Certificado do Concurso de Poesias do Centenário da Guerra do Contestado 2013 Onde fui selecionado.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

"Pirupá". Poesia

Pirupá

Por Almir Visconde

Nasceu Juvenal, morreu “pirupá”.

Caboclo da Fazenda Goulart, localidade ceciliense.

Vivia com a simplicidade do sertão.

veio o chamado militar obrigatório

vestiram-lhe a farda de Pracinha do exército do ditadorVargas.

Combatente,que viajou para o mundo dito civilizado.

Lá conheceu a guerra espalhada pelo chão,

A ganância e a arrogância transformou os homens em animais sanguinários.

Que devoravam seus semelhantes sem ter remorso algum nas suas faces trogloditas.

Era o inferno abaixo de zero grau, onde a morte estava em toda a parte.

Ouviu o cântico do Satanás, as rajadas de metralhadoras, explosões de bombas, aviões e sirenes esganiçando.

Quando milhões de almas já tinham sucumbido, ergueram a bandeira da paz.

Retornaram os heróis nacionais, para a tátria colônia dos ufanistas hipócritas.

Sertanejo condecorado, agora era um mutilado da vida,

Um demente que só via corpos estraçalhados , fantasmas horrendos.

Encontrou na bebida alcoólica uma anestesia para sua dor tremenda.

Perambulava pelas ruas quando bêbado, soltando um grito lancinante:

- êêê ooô.

Até que um dia, o silêncio mórbido encontrou sua boca.

Aqui jaz e descanse em paz.

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