Pirupá
Por Almir Visconde
Nasceu Juvenal, morreu “pirupá”.
Caboclo da Fazenda Goulart, localidade ceciliense.
Vivia com a simplicidade do sertão.
veio o chamado militar obrigatório
vestiram-lhe a farda de Pracinha do exército do ditadorVargas.
Combatente,que viajou para o mundo dito civilizado.
Lá conheceu a guerra espalhada pelo chão,
A ganância e a arrogância transformou os homens em animais sanguinários.
Que devoravam seus semelhantes sem ter remorso algum nas suas faces trogloditas.
Era o inferno abaixo de zero grau, onde a morte estava em toda a parte.
Ouviu o cântico do Satanás, as rajadas de metralhadoras, explosões de bombas, aviões e sirenes esganiçando.
Quando milhões de almas já tinham sucumbido, ergueram a bandeira da paz.
Retornaram os heróis nacionais, para a tátria colônia dos ufanistas hipócritas.
Sertanejo condecorado, agora era um mutilado da vida,
Um demente que só via corpos estraçalhados , fantasmas horrendos.
Encontrou na bebida alcoólica uma anestesia para sua dor tremenda.
Perambulava pelas ruas quando bêbado, soltando um grito lancinante:
- êêê ooô.
Até que um dia, o silêncio mórbido encontrou sua boca.
Aqui jaz e descanse em paz.
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