Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XLIX.
1912 – 1916
Veio o século do fogo e ferro, lançando no ar fumaça tóxica,
o intruso Farquar com sua espada gananciosa,
repartiu em mil pedaços, o chão sertanejo,
foi a grilagem da imoralidade,
primeiro devastaria as matas, para depois ludibriar imigrantes caucasianos,
tomando posse do terreno explosivo,
esqueceram-se daqueles que aqui já estavam,
Estes foram tratados como se fossem carniças malcheirosas,
Pisoteadas iguais às moscas ribeirinhas,
tendo florestas, os rios e as serras como testemunhas do genocídio dos enxotados.
As noites mais geladas para o tormento da gente espoliada,
Para eles só existia, Um único caminho, a escravidão bestial.
Correu no chão contestado, um raio de esperança,
Ela surgiu das bocas dos monges peregrinos que proclamavam, com fé e agindo em grupo, a irmandade cabocla seria imbatível.
Foi à semente da coragem plantada nos corações valentes de guerreiros que lutaram até o fim brutal.
Formaram-se locais santos, os redutos da resistência campesina,
Empunhando a bandeira da esperança e lança em riste, Chica Pelega e o exército encantado de São Sebastião, defendeu seu território.
Mas os verdugos do doder ficaram irados com tal petulância,
Resolveram calar as vozes dos insolentes que clamavam justiça,
Guerra aos labregos selvagens, as labaredas da inquisição para os adoradores de São João Maria,
Espalhando a morte aos mártires da opressão,
Assim começou o sangue jorrar e o sangue cobriu a terra proibida, num Armageddon aniquilador,
Um cheiro fétido da insensatez humana estava em todos os cantos
Os urubus mercenários se fartaram, em banquetes que aconteciam todos os dias.
Arrastaram os líderes rebeldes, decapitando as cabeças deles e ergueram-nas, idolatrando suas perversidades, num ritual macabro.
Exorcizaram em praça pública, a carranca do temível Adeodato,
Quando a devastação e o fuzilamento foram concluídos no campo
Sufocando os gemidos dos heróis sem pátria,
Em 1916, No necrotério federal do Catete assinaram o atestado de óbito de milhares de cidadões pelados.
Mesmo coberta com o tapete secular, essa rusga brutal deixou cicatrizes profundas incrustadas nas rochas , que contam a todos os povos esses fatos.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
"O Sonho" Poesia
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XLVIII.
O Sonho
“Quem têm mói, quem não têm móis também”.
Frase dos rebeldes
no século dos homems-lobo,
as palavras dos profetas foram fermento,
A fé resuscitou nas bocas cansadas,
Cansadas de lamber as pedras da submissão.
Ergueram a bandeira com a cruz de São Sebastião,
A cidade santa de Taquaruçú, era o Jardim do Éden do sertão,
a sociedade igualitária, no país da injustiça social.
Assim foi a fonte quimérica dos explorados
Lá Desceu a sombra dos espinhos dos coronéis pestilentos.
A grande taquara surrou os sonhos, daqueles que nos seus braços viviam.
Fumegou os bravos de pé-no-chão, pisoteados pelos coturnos da morte.
A cruz pelada virou assunto maldito na republiqueta de araque.
Seres humanos que levam na fronte, a insígnia da escravidão secular.
o vento que testemunhou os fatos, teima em assoprar por aí a história da luta do povo contestado.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
O Sonho
“Quem têm mói, quem não têm móis também”.
Frase dos rebeldes
no século dos homems-lobo,
as palavras dos profetas foram fermento,
A fé resuscitou nas bocas cansadas,
Cansadas de lamber as pedras da submissão.
Ergueram a bandeira com a cruz de São Sebastião,
A cidade santa de Taquaruçú, era o Jardim do Éden do sertão,
a sociedade igualitária, no país da injustiça social.
Assim foi a fonte quimérica dos explorados
Lá Desceu a sombra dos espinhos dos coronéis pestilentos.
A grande taquara surrou os sonhos, daqueles que nos seus braços viviam.
Fumegou os bravos de pé-no-chão, pisoteados pelos coturnos da morte.
A cruz pelada virou assunto maldito na republiqueta de araque.
Seres humanos que levam na fronte, a insígnia da escravidão secular.
o vento que testemunhou os fatos, teima em assoprar por aí a história da luta do povo contestado.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
"Miséria de um Século" Poesia.
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XLV.
Miséria de Um Século
a serpente da modernidade picou , a ganância inescrupulosa,
levando a araucária, o cálice de madeira, à tombar, derramando o sangue da igualdade.
Era a corda asfixiante, em volta do pescoço da gente excluída,
Mestiço, índio, branco, negro, todos os sertanejos pelados.
Virou pedra o pão na boca dos desdentados da nação espúria.
Vingou a praga onde a terra falava outros idiomas.
Rostos amarantados pelo flagelo da fome secular.
Arderam os corpos , no inferno meridional.
Subiu o picumã das chaminés, que enegreceu o céu.
Exalou no ar, o cheiro fétido nas águas danosas, das veias hidrográficas.
Recebeu convite da penúria os enxotados molambentos,
Era a mortalha viva de gerações prostradas.
As lágrimas encharcaram a terra contestada.
Ouviram-se os gritos dos carcarás patrulhando os destroçados.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Miséria de Um Século
a serpente da modernidade picou , a ganância inescrupulosa,
levando a araucária, o cálice de madeira, à tombar, derramando o sangue da igualdade.
Era a corda asfixiante, em volta do pescoço da gente excluída,
Mestiço, índio, branco, negro, todos os sertanejos pelados.
Virou pedra o pão na boca dos desdentados da nação espúria.
Vingou a praga onde a terra falava outros idiomas.
Rostos amarantados pelo flagelo da fome secular.
Arderam os corpos , no inferno meridional.
Subiu o picumã das chaminés, que enegreceu o céu.
Exalou no ar, o cheiro fétido nas águas danosas, das veias hidrográficas.
Recebeu convite da penúria os enxotados molambentos,
Era a mortalha viva de gerações prostradas.
As lágrimas encharcaram a terra contestada.
Ouviram-se os gritos dos carcarás patrulhando os destroçados.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
"Comandante Wolland" poesia
Série “Guerra do Contestado – Cem Anos de luta de um povo”. Parte XXX.
Comandante Wolland*
Veio como gralha branca das terras do norte,
A flecha incendiária trazido pelo mar,
Cruzou as florestas, os rios e cidades do sertão meridional.
Fazendo o retrato fantasmagórico do novo mundo
Onde a angustia era grande.
O deus da cobiça oprimia o povo
A discórdia pôs um muro, cercando os sertanejos humildes,
Foi quando a ave sem destino resolveu pousar no terreno insólito,
Para lutar junto ao exército encantado
Da sua boca saíram as normas rígidas que organizariam os pelados
Inteligente e corajoso eram as qualidades que possuía, por isto era comandante.
Nomeado pela própria Menina Santa
Até os verdugos vaqueanos temiam esse espinhento rebelde
Correu a fama de harpia sanguinária que destroçava seus inimigos
No seu rastro, Transformou noite em dias, iluminando o céu com o fogo da guerra.
Com Seus olhos azuis viu as trevas da morte aproximando-se da gente contestada
Subiu na copa de uma araucária, para gritar a visão que teve, mas ninguém lhe ouviu,
A perfídia tomou conta do seu coração
Desferiu golpes da adaga da covardia, nas costas da Irmandade.
• Henrique Wolland ou “Alemãozinho”, como era conhecido. Foi um dos grandes líderes da revolta popular.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Comandante Wolland*
Veio como gralha branca das terras do norte,
A flecha incendiária trazido pelo mar,
Cruzou as florestas, os rios e cidades do sertão meridional.
Fazendo o retrato fantasmagórico do novo mundo
Onde a angustia era grande.
O deus da cobiça oprimia o povo
A discórdia pôs um muro, cercando os sertanejos humildes,
Foi quando a ave sem destino resolveu pousar no terreno insólito,
Para lutar junto ao exército encantado
Da sua boca saíram as normas rígidas que organizariam os pelados
Inteligente e corajoso eram as qualidades que possuía, por isto era comandante.
Nomeado pela própria Menina Santa
Até os verdugos vaqueanos temiam esse espinhento rebelde
Correu a fama de harpia sanguinária que destroçava seus inimigos
No seu rastro, Transformou noite em dias, iluminando o céu com o fogo da guerra.
Com Seus olhos azuis viu as trevas da morte aproximando-se da gente contestada
Subiu na copa de uma araucária, para gritar a visão que teve, mas ninguém lhe ouviu,
A perfídia tomou conta do seu coração
Desferiu golpes da adaga da covardia, nas costas da Irmandade.
• Henrique Wolland ou “Alemãozinho”, como era conhecido. Foi um dos grandes líderes da revolta popular.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
"Setembrino de Carvalho, O Diabo Que Vestia Verde"poesia.
Série “Guerra do Contestado – Cem anos de luta de um povo”. Parte XLIV.
Setembrino de Carvalho, O Diabo Que Vestia Verde.
Veio o espadachim republicano, para combater no levante sertanejo,
O senhor da guerra, baluarte da força militar, que aniquilava seus oponentes.
Exibia estrelas de titânio, na sua cartucheira mortal.
Zombando da bandeira celeste do povo miserável.
Tinha nos olhos a visão vampiresca dos coronéis paranaenses, que se achavam donos de toda a região.
Ergueu sua espada carniceira para dirigir as colunas de extermínio.
Soprou de todos os quadrantes, o vento do massacre horrendo,
Cercou os redutos, com seus milhares de abutres famintos, esperando a hora certa de atacar suas presas.
Queimou na praça, Mil corpos de rebeldes, em nome da ordem e progresso.
Deixou em fumaça, aqueles que lutavam por dignidade,
Espalhou a fome, que era melhor que a pólvora contra os contestadores de São João Maria.
Usou a farda de marechal tingida pelo sangue dos miseráveis.
Fernando Setembrino de Carvalho, nasceu em Uruguaiana,RS,13.09.1861 e faleceu no Rio de Janeiro .RJ em24.05.1947). Militar brasileiro que comandou o exército, nas campanhas de Canudos e do Contestado.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
Setembrino de Carvalho, O Diabo Que Vestia Verde.
Veio o espadachim republicano, para combater no levante sertanejo,
O senhor da guerra, baluarte da força militar, que aniquilava seus oponentes.
Exibia estrelas de titânio, na sua cartucheira mortal.
Zombando da bandeira celeste do povo miserável.
Tinha nos olhos a visão vampiresca dos coronéis paranaenses, que se achavam donos de toda a região.
Ergueu sua espada carniceira para dirigir as colunas de extermínio.
Soprou de todos os quadrantes, o vento do massacre horrendo,
Cercou os redutos, com seus milhares de abutres famintos, esperando a hora certa de atacar suas presas.
Queimou na praça, Mil corpos de rebeldes, em nome da ordem e progresso.
Deixou em fumaça, aqueles que lutavam por dignidade,
Espalhou a fome, que era melhor que a pólvora contra os contestadores de São João Maria.
Usou a farda de marechal tingida pelo sangue dos miseráveis.
Fernando Setembrino de Carvalho, nasceu em Uruguaiana,RS,13.09.1861 e faleceu no Rio de Janeiro .RJ em24.05.1947). Militar brasileiro que comandou o exército, nas campanhas de Canudos e do Contestado.
“O povo que não cultua sua história, nunca vai ter importância alguma”.
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