Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Neste Sete De Setembro

Este fato que vou lhes contar, aconteceu há muitos anos por aqui, mas ainda está fresco na memória de quem presenciou acena, Porém as pessoas não sabem o que realmente ocorreu, naquele dia que agora vou esclarecer, Pois o sujeito virou defunto(que Deus o tenha), podemos contar a tragédia matinal, uma gafe dos diabos para quem se achava acima das outras pessoas. Bom se chamava João Batista Gonçalves de Souza, nome extenso como o de um rei, assim tinha gestos majestosos, um ar de realeza cabocla. João Batista era um cinqüentão vaidoso, casado, mas que adorava um rabo-de-saia, muito falastrão com quem lhe interessava; funcionário do governo, que lhe proporcionava uma renda razoável e amizade com o prefeito da cidade, sendo ele o mestre de cerimônias oficial, que o deixava muito mais convencido de sua importância no lugar.
Foi na comemoração do dia da pátria, que era o momento máximo da notoriedade na cabeça daquele homem. Armado o palanque oficial da festividade, eram colocadas as cores da bandeira nacional em volta deste, sendo que ali ficariam todas as autoridades do lugar que acompanhariam o desfile de escolas, clubes de serviço, CTG’s e maquinário da prefeitura; tudo uma belezoca para glorificar a nação amada.
Como era de tradição, o discurso que João faria noutro dia, era escrito, numa folha, pois ele não admitia esquecer uma palavra sequer, para ele seria um erro imperdoável. Terminado seu trabalho de escrita, foi até seu guarda-roupa e colocou o papel dentro do bolso do casaco que iria por.
Na manhã do dia sete, acordou bem cedo, para tomar um banho e barbear-se,como fazia todo ano, Quando terminou vestiu sua roupa, que estava impecável, toda engomada pela esposa ela sabia de como seu marido valorizava aquele dia. Ele constatou que, a gravata que comprara para à ocasião , não combinava com a cor do casaco que tinha escolhido, então resolveu vestir outro, fazendo a sua mulher escovar rapidamente, pois estava com pressa de chegar ao local. Tomou uma meia xícara de café e um pedaço de pão, fazendo isto em pé, nesse momento já estava angustiado e sem se despedir da esposa, foi à rua, o palanque ficava próximo de onde morava.
Chegando lá, cumprimentou pessoas que achava que mereciam sua atenção, como juiz de direito, delegado de polícia, o padre e seu amigo o prefeito. Já estava todo o povo da cidade, quando se iniciou a cerimônia. João Batista, pegou o microfone, chamando todas as autoridades para subirem no palanque oficial, quando isto terminou, foi tocado o hino nacional e todos ficaram perfilados para a bandeira brasileira, cantaram em coro a música cívica. Logo após veio a hora do discurso do infeliz, que encheu o peito para falar, procurando no bolso do paletó, a folha que tinha escrito suas palavras demagógicas, mas para sua surpresa, não estava lá, daí lembrou-se que tinha feito a troca daquela peça de roupa e balbuciando dizia:
- Neste sete de setembro..
Repetiu diversas vezes esta frase, enquanto procurava desesperadamente em todos os bolsos, por algo que não trouxera. Começou a suar muito, apesar de ser uma manhã fria de inverno, viu a bancarrota de sua imagem de cidadão de alta classe ir para o ralo, seria humilhado pelo populacho. Como era um sujeito matreiro, pensou rapidamente, como sair ileso daquilo que ele se defrontava agora, então decidiu,iria simular um ataque cardíaco. Assim o fez, caindo ao chão nos pés dos que estavam ao seu lado, causando uma imensa comoção no povo , como na época os recursos de saúde eram precários foi fácil para ele ludibriar.

• Por coincidência ele morreu de infarto fulminante do coração e ainda as más línguas diziam que isto aconteceu na alcova da amante.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mo Salão Do Pegacria

Deixo atado o meu pingo companheiro
Adentrando na sala, cumprimentando o porteiro

Dou de mão na aba do meu chapéu
Mostrando minha educação, mesmo lá sendo um bordel

No fundo fala uma velhota, o guasca é de fora
Deve ser pelo meu traje de gaúcho e o rangido de minha espora

Não me faço de rogado
Com uma morena danço um xote afigurado

Se alguma china, me fizer uma desfeita de dar um carão
Pergunto prá ela porque foi no bailão

No balcão faço um risco de faca
Pois a cerveja está quente, igual a mijo de vaca

Como um bezerro desmamado, a cordeona berra
Fazendo a alegria da indiada, aqui na serra

Quando comer algo, me der vontade
Compro uma galinha assada e divido com meu compadre

Depois de fandanguear a noite inteira
Levo no lombo do meu cavalo, uma prenda faceira

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Olhar da Gringa




mora nas bandas de Caçador, essa potranca

seu Nome é Andiara

boa de rédea, boa de anca

trás os longos cabelos louros, numa linda tiara



tem o sabor do vento arisco

sua boca estampa um sorriso faceiro

seu corpo é rápido como um corisco

aroma de jasmim, na sua água de cheiro



na sua fronte, Deus colocou, pedaços do céu

nos seus olhos azuis-anil, combinando com a pele macia de rosa branca

para esta guria tiro meu chapéu

anjo mulher, carinho de santa



seu olhar quando me toca,é igual à esporas judiando do meu coração

um mango sovando opeito, uma sincha apertando pescoço

galopa meu sentimento de paixão

nessa hora vôo como um quero-quero fazendo alvoroço



perdoe as palavras de um peão ignorante

mas que vai falar de modo gentil

na língua do pago distante

“bella ragazza, amoré mio”

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fim de Baile

Lá pelos idos de sessenta e poucos, na rua principal da cidade, no salão Guarani, que era o lugar dos acontecimentos festivos, do lugar. O salão era construído todo de madeira que era farta em toda a região e que predominava nas construções, que ali eram feitas.
A noite daquele sábado, era igual à muitas, pois o povoado fica na serra catarinense, com muita garoa e o vento nordeste, que corta os ares do povoado.Mesmo sendo mês de novembro, o frio ainda era intenso. Mas naquele dia ou melhor naquela noite, o frio parecia ser de menor importância, pois se realizaria, um grande baile, comemorativo, do vencedor da eleição municipal e o costume era reunir todo o povo, com muito churrasco e bastante bebida, distribuída gratuitamente .
Assim começou o festejo, no início da noite, com foguetório e carreata do futuro prefeito e seus partidários, exibindo muita alegria, com o feito realizado.
Com muita carne, bastante Serramaltes e várias Crushes, durante todo o “puxirum”, para o povo ali presente. Como uma festa que se preze, nas 22 horas, o gaiteiro abriu a cordeona, abrilhantando o lugar . Os sorrisos eram fartos, as risadas constantes, o murmúrio era grande entre as pessoas que ali estavam e que se esqueciam da vida difícil que levavam.
Noutro canto da cidade, alguém destilava seu veneno, pois era mortal sua raiva, daqueles que outrora se ajoelhavam diante dele, considerava-se a pessoa mais importante daquelas bandas, o mais influente coronel, que tinha contatos com políticos influentes da capital. Mas, na última eleição fora fragorosamente derrotado nas urnas, o povo, que achava que ele era seu, virou as costas para ele, foi enxotado igual à um cão sarnento. Matutava silenciosamente como iria se vingar daquilo que sofrera. Tanto pensou que veio uma idéia diabólica, para por fim naquilo tudo, acabar com aquela comemoração daqueles ingratos. Decidiu por sua idéia nefasta em prática, chamou seus comparsas e deu a ordem:
- Coloquem fogo no salão de baile, quero que tudo vire cinza, que a festa seja enterrada prá sempre.
Os pistoleiros do coronelfazendeiro,fizeram tudo como ele ordenou, atearam fogo, com muita gasolina e ficaram olhando de longe a desgraça ,que ali .aconteceria em poucos minutos.
Logo se ouviu os gritos:
- Fogo, fogo, corram todos, o salão está pegando fogo.
Foi uma correria dos diabos, pois o fogo vinha de todos os lados, as pessoas nem qual o lado que deviam ir, para escapar das chamas, parecia o inferno tomando conta do salão, tragando tudo o que estava na frente dele.
Em pouco mais de duas horas, o salão Guarani virou cinzas, só pedaços dos cepos de sustentação ficaram. Assim o ódio destruiu a festa,tendo sido criado na mente de uma pessoa, que somente foi contrariada em suas vontades, não aceitando a decisão do povo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Milonga para um Taura


Domador, que chega o tento, nos corações aporreados

Tosquiador, que finca anavalha, na barba enrodilhada e branca

Peleador, que nunca afrouxa , diante de qualquer guasca

Tropeador, que cabresteeia , as lembranças , no trote da vida

O curador, das mágoas, que deixaram feridas na sua alma DE PEÃO

O sonhador que aparta as suas lembranças de outrora

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



Campeirismo de Um Coração

Sou Taura guapo, um biriva que agüenta o repuxo
Dono de coração aporreado, que têm o vivente Gaúcho

Recebo um amigo, em um abraço bem sinchado
com uma cuia de mate bem cevado

Corto o vento minuano, na lida crinuda
Com a égua bragada, campeando a gadaria, me dando preciosa ajuda

Carneio as malevas da alma e toso a idéia cascurrenta
Lavando o rosto, com muita água benta

Levo prá minha piazada, uns caramelos na guiaca
Na bodega do Tio João, compro um galo índio e um casal de baitaca

Asso a costela gorda, na invernada do Campo Alto
Na Estância da Tradição, que fica na beira do asfalto

Após um longo dia de marcação
Deito meu corpo nos pelegos, que estendo no chão

Me entreto com uma carreirada boenacha
Estampando lenço, camisa, chapéu, botas e uma longa bombacha

Ginete mais rápido que esta terra já viu
Dançando com a prenda amada, vanera,
Rancheira, xote, valsa e bugiu

Da gibeira tiro meu relógio sete dias
Prá ver se está na hora de rezar umas ave Marias

Quando me ronda a dor e o sufoco
Espanto tocando uma marca na gaita de oito soco

Tiro o meu sustento, do laço de doze braças
Agradeço a Deus, por ter me concedido tantas graças