitas em dinheiro de papel, feito com a massa das araucárias devastadas.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Poesia "Chico Alonso, O Guerreiro Menino"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXV.
Chico Alonso, O Guerreiro Menino
“Nóis não matava e nem robava, apenas cuidava de nossos afazeres e plantava a terra. Mais veio o governo da repubrica e deu tudo para os estrangeros que mataram nossas muiéres e filhos. Nós agora tamo dispostos a fazê prevalece nossos direitos. Assinado comandante Chiquinho Alonso”.
Mensagem deixada quando os revoltosos atacaram e destruíram a serraria da Lumber, em Calmon, SC.
Nasceu maragato, morreu contestador.
Gritou aos quatro cantos, que o povo segregado também era gente.
A coragem foi sua fiel companheira.
Cordeiro que transformou-se em leão, para defender seu território.
Ponta da lança jagunça.
Comandou os injustiçados que resolveram fazer justiça pelas próprias mãos.
Estampava no semblante a certeza da missão.
Escreveu a história, com a tinta rubra de sangue.
Tombou combatendo na Colônia de Rio das Antas.
Foi o homem, ficou o exemplo.
• Francisco Alonso de Souza ou Chiquinho Alonso, com apenas dezessete anos foi um dos líderes dos sertanejos marginalizados, na Guerra do Contestado( 1912-1916).
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Chico Alonso, O Guerreiro Menino
“Nóis não matava e nem robava, apenas cuidava de nossos afazeres e plantava a terra. Mais veio o governo da repubrica e deu tudo para os estrangeros que mataram nossas muiéres e filhos. Nós agora tamo dispostos a fazê prevalece nossos direitos. Assinado comandante Chiquinho Alonso”.
Mensagem deixada quando os revoltosos atacaram e destruíram a serraria da Lumber, em Calmon, SC.
Nasceu maragato, morreu contestador.
Gritou aos quatro cantos, que o povo segregado também era gente.
A coragem foi sua fiel companheira.
Cordeiro que transformou-se em leão, para defender seu território.
Ponta da lança jagunça.
Comandou os injustiçados que resolveram fazer justiça pelas próprias mãos.
Estampava no semblante a certeza da missão.
Escreveu a história, com a tinta rubra de sangue.
Tombou combatendo na Colônia de Rio das Antas.
Foi o homem, ficou o exemplo.
• Francisco Alonso de Souza ou Chiquinho Alonso, com apenas dezessete anos foi um dos líderes dos sertanejos marginalizados, na Guerra do Contestado( 1912-1916).
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Poesia, "Adeodato Ramos, OJagunço Maldito".
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXIV.
Adeodato Ramos, O Jagunço Maldito
Ditou sua lei de carrasco dos sertanejos,
Zombou da desgraça com sua risada maligna,
Degolou mais do que mil facas,
Quebrou a ligação entre a fé e a guerra,
Assassinou dezenas de homens, que boiaram nas águas do Rio Santa Maria,
Infectou o ar, com o cheiro fétido da carniça,
Tomou o vinho tinto de sangue dos miseráveis,
Olhou com os olhos de ave de rapina,
Trovou com o Diabo, proferindo palavras insanas,
Liderou a marcha de sua gente, rumo ao inferno,
Condenou à morte, os que queriam viver,
Manchou a bandeira de São Sebastião, com a nódoa da barbárie,
Estraçalhou a dignidade pelada, com sua devassidão carnal,
Gritou na noite, como um pássaro agourento,
Segurou as barras da cela como se estas fossem daionetas encravadas no seu peito,
Tombou “O Flagelo de Deus”, numa armadilha sórdida da covardia, iguais a muitas que fizera.
• Adeodato Manuel Ramos, “Liodato”, como ficou conhecido pelos caboclos da região contestada, nasceu em São José do Cerrito, quando este era distrito de Lages, Santa Catarina. Adeodato foi o último dos chefes dos rebeldes campesinos. Foi preso e mandado para Florianópolis, onde foi brutalmente assassinado pelo diretor da cadeia à mando dos coronéis estaduais.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Adeodato Ramos, O Jagunço Maldito
Ditou sua lei de carrasco dos sertanejos,
Zombou da desgraça com sua risada maligna,
Degolou mais do que mil facas,
Quebrou a ligação entre a fé e a guerra,
Assassinou dezenas de homens, que boiaram nas águas do Rio Santa Maria,
Infectou o ar, com o cheiro fétido da carniça,
Tomou o vinho tinto de sangue dos miseráveis,
Olhou com os olhos de ave de rapina,
Trovou com o Diabo, proferindo palavras insanas,
Liderou a marcha de sua gente, rumo ao inferno,
Condenou à morte, os que queriam viver,
Manchou a bandeira de São Sebastião, com a nódoa da barbárie,
Estraçalhou a dignidade pelada, com sua devassidão carnal,
Gritou na noite, como um pássaro agourento,
Segurou as barras da cela como se estas fossem daionetas encravadas no seu peito,
Tombou “O Flagelo de Deus”, numa armadilha sórdida da covardia, iguais a muitas que fizera.
• Adeodato Manuel Ramos, “Liodato”, como ficou conhecido pelos caboclos da região contestada, nasceu em São José do Cerrito, quando este era distrito de Lages, Santa Catarina. Adeodato foi o último dos chefes dos rebeldes campesinos. Foi preso e mandado para Florianópolis, onde foi brutalmente assassinado pelo diretor da cadeia à mando dos coronéis estaduais.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
terça-feira, 23 de abril de 2013
"Santa Maria, Rodai Por Eles"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte 23.
Santa Maria rogai por eles
A cidade-estado, o Quartel do flagelo de Deus,
Reguto dos desgraçados da araucária angustifólia,
O vale da expiação da inglória luta,
Cinco mil almas iguais àovelhas, juntas no aprisco mortal,
Panela que explodiu com os sonhos quiméricos da Irmandade cabocla,
O lugar santo que virou cemitério da vida errante,
Onde a fome devorou muitas bocas sedentas de justiça,
O tiro de misericórdia veio da falange fuziladora do pérfido Stillac Leal,
Rodearam as matilhas de feras, com milhares de cruéis soldados, para chacinar ,
O fogo do inferno ardeu até o cruzeiro da igreja,
Escarneceram os corvos, na sua alegria irracional,
O casto vestido branco sujou-se todo de sangue,
Foi lá que a espúria terra conheceu a pureza da alma da me mina Maria Rosa, quando esta voltou para os braços da mãe-eterna
A mata cobriu de verde, como se fosse um tapete escondendo a sujeira do triste cenário de horror,
Fim que começaria a condenação eterna dos que ousaram a combater a dominação imoral.
• Em Abril de 1915, quatro colunas do exército brasileiro, com mais de sete mil homens, atacaram e exterminaram o Reduto De Santa Maria, no vale do rio de mesmo nome ( hoje localizado no município de Timbó Grande,SC), que era a maior e mais importante concentração rebelde, este era comandado por Adeodato Ramos, que na ocasião acabou fugindo.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Santa Maria rogai por eles
A cidade-estado, o Quartel do flagelo de Deus,
Reguto dos desgraçados da araucária angustifólia,
O vale da expiação da inglória luta,
Cinco mil almas iguais àovelhas, juntas no aprisco mortal,
Panela que explodiu com os sonhos quiméricos da Irmandade cabocla,
O lugar santo que virou cemitério da vida errante,
Onde a fome devorou muitas bocas sedentas de justiça,
O tiro de misericórdia veio da falange fuziladora do pérfido Stillac Leal,
Rodearam as matilhas de feras, com milhares de cruéis soldados, para chacinar ,
O fogo do inferno ardeu até o cruzeiro da igreja,
Escarneceram os corvos, na sua alegria irracional,
O casto vestido branco sujou-se todo de sangue,
Foi lá que a espúria terra conheceu a pureza da alma da me mina Maria Rosa, quando esta voltou para os braços da mãe-eterna
A mata cobriu de verde, como se fosse um tapete escondendo a sujeira do triste cenário de horror,
Fim que começaria a condenação eterna dos que ousaram a combater a dominação imoral.
• Em Abril de 1915, quatro colunas do exército brasileiro, com mais de sete mil homens, atacaram e exterminaram o Reduto De Santa Maria, no vale do rio de mesmo nome ( hoje localizado no município de Timbó Grande,SC), que era a maior e mais importante concentração rebelde, este era comandado por Adeodato Ramos, que na ocasião acabou fugindo.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
terça-feira, 16 de abril de 2013
" Cidadão Pelado"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXII.
Cidadão Pelado
Nasci na brava Caragoatá, no meio do sertão sagrado,
Vim ao mundo pelas mãos da parteira Maria Rosa, que me enrolou num cuero apertado,,
Filho de pai caboclo do pé rachado,
Tenho a pele cor de cuia, cabelo de bugre e o sangue de um guerreiro renomado,
Lavei meu corpo, nas águas do Rio Tamanduá num poço abençoado,
Calço bota de borracha, com um paletó remendado,
Uso enrolado no pescoço, medalhinha de São Sebastião, contra o azar, doença e mau olhado,
Comprei muito mantimentos na Serra da Esperança,na bodega do João Furtado,
Cresci ouvindo a mãe véia (1) contar ás histórias do tempo do “Redute” assombrado,
Onde foi tanta malvadeza contra os inocentes, vinda de todo o lado,
a matança foi feia,as “metralhas” chacinavam o povo aterrorizado,
era tal de “Liodato”, o demônio do sertanejo massacrado,
o grito de liberdade da gente humilde foi degolado,
esconderam os motivos reais disso, chamando de Guerra do Contestado,
clamo por justiça, para São João Maria, num pedido emocionado,
nunca tive condições de ir à escola, não sou alfabetizado,
fui peão de fazenda, que acordava com o berro do gado,
trabalhei na plantação de pinus, onde num acidente com uma motosserra, tive o braço decepado,
hoje sobrevivo com um salário de fome de lixo aposentado,
vivo numa cidade pobre da região, sou um morador favelado,
aonde o futuro ainda não chegou, neste rico estado,
sou brasileiro esquecido, um cidadão pelado.
Mãe-véia, no linguajar caboclo quer dizer avó.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Cidadão Pelado
Nasci na brava Caragoatá, no meio do sertão sagrado,
Vim ao mundo pelas mãos da parteira Maria Rosa, que me enrolou num cuero apertado,,
Filho de pai caboclo do pé rachado,
Tenho a pele cor de cuia, cabelo de bugre e o sangue de um guerreiro renomado,
Lavei meu corpo, nas águas do Rio Tamanduá num poço abençoado,
Calço bota de borracha, com um paletó remendado,
Uso enrolado no pescoço, medalhinha de São Sebastião, contra o azar, doença e mau olhado,
Comprei muito mantimentos na Serra da Esperança,na bodega do João Furtado,
Cresci ouvindo a mãe véia (1) contar ás histórias do tempo do “Redute” assombrado,
Onde foi tanta malvadeza contra os inocentes, vinda de todo o lado,
a matança foi feia,as “metralhas” chacinavam o povo aterrorizado,
era tal de “Liodato”, o demônio do sertanejo massacrado,
o grito de liberdade da gente humilde foi degolado,
esconderam os motivos reais disso, chamando de Guerra do Contestado,
clamo por justiça, para São João Maria, num pedido emocionado,
nunca tive condições de ir à escola, não sou alfabetizado,
fui peão de fazenda, que acordava com o berro do gado,
trabalhei na plantação de pinus, onde num acidente com uma motosserra, tive o braço decepado,
hoje sobrevivo com um salário de fome de lixo aposentado,
vivo numa cidade pobre da região, sou um morador favelado,
aonde o futuro ainda não chegou, neste rico estado,
sou brasileiro esquecido, um cidadão pelado.
Mãe-véia, no linguajar caboclo quer dizer avó.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
terça-feira, 9 de abril de 2013
"Capitão Matos Costa"
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XXI.
Capitão Matos Costa
“ ...A revolta do Contestado é apenas uma insurreição de sertanejos espoliados nas suas terras, nos seus direitos e na sua esperança.
A questão do contestado se desfaz com um instrução e o suficiente de justiça, como um duplo produto que ela é da violência que revolta e da ignorância, que não sabe outro meio de defender o seu direito...”.
Citação de Cap. João Teixeira de Matos Costa.
Homem de armas do exército antropofágico,
Agia com a racionalidade humana, ausente na violência cega dos brutamontes.
Soldado que lutou pela paz,
Como única maneira de resolver a guerra.
Seu caráter justo encantou até a menina santa,
Nas palavras que trocaram no reduto do Caragoatá,
Conheceu a dor sertaneja que ardia em milhares,
Numa ferida aberta que escorria ódio.
Ele permutou as balas para desferir palavras, para defender os injustiçados,
Em Seu discurso nas altas cortes, era veementemente contra a chacina vergonhosa.
Encontrou a morte, numa emboscada cruel.
De um grupo que el defendia.
Sendo golpeado pelo facão do orgulho inútil,
Seguiu-se um silêncio no front, a Voz que executava o grito pelado,estava caída ao chão,
Capitão João Teixeira de Matos Costa, foi um militar veterano, nas guerras civis brasileiras do início do Século XX, sendo ele totalmente contra o emprego das forças armadas para resolver problemas sociais.
Em sua homenagem, a localidade de São João dos Pobres quando foi emancipada, recebeu o seu sobrenome e assim passou a se chamar de Matos Costa, um município catarinense.
Capitão Matos Costa
“ ...A revolta do Contestado é apenas uma insurreição de sertanejos espoliados nas suas terras, nos seus direitos e na sua esperança.
A questão do contestado se desfaz com um instrução e o suficiente de justiça, como um duplo produto que ela é da violência que revolta e da ignorância, que não sabe outro meio de defender o seu direito...”.
Citação de Cap. João Teixeira de Matos Costa.
Homem de armas do exército antropofágico,
Agia com a racionalidade humana, ausente na violência cega dos brutamontes.
Soldado que lutou pela paz,
Como única maneira de resolver a guerra.
Seu caráter justo encantou até a menina santa,
Nas palavras que trocaram no reduto do Caragoatá,
Conheceu a dor sertaneja que ardia em milhares,
Numa ferida aberta que escorria ódio.
Ele permutou as balas para desferir palavras, para defender os injustiçados,
Em Seu discurso nas altas cortes, era veementemente contra a chacina vergonhosa.
Encontrou a morte, numa emboscada cruel.
De um grupo que el defendia.
Sendo golpeado pelo facão do orgulho inútil,
Seguiu-se um silêncio no front, a Voz que executava o grito pelado,estava caída ao chão,
Capitão João Teixeira de Matos Costa, foi um militar veterano, nas guerras civis brasileiras do início do Século XX, sendo ele totalmente contra o emprego das forças armadas para resolver problemas sociais.
Em sua homenagem, a localidade de São João dos Pobres quando foi emancipada, recebeu o seu sobrenome e assim passou a se chamar de Matos Costa, um município catarinense.
quinta-feira, 28 de março de 2013
"O Vôo da Morte"
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XX.
Voo da Morte
Foi o filho bastardo de Santos Dumont, o avião militar,
Que sobrevoaria os ares do sertão, à mando da prepotência oficial,
Para vigiar e bombardear, a irmandade selvagem da nação prostituta,
Debutava a infâmia aérea no continente escravo.
Do norte foram mandadas cinco aeronaves, mas três arderam em chamas, no transporte férreo.
Veio Um ancestral germânico do Barão Vermelho, para ser o cocheiro da carroça aeronáutica.
O campo de aviação de Rio Caçador foi o lugar da catapulta mortal.
Tremeu o chão por onde passou, com seu ronco absurdo.
Ao invés dele massacrar os inocentes, foi tragado como uma geringonça bélica.
Sangrou o corpo do aviador mercenário que tombou diante de uma araucária mutilada.
Este pássaro carniceiro, foi abatido pela inclemência divina.
Março de 1915, em missão de reconhecimento , o Coronel alemão Ricardo Kirk teve uma pane em seu avião, próximo à Porto União, tentou um pouso forçado, mas acabou batendo em uma árvore, morrendo instantaneamente.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Voo da Morte
Foi o filho bastardo de Santos Dumont, o avião militar,
Que sobrevoaria os ares do sertão, à mando da prepotência oficial,
Para vigiar e bombardear, a irmandade selvagem da nação prostituta,
Debutava a infâmia aérea no continente escravo.
Do norte foram mandadas cinco aeronaves, mas três arderam em chamas, no transporte férreo.
Veio Um ancestral germânico do Barão Vermelho, para ser o cocheiro da carroça aeronáutica.
O campo de aviação de Rio Caçador foi o lugar da catapulta mortal.
Tremeu o chão por onde passou, com seu ronco absurdo.
Ao invés dele massacrar os inocentes, foi tragado como uma geringonça bélica.
Sangrou o corpo do aviador mercenário que tombou diante de uma araucária mutilada.
Este pássaro carniceiro, foi abatido pela inclemência divina.
Março de 1915, em missão de reconhecimento , o Coronel alemão Ricardo Kirk teve uma pane em seu avião, próximo à Porto União, tentou um pouso forçado, mas acabou batendo em uma árvore, morrendo instantaneamente.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 22 de março de 2013
"As Mulheres da Cidade"
As Mulheres da Cidade
Por: Almir Visconde.
É passarela, a Avenida Nereu Ramos, para a Boneca Cobiçada.
A fé inabalável da Irmã Irene, no futuro dessa gente.
Missteriosa e simpática, a jovem Eliane.
A baliza do charme, que estuda no Colégio Custódio Campos.
A boia-fria, no barracão da vida, separando o joio do trigo.
Lá vem a Tieta da serra acima.
A dama de pouca sorte, no bordel do trevo do amor.
A prenda faceira que dança uma valsa, no Clube 1# de Janeiro.
A benzedeira das mil orações, a Dona Júlia.
O sorriso farto da morena de olhos azuis, na pista da Paiol DiscoNight.
A noiva da Serra do Espigão, esperando o próximo caminhão.
A moça da vila, na domingueira do Pinheirão.
A velha Maria Rosa, relembrando o tempo dos redutos caboclos.
A música divina tocada pela santa e bela Cecília.
• Qualquer coincidência ou semelhança, não é mero acaso, são constatações sobre as mulheres cecilienses.
Por: Almir Visconde.
É passarela, a Avenida Nereu Ramos, para a Boneca Cobiçada.
A fé inabalável da Irmã Irene, no futuro dessa gente.
Missteriosa e simpática, a jovem Eliane.
A baliza do charme, que estuda no Colégio Custódio Campos.
A boia-fria, no barracão da vida, separando o joio do trigo.
Lá vem a Tieta da serra acima.
A dama de pouca sorte, no bordel do trevo do amor.
A prenda faceira que dança uma valsa, no Clube 1# de Janeiro.
A benzedeira das mil orações, a Dona Júlia.
O sorriso farto da morena de olhos azuis, na pista da Paiol DiscoNight.
A noiva da Serra do Espigão, esperando o próximo caminhão.
A moça da vila, na domingueira do Pinheirão.
A velha Maria Rosa, relembrando o tempo dos redutos caboclos.
A música divina tocada pela santa e bela Cecília.
• Qualquer coincidência ou semelhança, não é mero acaso, são constatações sobre as mulheres cecilienses.
domingo, 17 de março de 2013
A Guerra da Fé
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”; Parte XIX.
Guerra da Fé
Três profetas peregrinos anunciaram,
O sertão vai virar um inferno.
Sendo martirizado o último deles,
Na luta contra os soldados do poder.
A convicção religiosa foi a cola,
Que uniu a gente massacrada.
Seria a cruz uma espada enterrada,
No coração da gente cabocla.
Para enfrentar os inimigos,
O povo santo formou o exército encantado de São Sebastião.
veio A sacerdotiza-menina, a pombinha branca,
Para guiar a multidão dos pelados.
Fez-se das procissões desvairadas,
Manobras militares, nos redutos de extermínio.
Em orações infinitas, entorpeciam-se as pessoas,
que foram Brutalmente achincalhadas em todos os seus direitos.
Jorrou o sangue de milhares de pobres almas,
Ofertado ao deus de nome, poder.
A fome foi penitência que purificou o pecado original,
Que devorou a vergonha e o caráter dos subversivos de gravata e farda.
Ouviu-se a trombeta do juízo final,
Quando as rajadas das metralhadoras, aniquilavam aqueles que levantaram a bandeira da esperança.
O flagelo do Diabo engoliu os filhos de Deus,
Com a insanidade perversa.
As águas do céu lavaram a podridão da escravatura humana,
Escorrendo-as todas nas artérias fluviais da terra proibida.
Após cem anos, O chão profanado, ainda veste luto,
Em honra dos que tombaram no solo sagrado,
Combatendo com as armas que tinham, que eram: a fé e a coragem. Para construir um mundo digno as futuras gerações.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Guerra da Fé
Três profetas peregrinos anunciaram,
O sertão vai virar um inferno.
Sendo martirizado o último deles,
Na luta contra os soldados do poder.
A convicção religiosa foi a cola,
Que uniu a gente massacrada.
Seria a cruz uma espada enterrada,
No coração da gente cabocla.
Para enfrentar os inimigos,
O povo santo formou o exército encantado de São Sebastião.
veio A sacerdotiza-menina, a pombinha branca,
Para guiar a multidão dos pelados.
Fez-se das procissões desvairadas,
Manobras militares, nos redutos de extermínio.
Em orações infinitas, entorpeciam-se as pessoas,
que foram Brutalmente achincalhadas em todos os seus direitos.
Jorrou o sangue de milhares de pobres almas,
Ofertado ao deus de nome, poder.
A fome foi penitência que purificou o pecado original,
Que devorou a vergonha e o caráter dos subversivos de gravata e farda.
Ouviu-se a trombeta do juízo final,
Quando as rajadas das metralhadoras, aniquilavam aqueles que levantaram a bandeira da esperança.
O flagelo do Diabo engoliu os filhos de Deus,
Com a insanidade perversa.
As águas do céu lavaram a podridão da escravatura humana,
Escorrendo-as todas nas artérias fluviais da terra proibida.
Após cem anos, O chão profanado, ainda veste luto,
Em honra dos que tombaram no solo sagrado,
Combatendo com as armas que tinham, que eram: a fé e a coragem. Para construir um mundo digno as futuras gerações.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Homenagem À Mulher. Com MP3.
Neste dia especial, 8 de Março, oDia Internacional da Mulher, quero homenagear todas, mas sobretudo as mulheres de nossa terra, que são muito guerreiras no dia-à-dia. Fiz uma conversão de um texto meu em NP3, sobre uma das mais importantes mulheres de nossa história, apesar da pouca idade(15 anos), foi Maria Rosa, uma das líderes dos sertanejos, na Guerra do Contestado, lutou pelos seu direitos e de sua gente. Nem o momento crucial que passava, lhe tirou seu refinamento, deu um toque feminino, tão próprio da mulher, que só ela têm, assim é a maioria deste ser “sui generis”,fazendo diferença nos lugares onde vive.
https://dl.dropbox.com/u/73116391/rosa.mp3.mp3
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O Fiasco
Série “Guerra do Contestado- Cem anos de luta de um povo”. Parte XVIII.
O Fiasco
Determinou o coronelista chefe Catarina,
Que subissem a serra,
Uma tropa miliciana,
Para caçar os bugres fanáticos do sertão,
Era morte, a resposta para os insatisfeitos da nação selvagem,
da ilha-capital, partiu a escolta policial, com muita arrogância nos dentes.
com a impiedosa alegria das aves de rapina,
embrenharam-se na mata, com os corações de pedra,
após longa caminhada, chegaram ao lugar com sede de sangue,
travou-se no Taquarupú, a batalha quixotesca,
foi o dia que a caça devorou o caçador.
Usando de táticas de guerrilha, os pelados massacraram os inimigos.
Rugiram como feras iradas, no extermínio de seus oponentes,
aos arrogantes de farda, só restou a fuga inglória,
deixando pelo caminho, as armas que tinham.
Ouviu-se a irmandade cabocla, gritar:
- Viva São João Maria!
• Em Dezembro de 1913, o Governador Vidal Ramos, enviou uma tropa de 220 militares e 60 civis (muitos desertaram antes do combate), para acabar com o ajuntamento dos miseráveis do Taquaruçú. Atendendo pedidos de coronéis da região contestada.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
O Fiasco
Determinou o coronelista chefe Catarina,
Que subissem a serra,
Uma tropa miliciana,
Para caçar os bugres fanáticos do sertão,
Era morte, a resposta para os insatisfeitos da nação selvagem,
da ilha-capital, partiu a escolta policial, com muita arrogância nos dentes.
com a impiedosa alegria das aves de rapina,
embrenharam-se na mata, com os corações de pedra,
após longa caminhada, chegaram ao lugar com sede de sangue,
travou-se no Taquarupú, a batalha quixotesca,
foi o dia que a caça devorou o caçador.
Usando de táticas de guerrilha, os pelados massacraram os inimigos.
Rugiram como feras iradas, no extermínio de seus oponentes,
aos arrogantes de farda, só restou a fuga inglória,
deixando pelo caminho, as armas que tinham.
Ouviu-se a irmandade cabocla, gritar:
- Viva São João Maria!
• Em Dezembro de 1913, o Governador Vidal Ramos, enviou uma tropa de 220 militares e 60 civis (muitos desertaram antes do combate), para acabar com o ajuntamento dos miseráveis do Taquaruçú. Atendendo pedidos de coronéis da região contestada.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
"piedade, Corisco"
Série “ Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XVII
Piedade, Corisco
Na altura Planaltina,
Numa fração do mundo,
Onde o céu atirava raios e trovões,
Lá surgiu o povoado do Corisco.
Era lugar de descanso dos tropeiros birivas,
Veio um punhado de gente forasteira, De todos os lados,
Queriam um pedaço desse chão.
A terra era muita e dotada de riquezas naturais,
Mas pertencia há poucos.
Muitos ficaram excluídos desse quinhão
Uniram-se eles, dando início a uma revolução cabocla
Instalou-se o conflito no sertão,
Deram-lhe o nome de Guerra do Contestado,
A região Onde a ganância e a exploração, não tinham limites.
O confronto bestial foi inevitável de uma divisão injusta da terra.,
Cruzaram o vale do Rio Correntes, centenas de cavaleiros jagunço,
Que estavam dominados pelo ódio assassino.
Rodearam a localidade serrana,
Naquele momento, o anjo da morte reinaria absoluto,
Ecoava o grito de desespero da gente corisquenha,
Ao invés de um temporal celeste, o altiplano viu a claridade dos tiros,
chispas dos facões degolando impiedosamente, fazendo chover sangue.
A Carnificina santa foi completa, tornando a cruz uma arma maldita.
O vento negro espalhou sobre o casario, as chamas da destruição,
A fumaça do fogo mortal avisou os corvos do crime sem bandido
O inferno dantesco tragaria todos
• Corisco, antigo nome dado à cidade de Santa Cecília, Santa Catarina.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Piedade, Corisco
Na altura Planaltina,
Numa fração do mundo,
Onde o céu atirava raios e trovões,
Lá surgiu o povoado do Corisco.
Era lugar de descanso dos tropeiros birivas,
Veio um punhado de gente forasteira, De todos os lados,
Queriam um pedaço desse chão.
A terra era muita e dotada de riquezas naturais,
Mas pertencia há poucos.
Muitos ficaram excluídos desse quinhão
Uniram-se eles, dando início a uma revolução cabocla
Instalou-se o conflito no sertão,
Deram-lhe o nome de Guerra do Contestado,
A região Onde a ganância e a exploração, não tinham limites.
O confronto bestial foi inevitável de uma divisão injusta da terra.,
Cruzaram o vale do Rio Correntes, centenas de cavaleiros jagunço,
Que estavam dominados pelo ódio assassino.
Rodearam a localidade serrana,
Naquele momento, o anjo da morte reinaria absoluto,
Ecoava o grito de desespero da gente corisquenha,
Ao invés de um temporal celeste, o altiplano viu a claridade dos tiros,
chispas dos facões degolando impiedosamente, fazendo chover sangue.
A Carnificina santa foi completa, tornando a cruz uma arma maldita.
O vento negro espalhou sobre o casario, as chamas da destruição,
A fumaça do fogo mortal avisou os corvos do crime sem bandido
O inferno dantesco tragaria todos
• Corisco, antigo nome dado à cidade de Santa Cecília, Santa Catarina.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Rio Do Peixe
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XVI.
Rio do Peixe
Corre no vale da guerra centenária, a corrente elementar da bioesfera,
Que guarda a historia do Armageddon sertanejo,
Testemunha ocular da luta ferrenha.
No seu percurso, vizinhou com os trilhos da ferrovia sem-pátria,
Onde corria locomotivas Maria fumaças, ,
Que entulhados no seu bojo, levavam milhões de toras de madeira, para o outro lado do mundo, como o monge profetizara.
Nas suas margens Presenciou o tombamento inclemente das araucárias,
Feito pelas serras da ganância ianque.
Gritaram os quero-quero que ficaram sem lugar para criar os seus filhotes,
foram enxotados, como aves sem destino,
foi quando o ódio inundou a terra Catarina.
na vargem O caraguatá com seus espinhos, viraram coroa na cabeça da rainha-menina, que liderou seu povo. Contra os saqueadores.
as águas que eram azuis ficaram escarlates,
Com o jorro do sangue dos guerreiros humildes.
Os corpos dilacerados que boiavam aos montes,
Foram totalmente devorados por peixes carnívoros.
Os lamaçais foram pisoteados, por milhares de
botinas dos demônios verdes.
os canibais vencedores hastearam sua bandeira de exploradores selvagem.
A mortandade foi completa,
Profanaram até o rio, que é a artéria da vida,
Em nome do progresso,envenenaram sua seiva prodigiosa.
Este agoniza em silêncio,
Como o grito de liberdade do povo pelado.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Rio do Peixe
Corre no vale da guerra centenária, a corrente elementar da bioesfera,
Que guarda a historia do Armageddon sertanejo,
Testemunha ocular da luta ferrenha.
No seu percurso, vizinhou com os trilhos da ferrovia sem-pátria,
Onde corria locomotivas Maria fumaças, ,
Que entulhados no seu bojo, levavam milhões de toras de madeira, para o outro lado do mundo, como o monge profetizara.
Nas suas margens Presenciou o tombamento inclemente das araucárias,
Feito pelas serras da ganância ianque.
Gritaram os quero-quero que ficaram sem lugar para criar os seus filhotes,
foram enxotados, como aves sem destino,
foi quando o ódio inundou a terra Catarina.
na vargem O caraguatá com seus espinhos, viraram coroa na cabeça da rainha-menina, que liderou seu povo. Contra os saqueadores.
as águas que eram azuis ficaram escarlates,
Com o jorro do sangue dos guerreiros humildes.
Os corpos dilacerados que boiavam aos montes,
Foram totalmente devorados por peixes carnívoros.
Os lamaçais foram pisoteados, por milhares de
botinas dos demônios verdes.
os canibais vencedores hastearam sua bandeira de exploradores selvagem.
A mortandade foi completa,
Profanaram até o rio, que é a artéria da vida,
Em nome do progresso,envenenaram sua seiva prodigiosa.
Este agoniza em silêncio,
Como o grito de liberdade do povo pelado.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Puxirum da Fé
Série “Guerra do Contestado - Cem anos de luta de um povo”. Parte XV.
Puxirum da Fé
Manhã de 20 de janeiro, na santa Taquaruçú,
O chão batido era pisado pela multidão, em uma grande procissão.
Em honra de São Sebastião,
O santo guerreiro e protetor dos contestadores.
Na frente do cordão,
Ia a menina Maria Rosa, com seu vestido branco,
Puro como a alma da gente peregrina.
O vento nordeste bamboleava,no alto do mastro,
A bandeira mística, estampada com a cruz da esperança.
O terço era o pão de todos os dias,
Na crença governante dos mártires do sertão.
Ouve-se a cantilena religiosa, no murmúrio das vozes errantes,
Para afagar os corações aflitos.
É ofertado aos berros, o sangue caboclo,
Que Lutará até a morte, contra os inimigos do inferno.
As portas da pobre igreja,
Estão abertas, aguardando os filhos desta terra.
Quando todas as mãos se juntam, pedindo em coro:
- São Sebastião, que é defensor contra a calamidade, a fome e a guerra, rogai por nós.
Puxirum ou Putirum, de origem indígena comunmente usado na região contestada, era o mutirão da comunidade ou dos vizinhos, que se reuniam para realizar certa atividade, geralmente plantio ou colheita de roça, sem o dono precisar fazer pagamento em dinheiro pelo serviço, sempre fazia um baile ou participava em outros puxiruns.
“O Povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma”.
Puxirum da Fé
Manhã de 20 de janeiro, na santa Taquaruçú,
O chão batido era pisado pela multidão, em uma grande procissão.
Em honra de São Sebastião,
O santo guerreiro e protetor dos contestadores.
Na frente do cordão,
Ia a menina Maria Rosa, com seu vestido branco,
Puro como a alma da gente peregrina.
O vento nordeste bamboleava,no alto do mastro,
A bandeira mística, estampada com a cruz da esperança.
O terço era o pão de todos os dias,
Na crença governante dos mártires do sertão.
Ouve-se a cantilena religiosa, no murmúrio das vozes errantes,
Para afagar os corações aflitos.
É ofertado aos berros, o sangue caboclo,
Que Lutará até a morte, contra os inimigos do inferno.
As portas da pobre igreja,
Estão abertas, aguardando os filhos desta terra.
Quando todas as mãos se juntam, pedindo em coro:
- São Sebastião, que é defensor contra a calamidade, a fome e a guerra, rogai por nós.
Puxirum ou Putirum, de origem indígena comunmente usado na região contestada, era o mutirão da comunidade ou dos vizinhos, que se reuniam para realizar certa atividade, geralmente plantio ou colheita de roça, sem o dono precisar fazer pagamento em dinheiro pelo serviço, sempre fazia um baile ou participava em outros puxiruns.
“O Povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma”.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Tiro No Pé
Serie “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XIV.
Tiro no Pé
Germinou o negrume do poço, em pleno meio-dia,
O uivo do lobo guará ecoou mata adentro,
As mãos dos sertanejos estavam manchadas de sangue,
Pois cometeram o sacrilégio,
De calar a voz do soldado que viu a verdade,
Estavam eles acometidos de surdez provocada pelo ódio brutal,
Tinham pedaços de pedra-ferro, em lugar de seus corações,
revestidos com aspereza dos troncos das araucárias.
São João dos Pobres Viu rolar a demência,
Secou o rio da esperança cabocla,
na estúpida chacina do capitão Matos Costa e seu grupo
o militar que expôs nos tribunais a exploração humana naquelas paragens,
o enterro do entendimento.
Foi Erro mortal nos planos na estratégia camponesa,
É condenado à morte pelos líderes, Venuto baiano que cometeu à insanidade
e desceram naquela terra muitos corvos para se alimentarem da irracionalidade da guerra.
• Em 06 de Setembro de 1914, na localidade de São João dos Pobres ( hoje município de Matos Costa,SC), foi vítima de tocaia o Capitão João Teixeira de Matos Costa e dez soldados que ele comandava. Ele foi aquele que defendia os interesses legítimos dos sertanejos que eram escravizados e que agora estavam rebelados.
“O Povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma”.
Tiro no Pé
Germinou o negrume do poço, em pleno meio-dia,
O uivo do lobo guará ecoou mata adentro,
As mãos dos sertanejos estavam manchadas de sangue,
Pois cometeram o sacrilégio,
De calar a voz do soldado que viu a verdade,
Estavam eles acometidos de surdez provocada pelo ódio brutal,
Tinham pedaços de pedra-ferro, em lugar de seus corações,
revestidos com aspereza dos troncos das araucárias.
São João dos Pobres Viu rolar a demência,
Secou o rio da esperança cabocla,
na estúpida chacina do capitão Matos Costa e seu grupo
o militar que expôs nos tribunais a exploração humana naquelas paragens,
o enterro do entendimento.
Foi Erro mortal nos planos na estratégia camponesa,
É condenado à morte pelos líderes, Venuto baiano que cometeu à insanidade
e desceram naquela terra muitos corvos para se alimentarem da irracionalidade da guerra.
• Em 06 de Setembro de 1914, na localidade de São João dos Pobres ( hoje município de Matos Costa,SC), foi vítima de tocaia o Capitão João Teixeira de Matos Costa e dez soldados que ele comandava. Ele foi aquele que defendia os interesses legítimos dos sertanejos que eram escravizados e que agora estavam rebelados.
“O Povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma”.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
OCanto dos Pelados
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XIII.
O Canto dos Pelados
Milhares de vozes formaram o coral dos excluídos,
Este Se denominou de Irmandade de São Sebastião,
Regido pela batuta do maestro José Maria,
Que executaram a ópera da dignidade, Mo teatro do sertão.
Com partituras de dor e sofrimento do povo oprimido.
Misturando fé e ilusão, ensaiaram muito no Taquaruçú,
O “libreto” da epopeia,
Na retirada do Iraní, aconteceu o primeiro espetáculo trágico,
Os tambores da guerra rufaram, anunciando o descontentamento popular,
Os cavaleiros sobreviventes dos Doze Pares de França anunciaram a ressurreição da liberdade,
Entra em cena, a solista principal do grupo, a Maria Rosa, a menina santa,
Ela ordena a matança daqueles que ousassem enfrentar o Quadro Santo,
Os valentes comandantes Chico Alonso e Alemãozinho lideram os rebelados da terra sem lei,
Chica Pelega, a soprana, brilhava seus olhos na melodia do confronto,
Vieram Aplauso, antes do final, nas batalhas iniciais,
Cai à noite, o silêncio dizia que o inferno atacaria em todos os lugares,
Metralhadoras esganiçam, eclodem bombas, todos os instrumentos demoníacos entram em ação,
Estraçalham-se homens, mulheres, crianças, os sonhos, a fé, a bandeira da justiça humana.
O tenor pestilento, o Adeodato Ramos, “O Flagelo de Deus”,
No gran finale, fecha o portão do cemitério, deixando lá,
Preso na masmorra por um século, o povo caboclo,
E o sino dobra, quando parte o trem da história.
O Canto dos Pelados
Milhares de vozes formaram o coral dos excluídos,
Este Se denominou de Irmandade de São Sebastião,
Regido pela batuta do maestro José Maria,
Que executaram a ópera da dignidade, Mo teatro do sertão.
Com partituras de dor e sofrimento do povo oprimido.
Misturando fé e ilusão, ensaiaram muito no Taquaruçú,
O “libreto” da epopeia,
Na retirada do Iraní, aconteceu o primeiro espetáculo trágico,
Os tambores da guerra rufaram, anunciando o descontentamento popular,
Os cavaleiros sobreviventes dos Doze Pares de França anunciaram a ressurreição da liberdade,
Entra em cena, a solista principal do grupo, a Maria Rosa, a menina santa,
Ela ordena a matança daqueles que ousassem enfrentar o Quadro Santo,
Os valentes comandantes Chico Alonso e Alemãozinho lideram os rebelados da terra sem lei,
Chica Pelega, a soprana, brilhava seus olhos na melodia do confronto,
Vieram Aplauso, antes do final, nas batalhas iniciais,
Cai à noite, o silêncio dizia que o inferno atacaria em todos os lugares,
Metralhadoras esganiçam, eclodem bombas, todos os instrumentos demoníacos entram em ação,
Estraçalham-se homens, mulheres, crianças, os sonhos, a fé, a bandeira da justiça humana.
O tenor pestilento, o Adeodato Ramos, “O Flagelo de Deus”,
No gran finale, fecha o portão do cemitério, deixando lá,
Preso na masmorra por um século, o povo caboclo,
E o sino dobra, quando parte o trem da história.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
José Maria, O Santo da Guerra
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”; Parte XII.
José Maria, O Santo da Guerra.
Veio à terra contestada,
Um homem proclamando a salvação
Que acabaria com todos os males dos ignotos.
Lançou a semente da fé aos desesperados,
Foi o trovão nas estruturas danosas.
Verteu da sua boca,
Palavras que corroeram, as correntes da opressão.
A perseguição correu atrás,
Vinda de todos os lados, por aqueles que se achavam donatários da sesmaria.
Tombou em luta,
Para levantar a irmandade cabocla.
Que ergueu a fronte, duvidou das mentiras, do desprezo que deixaram marcas,
No coração ferido, das almas injustiçadas.
Por um século, os corvos dilapidaram esse homem,
Mas a verdade emerge, vindo a real história dos acontecimentos.
• José Maria de Agustinho ou Miguel Lucena de Boaventura, o terceiro monge dos três, que influenciaram a gente contestada. Personagem controverso, tendo poucas referências sobre ele. No ano de 1912, em Campos Novos, surgiu um curandeiro, que além de dar remédios, fazia muitas previsões e arrebanhou milhares de devotos na região, que seguiram suas ideias, mesmo após sua morte, que aconteceu no conflito com a polícia paranaense.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
José Maria, O Santo da Guerra.
Veio à terra contestada,
Um homem proclamando a salvação
Que acabaria com todos os males dos ignotos.
Lançou a semente da fé aos desesperados,
Foi o trovão nas estruturas danosas.
Verteu da sua boca,
Palavras que corroeram, as correntes da opressão.
A perseguição correu atrás,
Vinda de todos os lados, por aqueles que se achavam donatários da sesmaria.
Tombou em luta,
Para levantar a irmandade cabocla.
Que ergueu a fronte, duvidou das mentiras, do desprezo que deixaram marcas,
No coração ferido, das almas injustiçadas.
Por um século, os corvos dilapidaram esse homem,
Mas a verdade emerge, vindo a real história dos acontecimentos.
• José Maria de Agustinho ou Miguel Lucena de Boaventura, o terceiro monge dos três, que influenciaram a gente contestada. Personagem controverso, tendo poucas referências sobre ele. No ano de 1912, em Campos Novos, surgiu um curandeiro, que além de dar remédios, fazia muitas previsões e arrebanhou milhares de devotos na região, que seguiram suas ideias, mesmo após sua morte, que aconteceu no conflito com a polícia paranaense.
“O Povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Assinar:
Postagens (Atom)



