Os Borges.
Por Almir Viscond
Veio da província de São Pedro, uma família para o rincão.
Atrás de um lugar para morar, um pedaço de chão.
O casal com cinco filhos de sangue e outro de criação.
Subiram a serra pela picada do grotão.
Abrindo eito na mataria, com foice e facão.
Trouxeram com eles uma junta de boi e uma penca de alazão.
Trabalhavam de cedo à noite com dedicação.
As tábuas desdobraram das araucárias, para erguerem sua casa e um galpão.
a morada ficou grande sendo os quartos no sótão.
Cercaram o terreno com aramado e puseram um grande portão.
Araram a terra para plantarem milho e feijão.
Criaram gado, carneiro, galinha e leitão.
Puseram uma roda d’água p e também uma mão de pilão.
Juntaram lenha para queimar no forno e no fogão.
Leite virou queijo, uva virou vinho e o trigo virou pão.
Saborearam a erva-mate nativa, num delicioso chimarrão.
Assaram churrasco bem a preceito como manda a tradição.
A piazada se divertia fazendo sapecada de pinhão.
Na bailanta do puxirum, o gaiteiro toca valsa, xote, rancheira e vanerão.
Quando chovia trançavam couro para fazer laço no fundo do porão.
De vez em quando a noite, contavam causos de visagem ao redor de um lampião.
Com suas espingardas caçavam, saracura, nambu, tateto, anta e até leão.
Houve um tempo que estourou uma revolução.
Foi a luta da fé contra o canhão.
Disse o pai aos filhos, cuidado no que falam, pois há muita perseguição.
Terminou a guerra, os humildes perderam e quem ganhou foram os coronéis da opressão.
No final de cada dia, todos reunidos fazem uma oração,
Agradecendo pela jornada e pedindo â Deus muita proteção.
Cresceram os os rapagões, casando-se e multiplicando-se , povoando a região
.Assim foi o começo do povo serrano, que agora é catarinense de alma e coração.
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